NBA, Darwinismo e as “Raças Favorecidas”

Por Gary DeMar

Durante um jogo de basquetebol universitário entre os Coloado Buffaloes e os Arizona Wildcats, o estrela ex-NBA Bill Walton deu presentes aos seus colegas comentadores. A Dave Pasch, ele deu uma cópia do livro de Charles Darwin A Origem das Espécies “com a nota de que ele queria certificar-se que Pasch acreditava na teoria da evolução.” A resposta de Pasch foi simples e directa: “Não acredito.”

Eu teria perguntado a Walton se ele havia lido alguma das obras de Darwin e as obras de outros evolucionistas que seguiram até ao fim a lógica do sistema darwiniano. Eu teria perguntado a Walton se ele conhecia o título completo do livro de Darwin, que é:

Sobre a Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida

Isto leva-me para a NBA, onde “os Afro-Americanos são 76,3% de todos os jogadores da NBA” e onde “oitenta-e-um porcento dos jogadores são jogadores de cor,” daqueles que podem ser considerados membros das “raças menos favorecidas”.

Indo mais além, eu teria perguntado a Walton se ele conhecia algumas das teorias rácicas que receberam o apoio dos Darwinistas, desde Thomas Huxley até Ernst Haeckel. As teorias rácicas existiram antes e depois de Darwin, mas foi o Darwinismo que deu a algumas destas teoria uma validade “científica”.

Olhemos agora para alguns exemplos que fazem com que o acto dum ex-jogador da NBA dar uma cópia do livro Sobre a Origem das Espécies a alguém, como forma desta última pessoa abraçar as suas teorias, seja algo inadequado.

John_ScopesNo Julgamento de Scopes em 1925, o réu – John Scopes – ensinou a partir dum “texto escolar aprovado com o nome de A Civic Biology by George Hunter.”[1] O livro não é assim tanto uma defesa científica do Darwinismo mas mais um teste às “implicações sociais do Darwinismo. De modo particular, o capítulo 17 discute as aplicações dentro da sociedade humana das ‘leis da selecção’, e aprova as políticas eugénicas e o racismo científico comum por essa altura no Estados Unidos.”

(John Scopes, um professor substituto estrategicamente colocado na escola pela organização com o nome de ACLU como forma de testar as leis anti-evolutivas do Tennessee, estava a ensinar os seus alunos a partir do capítulo 17 desse livro.)

No seu livro A Civic Biology, “Hunter acreditava que seria criminoso entregar ‘deficientes’ à geração seguinte, e olhava para as famílias com um histórico de  tuberculose, epilepsia e debilidade mental como ‘parasíticas para a sociedade. O remédio, segundo s, era impedir a procriação.”[2] Eis a forma como Hunter coloca as coisas:

Se tais pessoas fosse animais inferiores, é bem provável que nós os matássemos como forma de impedir a sua procriação. A humanidade não irá permitir isto, mas nós temos o remédio de separar os sexos em asilos ou noutros sítios, e muitas outras formas de impedir os casamentos e as possibilidade de perpetuarem uma raça tão baixa e degenerada. [3]

E teoria da evolução validava o movimento eugénico ao dar-lhe legitimidade científica, e o mesmo era verdade em relação às ideias estabelecida relativas à raça. [4] “Hunter acreditava que as mais evoluídas “raças humanas” eram as “os habitantes brancos civilizados da Europa e da América” que é “o tipo mais elevado de todos.” [5]

De onde é que Hunter obteve estas ideias? Claramente do livro de Charles Darwin “Sobre a Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida”. Os apoiantes de Darwin alegam que este uso da palavra “raça” tinha em mente uma subespécie de animais. De alguma forma, esta avaliação é verídica. Mas o que é que Darwin tinha em mente com a palavra “subespécie”? E se Darwin olhasse para os não-brancos em evolução como uma “sub-espécie” de animais?

No sua sequela evolutiva, A Descendência do Homem, Darwin escreveu [6]:

Em algum período futuro, não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem quase certamente irão exterminar e substituir as raças selvagens por todo o mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos, como o professor Schaaffhausen observou, serão sem dúvida exterminados. A ruptura entre o homem e seus aliados mais próximos será então maior, pois irá intervir entre o homem em um estado mais civilizado, como se pode esperar, mesmo que os brancos, e alguns macacos tão baixos como um babuíno, em vez de, como agora entre o negro ou australiano e o gorila.

Darwin acreditava que as variadas raças encontravam-se fases evolutivas distintas, todas distantes dos macacos, com os Negors na base e os Caucasianos no topo. Thomas H. Huxley um fervoroso defensor de Darwin que ganhou o nome de “O Bulldog de Darwin”, acreditava que “Nenhum homem racional, conhecedor dos factos, acredita que o negro comum é igual, e muito menos superior, que um homem branco.” Huxley descreve os brancos como um grupo com “cérebros maiores e maxilas inferiores” [7]

Tal como Raymond F. Surburg salientou, “O Professor Hofstadter fez um estudo especial da influência de Darwin no pensamento Americano. No seu livro “Darwinismo Social no Pensamento Americano”, ele demonstrou que o Darwinismo foi uma das fontes primárias do racismo e da ideologia beligerante que caracterizou a última metade do século 19 na Europa e na América…” (Raymond F. Surburg, “The Influence of Darwinism,” Darwin, Evolution, and Creation, ed. Paul A. Zimmerman (St. Louis, MO: Concordia, 1959), 198.)

Surburg continua declarando que:

A teoria da evolução tornou-se na filosofia de vida do ateísmo militante do século 20. Poucas pessoas se apercebem disto, mas Hitler, ao provocar a 2ª Guerra Mundial, apenas colocou em práctica o que ele acreditava ser a evolução humana. Darwin e Nietzsche era os dois filósofos estudados pela Nacional Socialista aquando da construção da filosofia colocada em marcha no livro “Mein Kampf” de Hitler.

Nesta sua obra, Hitler assegura que os homens ascenderam dos animais através da luta. Era crença do Fuehrer que estas lutas, onde um ser alimenta-se de outro e onde o sangue do mais fraco é a vida do mais forte, havia continuado desde tempos imemorais e têm que continuar a existir até que o mais avançado ramo da humanidade domine toda a Terra. [8].

O racismo tem existido entre os seres humanos desde que o pecado deu entrada. Não podemos, desde logo, alegar que a teoria da evolução gerou o racismo. [9] O que aconteceu foi que a teoria da evolução tornou o racismo respeitável visto que esta teoria justificava as atitudes e as prácticas raciais com base na “ciência”.

Os defensores de Darwin não gostam de falar do pequeno segredo profundo do Darwinismo, “Os pontos de vista raciais e sexuais de Darwin permearam a sua discussão da origem das espécies, e especialmente a descendência do ser humano. Os seus contemporâneos ficaram chocados com a noção dos seres humanos terem evoluído de primatas. Hoje em dia, as pessoas ficam chocadas com o seu racismo.” [10]

Richard Weikart, Professor de História na “California State University”, Stanislaus, e numa entrevista na edição online do The Stanford Review, ressalva que o Darwinismo influenciou um certo número de ideologias do século 20:

Richard_WeikartEmbora o Nazismo tenha derivado de várias fontes, a maior parte sem relação alguma com o Darwinismo, o Darwinismo era um princípio central e orientador da ideologia Nazi. Hitler acreditava que a luta humana para a sua existência, especialmente entre as raças de onde iria resultar o triunfo dos indivíduos e das raças “superiores”, e a extinção das raças “inferiores”.

Ele olhava para as suas políticas pró-natalidade, esterilização obrigatória e aborto obrigatório para os indivíduos “inferiores”, morte aos inválidos, guerra expansionista, e a exterminação das raças “inferiores”, como medidas que tinham em vista a promoção da evolução biológica.

Muitas das ideias de Hitler sobre a aplicação do Darwinismo nas raças e na sociedade derivavam dos Darwinistas mais importantes do início do século 20 na Alemanha, tais como Ernst Haeckel, Alfred Ploetz, Fritz Lenz, Eugen Fischer, e outros.” [11]

Parece que Bill Walton deu o presente errado a Dave Pasch.

–  http://goo.gl/Ae2uBh

* * * * * * *
Claro que os Darwinistas actuais repudiam as matanças evolutivas de Hitler e dos regimes Comunistas [ed: Karl Marx quis dedicar o seu livro “Das Kapital” a Charles Darwin] mas isso e irrelevante. Ninguém “conhecer dos factos” identifica todos os evolucionistas como potenciais genocidas, mas sim que, embora o racismo já existisse antes de Darwin, a sua teoria deu suporte pseudo-cientifico para o racismo (algo que o evolucionista Marxista Stephen Jay Gould confirmou).

Referências.

  • Philip J. Sampson, 6 Modern Myths About Christianity & Civilization (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2001), 54. []
  • Sampson, 6 Modern Myths About Christianity, 54-55. []
  • George W. Hunter, A Civic Biology (New York: American Book, 1914), 263. Quoted in Sampson, 6 Modern Myths, 55. []
  • Racism is the belief that one race is superior to another. Racism is not the same as “bigotry” or “prejudice,” although it can include them. []
  • Sampson, 6 Modern Myths About Christianity, 55. []
  • Charles Darwin, The Descent of Man, 2nd ed. (New York: A. L. Burt Co., 1874), 178. Quoted in Henry M. Morris, The Long War Against God: The History and Impact of the Creation/Evolution Conflict (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1990), 60. Richard Weikart writes: “In his published writings, especially in The Descent of Man, Darwin made claims about the origins of morality, the origins of religion, social developments, the need for laissez-faire economics, and the extinction of lower races.” []
  • Thomas H. Huxley, Lay Sermons, Addresses and Reviews (New York: Appleton, 1871), 20. Quoted in Morris, The Long War Against God, 60. []
  • Raymond F. Surburg, “The Influence of Darwinism,” in Darwin, Evolution, and Creation, ed. Paul A. Zimmerman (St. Louis, MO: Concordia 1959), 196. []
  • Richard Hofstadter, Social Darwinism in American Thought, rev. ed. (Boston, MA: Beacon Press, [1944, 1955] 1967), 171–72. []
  • Joyce Appleby, Lynn Hunt, and Margaret Jacob, Telling the Truth About History (New York: W.W. Norton and Co., 1994), 184. []
  • “The Impact of Darwinism,” The Stanford Review  Online Edition, Vol. XL, Issue 7 (April 22, 2008). []
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Evolucionistas recusam-se a fazer ciência que pode colocar em causa a tua fé

(O texto que se segue não é duma fonte Criacionista e como tal, as suas datas baseiam-se na errónea linha temporal evolutiva)

Por April Holloway

Um chifre da testa dum triceratop descoberto no Dawson County, Mont., foi de maneira controversa datado com a idade de 33,500 anos, colocando em causa a visão que afirma que os dinossauros morreram há cerca de 65 milhões de anos. Este achado sugere de modo radical que os seres humanos podem ter caminhado na Terra lado a lado a estes répteis assustadores há milhares de anos atrás.

TriceratopsO chifre do triceratop foi escavado em Maio de 2012 e guardado no “Glendive Dinosaur and Fossil Museum”. O museu, que desde 2005 tem cooperado com o “Paleochronology Group”, uma equipa de consultores na geologia, paleontologia, química, engenharia e educação, enviou uma amostra da parte externa do chifre ao chefe do “Paleochronology Group”, Hugh Miller, a pedido deste como forma de levar a cabo testes com o Carbono-14.

Miller enviou a amostra para a Universidade da Geórgia (“Center for Applied Isotope Studies”) para este propósito. A amostra foi então dividida em duas fracções com a maior parte ou produtos resultantes do colagéno a dar uma idade de 33,570 ± 120 anos, e a fracção de carbonato da bioapatite óssea a dar uma idade de 41,010 ± 220 anos [UGAMS-11752 & 11752a]. O Sr Miller disse à Ancient Origins que é sempre preferível datar várias fracções com o carbono-14 (o que Miller exigiu) como forma de minimizar a possibilidade de erros e que uma concordância essencial foi atingida nos milhares de anos tal como em todas as fracções ósseas de 10 outros dinossauros.

Triceratops, nome que significa “face com três chifres”, é um género de dinossauro herbívoro ceratopsid de quem se diz ter inicialmente aparecido durante a parte final da era Maastrichtiana e na parte final do período Cretáceo – há cerca de 68 milhões de anos atrás naquilo que actualmente é a América do Norte – e havendo se extinguido no evento de extinção do Cretáceo-Paleogene há 66 milhões de anos atrás. No entanto, cientistas do “Paleochronology Group”, que levam a cabo pesquisas relacionadas a “anomalias da ciência”, salientam que os dinossauros não morreram há milhões de anos atrás e que existem evidências suficientes em favor da tese de que eles se encontravam vivos até há cerca de 23,000 anos atrás.

Até recentemente, a datação com o Carbono-14 nunca era usada para testar ossos de dinossauros visto que as análises só são fiáveis até aos 55,000 anos. Os cientistas nunca consideraram proveitoso fazer testes nesses ossos porque era crença geral que os dinossauros haviam-se extinguido há 65 milhões de anos, datação obtida a partir de datação radiométrica às camadas vulcânicas no topo ou por baixo dos fósseis – método que o “Paleochronology Group” declara ter “problemas sérios e onde pressuposições consideráveis têm que ser feitas.”

Miller disse o seguinte ao Ancient Origins:

Tornou-se claro com o passar dos anos que não só os paleontólogos estavam a negligenciar o teste aos ossos de dinossauro em busca de conteúdo C-14, como se recusavam de todo a fazê-lo. Normalmente, um bom cientista ficará curioso em torno das idades dos ossos fósseis importantes.

Os resultados em torno da análise ao Chifre do Tricerotops não são únicos; segundo Miller, foram feitos numerosos testes com o C-14 aos ossos de dinossauros, e, surpreendentemente, todos eles deram idades na ordem dos milhares de anos e não na ordem dos milhões de anos:

Eu [Miller] organizei o “Paleochronology Group” em 2003 como forma de preencher um vazio relativa à madeira fóssil e também aos ossos de dinossauros visto que eu estava curioso em relação à sua idade através da datação C-14. Nós temos, consequentemente, usado a datação C-14 para resolver o mistério do porquê tecido macio e imagens de dinossauros existirem por todo o mundo. O nosso modelo previa que os ossos de dinossauro iriam ter quantidades significantes de C-14 e de facto, e no intervalo temporal que vai dos 22,000 aos 39,000 anos BP, eles têm.

Há já muito tempo que numerosos pesquisadores independentes têm alegado a existência de evidências em favor da tese de que homens e dinossauros caminharam juntos sobre a Terra, tais como centenas de obras de arte antigas e artefactos que aparentam descrever dinossauros muito antes da ciência moderna ter unido os fósseis de dinossauros e ter levado a cabo análises de modo a produzir reconstruções detalhadas da sua aparência. No entanto, ainda mais intrigante é a descoberta de tecido macio nos fósseis de dinossauro.

Mary_SchweitzerNa edição de Março de 2005 da Science, a paleontóloga Mary Schweitzer e a sua equipa anunciaram a descoberta de tecido macio dentro do osso duma perna de Tyrannosaurus rex (encontrado na “Hell Creek Formation” no Montana) datado com 68 milhões de anos – uma descoberta controversa se levarmos em conta que os cientistas eram de opinião de que as proteínas do tecido macio se degeneravam em menos de 1 milhão de anos na melhor das condições. Depois de ter sido recuperado, o tecido foi rehidratado e os testes revelaram sinais de estruturas intactas tais como vasos sanguíneos, matrizes ósseas, e tecido conjuntivo.

Mais recentemente, Mark Armitage e Kevin Anderson publicaram na Acta Histochemica (revista por pares) os resultados de análises microscópicas de tecido macio dum chifre de triceratops. Armitage, um criacionista, alegou que tal preservação de células é uma impossibilidade científica se realmente os dinossauros tiverem caminhado na Terra há mais de 66 milhões de anos atrás. Com base nisto, ele deu início a uma discussão com os seus colegas e estudantes em torno da implicação de tal descoberta estar de acordo com  perspectiva criacionista, e que os dinossauros existiram muito mais tarde do que a altura temporal que a corrente científica oficial defende, um acto que lhe valeu ser imediatamente despedido da Universidade da Califórnia.

Embora o “Paleochronology Group” afirme não ser “de nenhuma crença ou denominação particular”, sem dúvida que existem aqueles com crenças criacionistas dentro do grupo, um facto que os críticos apontam como algo que pode perturbar os seus resultados. No entanto, o grupo apelou a qualquer cientista que repelique os seus resultados levando a cabo rigorosos testes de C–14 às amostras de dinossauro.

Todas as amostras testadas renderam porções significativas de Carbono-14 através de extensivos cruzamentos de verificação às idades do colagéno ósseo, produtos orgânicos e carbonatos provenientes do bioapatite ósseo das unidades de AMS e obtidas em concordância. Logo, as probabilidades sobrepujantes são da maioria, se não todos, os ossos de dinossauro não-petrificados ou até aqueles que supostamente estão petrificados presentes nos museus e nas universidades virem a demonstrar resultados semelhantes. Portanto, apelamos a todas as pessoas responsáveis por essas colecções para ver se elas podem replicar os nossos resultados. As implicações são imensas.

Até agora, o desafio tem sido rejeitado pelos outros cientistas, e tentativas anteriores de publicar os resultados de C-14 foram repetidamente bloqueadas. Dados crus, vazios de interpretação, foram bloqueados de apresentação nos procedimentos confenciais por parte da “2009 North American Paleontological Convention”, a “American Geophysical Union” em 2011 e em 2012, a “Geological Society of America” em 2011 e 2012, e por parte de vários editores de revistas científicas.

O “Center for Applied Isotope Studies” na Universidade da Geórgia, que levou a cabo o teste “cego” ao C-14 dos ossos de dinossauro sem saber que eram ossos de dinossauro, recusou-se a levar a cabo mais testes ao C-14 depois de saber que estavam a testar ossos de dinossauro. O paleontólogo Jack Horner, curador no “Museum of the Rockies” da “Montana State University”, que escavou os restos de Tyrannosaurus rex que continham  o tecido macio, chegou até a recusar-se a receber um financiamento de $23,000 para continuar a fazer testes ao C-14 dos restos. Miller diz:

O público precisa de ficar a saber que a descoberta de tecido macio, do C-14 nos ossos de dinossauros, e das representações de dinossauros espalhadas por todo o mundo tornam as crenças [evolutivas] actuais em relação à sua idade obsoletas. A ciência centra-se na partilha das evidências e no deixar que as apostas caiam onde quer que caiam.

Embora haja a possibilidade dos resultados relativos ao C-14 serem consequência de contaminação ou erro (embora os resultados tenham sido replicados e tenham sido levados a cabo pré-tratamentos rigorosos por parte Universidade da Geórgia como forma de controlar isto), ou de algum outro factor ainda desconhecido pela ciência, parece razoável esperar que os cientistas tentem replicar resultados tão inovadores.

–  http://goo.gl/SKwm4C

* * * * * * *
Eis o resumo:

  • Uma equipa de cientistas leva a cabo testes rigorosos a ossos de dinossauro e descobre que as idades evolutivas não estão de acordo com os resultados científicos.
  • Estes cientistas colocam-se à disposição de serem refutados pelos outros cientistas desde que estes últimos levem a cabo o mesmo tipo de testes aos mesmos ossos.
  • Estes últimos cientistas não só se recusam a testar esses ossos, como censuram e bloqueiam quem quer que queira apresentar esses dados, livres de qualquer idade pré-estabelecida.

O que é que se pode concluir disto? Das duas uma: 1) os cientistas censuradores estão tão certos do que acreditam que nem se dignam a colocá-lo à prova, ou 2) os cientistas que defendem que os dinossauros morrem há 65 milhões de anos não querem ver esssa crença colocada em causa de maneira alguma, e sabem que os dados não estão de acordo com esta tese.

Isto só vem confirmar o que já tínhamos falado: a teoria da evolução é uma religião secular que se tenta validar através duma interpretação especial da ciência. Se a teoria da evolução fosse uma ciência no verdadeiro sentido do termo, os evolucionistas abertamente fariam testes científicos que podem ou não dar uma idade diferente daquela que a sua linha temporal evolutiva precisa. Mas a ciência é mesmo assim: se uma teoria não está de acordo com os dados, então a teoria tem que ser rejeitada.

O problema (para os evolucionistas) é que eles estão cientes que, se a linha temporal evolutiva (que defende os mitológicos “milhões de anos”) está errada, então todo o edifício evolucionista cai por terra, e as alegações criacionistas ganham um novo e decisivo alento. Como forma de impedir que isso aconteça, os evolucionistas levam a cabo uma vasta gama de esforços que visam proteger os mitológicos “milhões de anos” – esforços esses que incluem a censura e o rejeitar fazer testes científicos a ossos d e dinossauro

Para nós Cristãos, o facto dos cientistas seculares estarem a avançar com a sugestão de dinossauros terem vivido lado a lado com os seres humanos não é nada de surpreendente; como nós sempre dissemos aqui e em muitos outros blogues criacionistas, a ciência, quando propriamente interpretada, está sempre de acordo com a interpretação contextual e literal de Génesis 1.

Outro grupo de pessoas que também vê as suas crenças fragilizadas são os ignorantemente auto-denominados “Cristãos evolucionistas” (se alguma vez vimos uma expressão auto-contraditória, esse é uma) ou os Cristãos que acreditam nos mitológicos “milhões de anos”; se os próprios cientistas não-criacionistas já começam a ver que dinossauros e humanos muito provavelmente vieram lado a lado – algo que refuta os milhões de anos e a teoria da evolução – o que dizer do que os “Cristãos evolucionistas” e os Cristãos defensores dos milhões de anos disseram estes anos todos?

Será que os “Cristãos evolucionistas” e os “Cristãos” que defendem os “milhões de anos” estão dispostos a olhar para Génesis com um novo olhar, e aceitar que Deus é Deus, e que Ele tem o Poder para comunicar a Sua Mensagem de modo claro?

O que realmente interessa é que a linha temporal evolutiva não está de acordo com as evidências, e a teoria da evolução é uma farsa. Aguardamos ansiosamente pelo dia em que os evolucionistas comecem a avançar com a ideia de que a teoria da evolução nunca afirmou que os seres humanos e dinossauros nunca viveram lado a lado – e eles irão fazer isso. Quando isso acontecer, (e irá acontecer), podemos ter a certeza que essa teoria está a dar os seus últimos passos.

Conclusão:

Mais uma vez, fica patente que ciência e a Bíblia estão de acordo; nem poderia ser de outra forma porque o Autor do Universo é o Autor da Bíblia, e Ele não mente.

Tua_Palavra_Verdade_Joao_17_17_2

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Testes genéticos colocam em causa teoria da evolução

Por Richard William Nelson

TentilhaoOs tentilhões das Ilhas Galápagos são um símbolo icónico da teoria da evolução de Charles Darwin. No entanto, as evidências científicas reais validando a teoria de Darwin de que “uma [destas espécies] havia sido tomada e modificada para fins distintos” há muito que tem sido colocada em causa.

Naquela que é uma das investigações genéticas mais compreensivas até ao dias de hoje, uma equipa de cientistas liderada por Sangeet Lamichhaney da Universidade Uppsala na Suécia, acaba de publicar o seu artigo com o título “Evolution of Darwin’s finches and their beaks revealed by genome sequencing” na prestigiosa revista científica com o nome de Nature. No entanto, e mais uma vez, as evidências genéticas falham ao não demonstrarem como é que “uma espécie havia sido tomada e modificada.”

Evidências Genéticas

Ao focarem a sua atenção no gene associado ao controle do desenvolvimento da forma do bico da áve, o gene ALX1, a equipa descobriu “discrepâncias enormes com a taxonomia baseada no fenótipo”. Isto não são propriamente boas notícias para a indústria da evolução visto que as diferenças genéticas entre os tentilhões falham ao não se alinharem com o fenótipo – termo referente às características físicas e morfológicas.

As evidências genéticas da pesquisa foram extraídas de amostras de sangue de 120 tentilhões capturados em redes mistas (e posteriormente libertados) posicionadas nas Ilhas Galápagos e nas Ilhas Cocos, e dois grupos próximos de tanagers [espécie de pássaro] das Ilhas Bardados.

O gene ALX1 não só falhou ao não se corresponder de forma consistente com o tamanho e a forma dos bicos, como – e mais importante ainda – serviu para que a equipa apurasse não haver qualquer relacionamento transicional entre os tentilhões, vazios de algum tipo de evidências que sirvam de identificação do ancestral comum – a raiz da árvore de Darwin.

Em vez de se encontrarem evidências das “mudanças [genéticas] pequenas e sucessivas” entre os tentilhões, a equipa descobriu uma partilha de genes – e não mudanças genéticas evolutivas e sequenciais. “Era evidente uma partilha extensiva de variações genéticas entre as populações, particularmente entre os tentilhões terrestres e os arbóreos, com quase nenhuma diferença fixa entre as espécies de cada grupo”.

O Colapso da Árvore de Darwin

A equipa foi incapaz de reconstruir uma árvore baseada nos genes (e com formas transicionais desde a raiz até aos ramos superiores) para nenhuma das populações de tentilhões. Nem foram identificadas as formas transicionais dos nós ramificados da árvore.

Adicionado ainda mais um dilema à teoria da evolução, a equipa “encontrou uma quantidade considerável de diversidade genética dentro de cada população”, salientando que “a ordem de ramificação exacta entre …. os tentilhões terrestres e os arbóreos tem que ser interpretada cuidadosamente.” Isto não é propriamente a volta de vitória que a indústria da evolução desejaria.

A imagem genética que emerge entre as populações de tentilhões das Galápagos e das Ilhas Cocos é tão complicada como uma novela de Tolstoy. Geoffry Mohan, escrevendo para o Los Angeles Times, chegou até a notar que “as espécies que eram geneticamente semelhantes numa ilha não eram intimamente relacionadas noutras ilhas…… [que] pode ser interpretado como evidência duma hibridização.” As evidências genéticas em favor duma distinção clara entre as populações não existiam.

Um vez que uma bem sucedida e contínua hibridização na natureza só ocorre dentro da mesma espécie, as evidências apontam para uma única espécie de tentilhões – algo que não está de acordo com a teoria de Darwin de que “uma espécie … [foi] tomada e modificada.”

Lamichhaney não está sozinho; Stephen O’Brien, co-fundador do Genome 10K Project,  havia antecipado previamente, em 2012, que “o empoderamento das sequências genéticas dos tentilhões de Darwin iria iniciar a resolução dos enigmas evolutivos que há um século têm deixado os biólogos perplexos.” Embora o Genome 10K Project tenha anunciado que “os cientistas sequenciaram o genoma de um dos tentilhões icónicos das Galápagos descritos por Darwin,” o Genome 10K-Project ainda não publicou qualquer tipo de evidência que resolva os “enigmas evolutivos” da teórica árvore de Darwin.

Akie Sato, do Max-Planck-Institut für Biologie, Alemanha, e num artigo com o nome de “Phylogeny of Darwin’s finches as revealed by mtDNA sequences” também falhou em distinguir as populações de tentilhões em espécies sequências distintas: “A classificação tradicional das espécies de tentilhões terrestres em seis espécies, e os tentilhões arbóreos em cinco espécies, não se reflecte nos dados moleculares.”

Peter e Rosemary Grant, a infame equipa marido-e-mulher que dedicou a sua carreira profissional ao estudo dos tentilhões de Darwin, confirmaram as observações de Sato. Num artigo com o nome de “Comparative landscape genetics and the adaptive radiation of Darwin’s finches”, publicado em na edição de Setembro de 2005 da revista  “Molecular Ecology”, eles pura e simplesmente declararam que as evidências apontam para uma “dissociação da evolução morfológica e molecular” – evidências científicas devastadoras  para a ingénua teoria de Darwin.

Revolução Genética Derruba Teoria da Evolução

“A revolução genómica [tem]….efectivamente derrubado a metáfora central da biologia evolutiva, a Árvore da Vida,” – assim alega Eugene V. Koonin do “National Center for Biotechnology Information” no seu livro The Logic of Chance. O esquema da árvore de Darwin foi, agora, substituído pelo esquema da radiação.

Este esquema revisto foi publicado na Nature por parte de Nipam H. Patel e com o título de “Evolutionary biology: How to build a longer beak.” No entanto, esta revisão tem os mesmos problemas que a árvore de Darwin: ausência de ancestrais e de formas transicionais.

John Archibald, da Universidade Dalhousie, alega no seu livro “One Plus One Equals One” (2014) encontrar pontos comuns com Koonin e salienta: “a árvore da vida tem passado por muitas dificuldades….. [com] a imagem geral que emerge sendo uma de mosaicismo” – e não uma de mudanças evolutivas onde “uma espécie…é tomada e modificada” para outra espécie.”

TentilhaoSurpreendentemente, David Baum e Stacey Smith no seu livro “Tree Thinking, an Introduction to Phylogenetic Biology” (2013) avançam ainda mais com as alegações, afirmando que “O nosso conhecimento do processo molecular não é suficientemente bom para descartar uma origem independente.”

Genómica confirma Génesis

Os tentilhões de Darwin falham os testes genéticos. Embora a revolução genómica continue a fragilizar o conceito da evolução biológica, um padrão mosaico da natureza começa a surgir, revelando evidências científicas que são compatíveis com a descrição da criação presente no Livro de Génesis, para além de revelarem os tentilhões de Darwin como a versão do século 21 do Homem de Piltdown.

A teoria da evolução já foi uma teoria em crise, mas hoje em dia é uma crise sem teoria. A evolução biológica existe apenas como uma facto filosófico, e não como uma facto científico.

http://bit.ly/1A6OSRA

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6 evidências de que o Cristianismo apoiou o desenvolvimento da ciência

Por Saints and Sceptics

1) Os pioneiros do método científico tinham que esperar algum tempo antes de poderem demonstrar os benefícios prácticos dos seus estudos.

Biblia_CienciaAté então, eles prosseguiam com o conhecimento do mundo natural apenas e só porque tal conhecimento era considerado bom nele mesmo. Esta busca particular pelo conhecimento faz sentido se estamos a “pensar segundo os Pensamentos de Deus” ao estudarmos a Sua criação. Os intelectuais estariam menos inclinados a estudar um mundo produzido pelo movimento aleatório dos átomos sem-sentido no vazio infinito.

……actualmente,  quase todos os historiadores concordam que o Cristianismo (tanto o Catolicismo como o Protestantismo) levou os intelectuais dum passado recente a estudar a natureza de modo sistemático. Noah J Effron in “Galileo Goes to Jail”

2) Noções emprestadas da crença Cristã foram inseridas no discurso científico.

Os Cristãos acreditavam que Deus era ao mesmo tempo Racional e Soberano, algo totalmente diferente a visão do mundo dos antigos que mantinha que o mundo havia surgido do caos e era controlado pela Sorte. Um Deus Pessoal e Racional iria criar um universo ordenado e regular. Isto levou à crença de que a natureza encontrava-se controlada por leis.

A natureza deste ou daquele corpo nada mais é que a lei que Deus lhe prescreveu; falar de forma certa sobre uma lei, é a regra nocional de agir segundo a vontade declarada Dum Superior. – Robert Boyle, Notion of Nature

3) Para se ter conhecimento do mundo natural, as leis da natureza não podem ser demasiado complexas e nem demasiado profundas para o nosso entendimento.

Os Cristãos acreditavam que havíamos sido criados à Imagem de Deus, e que nós éramos capazes de conhecer a adorar a Deus. Isto logicamente significa que havíamos sido criados com a capacidade de entender a criação de Deus. Esta crença deu aos intelectuais a confiança de que eles realmente poderiam apreender e entender o mundo natural.

Essas leis encontram-se ao alcance da mente humana. Deus queria que as reconhecêssemos ao criar-nos segundo a sua Imagem de modo a que pudéssemos partilhar os Seus Pensamentos.  – Kepler, Letter to Johannes George Hewart von Hohenburg

4) Ao contrário dos antigos Gregos, que acreditavam que o mundo físico era inferior ao mundo intelectual  espiritual, as Escrituras Judaico-Cristãs ensinavam que a dimensão criada era boa. Não era vergonhoso ficar com as mãos sujas devido ao trabalho físico; o mundo físico era também digno de admiração.

O entusiasmo pelo novo empirismo é igualmente ilustrado por John Wilkins, Bispo Anglicano com simpatias Puritanas e membro fundador da Royal Society …’Nós  não deveríamos ser “tão supersticiosamente devotados à Antiguidade”, escreveu Wilkins nas palavras cuidadosamente escolhidas do século 17, “como se fossemos aceitar como Canónico tudo o que cai da caneta dum Padre, …Temos que trabalhar de modo a descobrir o que as coisas são nelas mesmas através da nossa experiência… e não o que outra pessoa diz delas.”

Isto é, hoje, óbvio para nós, mas foi revolucionário na altura; este é um excelente exemplo da disponibilização dum estímulo teológico como forma de apoiar a emergência do método empírico. Denis Alexander

5) Deus é Livre e Soberano.

Alguns Gregos Antigos, tais como Aristóteles, ensinavam que poderíamos descobrir os princípios que governavam o mundo simplesmente através da reflexão racional. No entanto, os Cristãos acreditavam que Deus era Livre e Ele não estava Obrigado a criar o mundo segundo os princípios que os filósofos pensavam serem os melhores. A única forma de descobrir o plano de Deus na criação era saindo e investigando. Isto significava um aumento do foco na observação e nas experiências.

Não pode existir uma ciência viva a menos que exista uma amplamente difundida convicção instintiva na existência da Ordem das Coisas. E, de modo particular, no Ordenador da Natureza. – A.N. Whitehead, Science and the Modern World.

6) Dentro do pensamento Cristão, os seres humanos são criaturas caídas que já não têm a graça de entender a Mente de Deus só através da razão.

Os Cristãos tinham alguma razão em colocar em dúvida a eficácia da razão. Devido a isso, eles queriam verificar as nossas ideias relativas ao mundo natural através da observação, medição, e experimentação.

….. todos os homens, devido, ao mesmo tempo, à corrupção derivada inata e nascida com ele, e também devido à sua educação e convivência com outros homens, está muito sujeito à falhas causadoras de topo o tipo de erros….. Sendo estes os perigos da Razão humana, os remédios para todos eles só podem proceder da Filosofia real mecânica e experimental –  Robert Hooke, Micrographia

http://goo.gl/zlziwc

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O Cristianismo causou a “Idade das Trevas”?

Por Humphrey Clarke

O termo “Idade das Trevas” não foi bem definido pelo inquiridor mas o mesmo normalmente refere-se à deterioração cultural e económica que ocorreu na Europa Ocidental depois da queda do Império Romano. Normalmente existem dois aspectos do que pode ser chamada de “a tese da culpa Cristã”: primeiro, que o Cristianismo foi um factor contributivo significante para o declínio e para a queda do Império Romano, e segundo, que a nova religião era hostil ao conhecimento clássico e que, à medida que o Império Romano entrava em colapso, esta nova religião não se esforçou o suficiente para preservar o conhecimento clássico.

A primeira teoria tem um pedigree ilustre visto que foi promovida por Edward Gibbon no capítulo 39 do seu Magnus Opus com o nome de ‘O Declínio e a Queda do Império Romano’. Gibbon especulou que a “introdução, ou pelo menos o abuso do Cristianismo, teve alguma influência no declínio e na queda do Império Romano.” Segundo o seu ponto de vista, o Cristianismo quebrou a unidade ideológica do Império e perturbou a habilidade do estado de ganhar apoio junto das massas. Os recursos financeiros e humanos foram desviados de objectivos materiais vitais e o descontentamento foi-se alastrando – o que colocou em causa a legitimidade imperial.

Como uma teoria geral ampla, o ponto de vista de Gibbons tem muito pouco em seu favor. Antes de mais, qualquer explicação que seja proferida para a queda do Império Romano tem que contender com o facto de que a metade oriental do Império Romano manteve-se relativamente forte e estável enquanto a metade ocidental entrou em colapso. A ala Oriental era ainda mais Cristã que a Ocidental no entanto, não só não entrou em colapso, como se manteve como o Império Bizantino até ao século 15.

Será que a teoria de Gibbons funciona a um nível mais baixo como forma de demonstrar que o Cristianismo foi um factor contributivo?

Também aqui a sua teoria sofre de falta de evidências. Embora o Cristianismo tenha dado início a algo análogo a uma revolução cultural depois da conversão de Constantino, é difícil olhar para isto como um evento que teve um sério efeito deletério no império. É certo que as instituições religiosas Cristãs de facto exigiam enormes recursos financeiros, no entanto estas instituições estavam a substituir as instituições pagãs que recebiam enormes doações (que foram sendo progressivamente confiscadas). Logo, a ascensão das organizações Cristãs parece ter envolvido de forma geral uma transferência de bens de religião para religião, e não um desvio de verbas dos cofres seculares.

Semelhantemente, mão-de-obra perdida para o claustro parece ter sido mínima – talvez na ordem de alguns milhares de indivíduos – algo que dificilmente constitui uma quebra maciça na mão-de-obra do império. Uma porção da aristocracia abdicou da sua riqueza e do seu poder em favor duma vida de devoção Cristã – um número insignificante quando comparado com o número de pessoas que escolheu servir a burocracia imperial.

Será que o Cristianismo fragilizou a unidade ideológica do Império?

Não; na verdade, a religião e o império agiram para favorecer a unidade, com o Deus Cristão colocado como Aquele que atribuía ao Imperialismo Romano uma missão de conquistar, converter e civilizar o mundo. Os imperadores eram visto como escolhidos a dedo por Deus, e, desde logo, impregnados com um estatuto sagrado. A rejeição do Império era uma posição marginal junto dos pensadores Cristãos.

Será que as discussões doutrinárias entre os Cristãos enfraqueceram o Império?

Mais uma vez, há poucas evidências em favor desta posição. Certamente que as histórias da época eram dominadas por disputas teológicas, dando desde logo uma impressão dum frenesim e dum desacordo religioso. Isto prende-se com o facto das fontes deste período serem em larga medida histórias da Igreja. Isto seria como depender das memórias de Fred Phleps para se obter uma história fiel dos Estados Unidos durante o século 20. Na realidade, os historiadores mais seculares tais como Ammianus Marcellinus quase que nem menciona as disputas doutrinárias. Ocorreram ocasionalmente tumultos de grandes proporções mas estes estavam essencialmente confinados entre os bispos.

Resumindo, a Cristianização parece ter sido efectivamente subsumida dentro das estruturas do Império, e muitos historiadores alegam que ela agiu como um efeito estabilizador. Portanto, a teoria de Gibbons foi totalmente invertida.

O que dizer da segunda teoria? Será que a ascensão do Cristianismo causou um mal-estar na cultura intelectual, causando uma idade das trevas científica?

Sem sombra de dúvidas que houve um declínio no conhecimento científico no Império Romano Ocidental à medida que ele entrava em colapso, mas as raízes disto são profundas e podem ser rastreadas até ao Romanos pagãos. Depois de 200 A.C. passou a existir um contacto cultural frutífero entre os Gregos e as bilingues classes altas Romanas. Isto introduziu no Império Romano uma versão da tradição clássica mas só uma escassamente popularizada versão é que foi traduzida para o Latim.

O bilinguismo e as condições para estudos entraram rapidamente em declínio depois de 180 AD à medida que o império entrou na crise do 3º século. O caos deste século causou uma perturbação junto das infraestruturas educacionais e a divisão do império em dois causou a que o conhecimento do Grego entrasse em declínio no ocidente. Os cidadãos Romanos que se estavam a tornar gradualmente Cristãos encontravam-se portanto, limitados a pedaços da tradição clássica que havia sido explicada e sumariada pelos autores Latinos.

Depois disto, a cultura intelectual entrou em declínio dramático no ocidente devido ao colapso do controle centralizado neste mesmo ocidente, consequência dos ataques dos bárbaros, do declínio na alfabetização e da perda do Grego, da redução do comércio, da queda acentuada na densidade populacional, e devido à dimensão da destruição. Entre o século 4º ao século 11º, o Império Ocidental foi varrido por bárbaros Germânicos e Nórdicos, o que causou a destruição de toda a infraestrutura Imperial.

Enquanto isso, a mais rica e completa versão da tradição clássica caiu nas mãos dos muçulmanos à medida que eles se expandiam rapidamente pela Ásia e pelo Mediterrâneo. Depois disto, esta tradição foi traduzida para o arábico, desenvolvida ainda mais, e transladada do Norte de África para a Espanha. Mal a Europa Ocidental se recuperou de modo suficiente, os seus intelectuais viajaram para Espanha para traduzir o material e trazê-los para a cultura medieval.

Será que havia uma corrente anti-intelectual na cultura Cristã primitiva que causou a que ela fosse um ninho de sentimentos anti-científicos?

Aqui, o exemplo mais citado é Tertuliano, que famosamente disse “O que é que Atenas têm haver com Jerusalém?” em oposição acesa à tradição clássica. No entanto, e de modo geral, esta posição contra-cultural era minoritária e ela perdeu a sua posição para aqueles como Justino Mártir, que buscou pontos comuns entre a filosofia clássica e o Cristianismo, e (mais importante ainda) Agostinho de Hipona.

Agostinho, embora tivesse sido ambivalente em relação ao conhecimento Grego, aplicou-o vigorosamente nos seus textos relativos às Escrituras, e surgiu com a ideia da largamente influente “fórmula da serva” onde a filosofia natural poderia ser útil na interpretação da Bíblia. (Obviamente que hoje em dia todos nós acreditamos que – em princípio – a ciência deveria ser estudada para o seu próprio bem, mas esta posição haveria de ter sido estranha no mundo clássico onde ela se encontrava subordinada à ética e ao empreendimento filosófico mais abrangente). A fórmula da serva foi usada durante toda a Idade Média como justificação para a investigação da natureza.

Em última análise, a segunda teoria falha porque o Cristianismo é a mais importante estrutura intelectual dentro da qual sobreviveu a cultura antiga-tardia. Longe de serem broncos intelectuais, parece que os Cristãos estiveram tão interessados na filosofia, na ciência, e na medicina Gregas que eles as preservaram através dum processo laborioso de cópia manual. Isto inclui as obras de Euclides, Ptolomeu, Platão, Aristóteles, Galeno, Simplício e muitos outros, incluindo umas espantosas 1,500 páginas de comentário em Grego de Aristóteles, feitos entre o 2º ao 6º século AD. As obras médicas de Galeno são 1/5 de todo o corpo de conhecimento Grego que sobreviveu ao tempo – cerca de 2 milhões de palavras copiadas à mão e preservadas através dos séculos.

Claro que algumas pessoas podem alegar que os Cristãos deveriam ter preservado mais obras de “cientistas” antigos – por exemplo, as palavras perdidas de Neocles de Kroton (que alegou que os sapos têm dois corações – um venenoso e outro saudável – e que a lua era habitada pelo Leão de Neméia). Para lidar com isto, idealizei um “Campo de Treino da Idade Média” onde os críticos serão forçados a usar um hábito dum monge e copiar para um papiro, e à mão, o livro ‘A short History of nearly everything’ de Bill Bryson, ao mesmo tempo que figurantes vestidos de bárbaros vão destruindo todas as suas coisas.

Conclusão:

As duas teorias que tentam atribuir culpas ao Cristianismo falham por falta de evidências. Elas ainda persistem devido ao seu ilustre pedigree, e devido ao facto das pessoas insistirem que o passado se ajuste ao enquadramento moderno.

http://goo.gl/mXIKc6

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(Tim O’Neill responde à mesma questão:)

Não, o Cristianismo não causou a “Idade das Trevas”.

Actualmente, o período conhecido como a “Idade das Trevas” é normalmente usado em referência à Baixa Idade Média (embora alguns escritores populares erradamente usem o termo “Idade das Trevas” como sinónimo geral para a Idade Média, algo que os historiadores deixaram de fazer há muito tempo). Este é o período que vai desde cerca de 500 AD até a 1000 AD, onde a Europa Ocidental atravessou por um período longo de fragmentação política, invasões externas, conflitos internos, colapso do comércio de curta e longa distância, colapso da economia, colapso das infraestruturas e colapso da educação.

A ideia do Cristianismo a causar ou a contribuir de modo significativo para a queda do Império Ocidental há já muito tempo que foi abandonada pelos historiadores modernos. Claramente, o Cristianismo não foi um factor significante visto que, ao mesmo tempo que o Império Ocidental entrava em colapso, o igualmente (ou mais ainda) Cristão Império do Oriente continuou durante mais 1000 anos sem entrar em colapso e sem qualquer “Idade das Trevas”. (…)

Por mais que esteja de acordo com a agenda de alguns desajeitados zelotas anti-Cristãos alegar que o Cristianismo causou a “Idade das Trevas”, este é um ataque baseado num fraco conhecimento da História. Longe de ter sido a causa, o Cristianismo foi a única instituição que, durante este período, preservou os fundamentos do conhecimento e encapsulou a filosofia e o estudo da lógica e o profundo respeito pelo aprendizado, incluindo o aprendizado com origem pagã, no seu curriculum.

Consequentemente, quando a Europa emergiu  dos séculos medievais iniciais de caos e invasões, foram os homens de igreja que buscaram os livros perdidos de Aristóteles, Platão, Arquimedes e Ptolomeu, e deram início a um renascimento no conhecimento e na investigação que iria levar ao método científico e à ascensão do Ocidente.

Os descrentes mais inteligentes evitam análises históricas erróneas motivadas pela emoção e não pela análise objectiva e racional das evidências.

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A evolução da visão: suposição e não ciência

Por Brian Thomas

Olho BiónicoA visão dos vertebrados está muito bem construída, tendo muitas parte importantes que operam em conjunto de modo a que os fotões individuais sejam capturados e convertidos em dados que o cérebro pode, então, traduzir em imagens visuais coerentes. Levando em conta o génio e o propósito óbvios do design da visão, alegar que processos naturais formaram o olho é algo que só pode ser feito se ignoramos as leis da lógica.

Recentemente, Trevor Lamb (neurocientista Australiano) escreveu um artigo para a Scientific American – com o título de “A Evolução do Olho” – que continha uma história narrada como se ele tivesse de facto testemunhado um globo ocular genuíno a evoluir. Mas em vez de disponibilizar evidências científicas, a sua apresentação dependeu mais de falácias lógicas.

Primeiro, Lamb conferiu uma inteligência divina a uma força inanimada que ele deu o nome de “pressões selectivas”. Ele escreveu:

À medida que o corpo foi aumentando de tamanho, aumentaram também as pressões selectivas que favoreceram a evolução dum outro tipo de olho: a variedade [do olho vertebrado] tipo câmara.

Mas só um agente inteligente  – e não factores ambientais passivos e irracionais – é que poderia moldar a enorme colecção de partes interdependentes que formam os olhos. Lamb escreveu também que a “selecção natural”…. opera com o material que tem à sua disposição” embora só pessoas é que podem “operar”.(1)

O artigo faz da evolução dos olhos algo fácil de imaginar ao excluir os detalhes complicados da anatomia dos olhos. De que forma é que a “selecção” iria gradualmente  posicionar os 12 músculos que habilmente movem o globo ocular dentro da cavidade ocular, incluindo aquele que usa uma polia para girar de modo adequado os olhos? (2) E mesmo que olhos perfeitamente formados e os respectivos músculos de controle tivessem de alguma forma conseguido evoluir, este aparato seria inútil sem as computações involuntárias que fazem com que o olho esquerdo e o direito se movam de forma combinada.

Para além de omitir estas características vitais, Lamb não explica como é que as “pressões selectivas” iriam programar o cérebro de modo a que este convertesse o input da luz crua em imagens mentais discerníveis. Lamb escreve:

Os biólogos fizeram recentemente avanços significativos nas pesquisas em torno da origem do olho ao estudarem a maneira como ele se forma nos embriões em desenvolvimento.

Ele sugere que o desenvolvimento do olho embrionário progride do mais simples para o mais complicado num padrão semelhante ao da evolução do olho. Mas os olhos embrionários têm que começar pequenos e desde logo, relativamente mais simples. Assumindo (sem qualquer evidência objectiva) que o desenvolvimento embrionário é um espelho do passado evolutivo apenas assume uma resposta em relação a uma origem evolutiva.

Dito de outra forma, pode-se usar o desenvolvimento embrionário para concluir que o olho dos vertebrados evoluiu, se assumirmos à partida que “muitos aspectos do desenvolvimento dum individuo espelha os eventos que ocorreram durante a evolução dos seus ancestrais.” (1) Isto usa a evolução para provar a evolução – claramente um círculo ilógico.

Ao contar a sua história evolutiva em torno da origem dos olhos, Lamb usa termos tais como “modifica”, “divergiram”, “proliferaram”, “surgiram”, “favorecendo”, “inserindo-se a eles mesmos”, “emergência“, e “evoluíram” – ignorando o facto de ninguém ter alguma vez visto “pressões selectivas” irracionais e sem-direcção a fazer qualquer uma destas coisas.

Olho BiónicoEstas palavras “mágicas” escondem a falta de explicações cientificas para a origem dos olhos, e “transmitem convicções esperançosas de que, se os evolucionistas apenas acreditarem profundamente, as suas explicações têm que ser verdadeiras, e um dia serão mesmo verdadeiras – embora essas explicações se encontrem em oposição a todas as evidências científicas.” (3)

Palavras mágicas e falácias lógicas são substitutos miseráveis da ciência e da razão, mas aparentemente elas são as melhores ferramentas explicativas para aqueles que estão determinados a encontrar causas totalmente naturalistas para a origem dos olhos.

Tendo como base as evidências, a Fonte mais lógica desde design magistral é o Designer Supremo.

http://t.co/s1HBFRTo60

Referências:
1. Lamb, T. D. 2011. Evolution of the Eye. Scientific American. 305 (1): 64-69.
2. Gurney, P. 2002. Our eye movements and their control: part 1. Journal of Creation (formerly TJ). 16 (3): 111-115.
3. Guliuzza, R. 2010. Unmasking Evolution’s Magic Words. Acts & Facts. 39 (3): 10-11.
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A verdadeira história das Cruzadas

Por Thomas F. Madden

Muitos historiadores têm tentado há já algum tempo esclarecer os factos em torno das Cruzadas visto que as más-concepções que são demasiado comuns. Para eles, este é um momento de ensinar sobre as Cruzadas no preciso momento em que as pessoas estão a prestar atenção.

Com a possível excepção de Umberto Eco, os estudiosos medievais não estão habituados a tanta atenção; nós temos a tendência de ser um grupo tranquilo (excepto durante as bacchanalia anuais que nós damos o nome de “International Congress on Medieval Studies” em Kalamazoo, Michigan, e logo aí), estando absorvidos a ler crónicas empoeiradas e a escrever estudos chatos e meticulosos que poucas pessoas irão ler. Imaginem, portanto, a minha surpresa quando no espaço de alguns dias após o 11 de Setembro, a Idade Média subitamente se tornou relevante.

Como um historiador das Cruzadas, deparei-me com a reclusão tranquila da torre de marfim a ser destruída pelos jornalistas, editores e apresentadores de talk-shows operando contra tempo, ansiosos por publicar uma notícia antes dos outros. O que foram as Cruzadas?, perguntaram eles. Quando foi que aconteceram?  Quão insensível foi o Presidente Bush ao usar o termo “cruzada” nos seus comentários?

Eu fiquei com a impressão que algumas das pessoas que me ligaram já sabiam as respostas para estas perguntas, ou pelo menos, pensavam que sabiam. O que elas realmente queriam era que um perito lhes dissesse o que eles já defendiam e já acreditavam. Por exemplo, fui frequentemente questionado que comentasse o facto do mundo islâmico simplesmente ter um mágoa contra o Ocidente. Não é a violência actual, insistiram eles, algo que tem as suas raízes no ataque brutal e não-provocado das Cruzadas contra o tolerante e sofisticado mundo muçulmano? Dito de outra forma, não será essa violência [islâmica] culpa das Cruzadas?

Isso é o que Osama bin Laden parece pensar. Nas suas várias actuações em vídeo, ele nunca se esquece de descrever a guerra Americana contra o terrorismo como uma nova Cruzada contra o islão. O ex-presidente Bill Clinton também apontou o seu dedo acusador às Cruzadas como causa primordial do actual conflito. No seu discurso na Universidade Georgetown, Clinton recontou (e embelezou) o massacre de Judeus depois dos Cruzados conquistarem Jerusalém em 1099, e informou o seu público que esse episódio é lembrado de forma amarga no Médio Oriente. (Não foi explicado o porquê dos muçulmanos ficarem perturbados com a matança de Judeus.)

Clinton foi atacado de forma agressiva nos editoriais jornalísticos por querer culpar tanto os Estados Unidos que estava disposto a regressar até às Cruzadas. Mas ninguém colocou em causa a premissa principal do ex-presidente.

Bem, quase ninguém.

Muitos antes de Bill Clinton as ter descoberto, há já muito tempo que os historiadores tentavam esclarecer os eventos em torno das Cruzadas. Estes historiadores não são revisionistas, tais como os historiadores Americanos que criaram a exibição em torno do Enola Gay, mas sim estudiosos mainstream a disponibilizar os frutos de várias décadas de trabalho académico cuidadoso e sério. Para eles, este é “momento de aprendizagem”, uma chance de explicar as Cruzadas exactamente no momento em que as pessoas estão atentas. Esta atenção não vai durar muito tempo, e como tal, aqui vai disto.

Os equívocos em relação às Cruzadas são demasiado comuns; elas são geralmente caracterizadas como uma série de guerras santas contra o islão, lideradas por Papas sedentos de conflictos bélicos e combatidas por fanáticos religiosos, para além de supostamente serem o epítome do farisaísmo e da intolerância – uma mancha negra da história da Igreja Católica em particular, e da civilização Ocidental no geral.

Sendo uma raça de proto-imperialistas, os Cruzados deram início à agressão Ocidental a um Médio Oriente pacífico, e deformaram uma erudita cultura muçulmana, o que causou a que esta ficasse em ruínas. Para tomarmos conhecimento de variações deste tema, não é preciso olhar muito longe. Por exemplo, vejam o épico de três volumes de Steven Runciman com o nome de  History of the Crusades, ou vejam o  documentário BBC/A&E  com o título de, The Crusades, apresentado por Terry Jones. Ambos são historicamente terríveis mas maravilhosamente divertidos.

[O que a História diz sobre as Cruzadas]

Então, qual é a verdade em torno das Cruzadas? Os académicos ainda estão a averiguar algumas coisas em relação a isso, mas muito pode já ser dito com elevado grau de certeza. Para começar, as Cruzadas a Oriente foram de todas as formas possíveis guerras defensivas. Elas foram uma resposta directa à agressão muçulmana – uma tentativa de retornar ou criar uma linha defensiva contra as conquistas muçulmanas de terras Cristãs.

Os Cristãos do século 11 não eram fanáticos paranóicos; os muçulmanos queriam mesmo acabar com eles. Embora os muçulmanos possam ser pessoas pacíficas, o islão nasceu no meio da guerra e cresceu da mesma forma. Desde os tempos de Maomé, a forma de expansão do islão sempre foi a espada. O pensamento muçulmano divide o mundo em duas esferas: A Morada do islão [Dar ar-islam] e a Morada da Guerra [Dar al-Harb]. O Cristianismo – e, diga-se de passagem, todas as outras religiões não-islâmicas – não tem essas moradas.

Os Cristãos e os Judeus podem ser tolerados dentro dum estado muçulmano, sob o domínio muçulmano, mas no islão tradicional, os estados Cristãos e Judaicos têm que ser destruídos e as suas terras conquistadas.

Quando Maomé estava a levar a cabo uma guerra contra Meca no século 7, o Cristianismo era a religião dominante em termos de poder e de riqueza. Como a fé do Império Romano, ela espalhava-se por todo o Mediterrâneo, incluindo o Médio Oriente onde havia nascido. Portanto, o mundo Cristão era um alvo importante para os califas iniciais e aos olhos dos líderes muçulmanos, isto ficou assim durante os 1000 anos que se seguiram.

Com um vigor enorme, os guerreiros do islão atacaram o Cristianismo pouco depois da morte de Maomé. Eles foram muito bem sucedidos; a Palestina, a Síria e o Egipto – que foram a dada altura as áreas mais Cristãs do mundo – rapidamente caíram. Por volta do 8º século, os exércitos islâmicos haviam conquistado o Norte de África Cristão e a Espanha.

Por volta do século 11, os Turcos Seljúcidas conquistaram a Ásia Menor (a Grécia actual), que já era Cristã desde os dias de São Paulo. O antigo Império Romano, conhecido pelos historiadores modernos como o Império Bizantino, foi reduzido a pouco mais que a Grécia. Em desespero, o imperador de Constantinopla enviou um pedido de ajuda à Europa ocidental como forma de ajudar os seus irmãos e as suas irmãs do Este.

Foi isto que deu início às Cruzadas; elas não foram idealizadas por um Papa ambicioso ou por cavaleiros [“knights”] vorazes, mas sim programadas como resposta a mais de 400 anos de conquistas onde os muçulmanos já haviam capturado dois-terços do antigo mundo Cristão. A dada altura, a fé e a cultura Cristã teriam que se defender ou ser subsumida pelo islão. As Cruzadas foram guerras defensivas.

Durante o Concílio de Clermont, em 1095, o Papa Urbano apelou aos cavaleiros da Cristandade que empurrassem de volta as conquistas do islão. A resposta foi tremenda: muitos milhares de guerreiros fizeram o juramento da cruz, e prepararam-se para a guerra. Porque é que eles o fizeram? A resposta a essa pergunta tem sido muito equivocada. Com o aproximar do Iluminismo era normalmente afirmado que os Cruzados nada mais eram ignorantes sem-terra que se aproveitaram da oportunidade para pilhar uma terra distante. Os sentimentos de piedade, auto-sacrifício e amor a Deus manifestos pelos Cruzados obviamente que não eram para serem levados a sério visto que estes sentimentos [supostamente] nada mais foram que uma fachada para intenções mais sombrias.

Durante as últimas duas décadas, estudos às cartas-régias com o apoio informático têm demolido essa invenção; os estudiosos descobriram que os cavaleiros cruzados eram, de maneira geral, homens ricos com bastantes terras suas na Europa. Mais mesmo assim, eles voluntariamente abdicaram de tudo para levar a cabo a missão sagrada. Ser um cruzado não era barato; até mesmo os senhores ricos poderiam empobrecer rapidamente (e com eles as suas famílias) ao tomarem parte numa Cruzada.

No entanto, eles avançaram com isso não porque esperavam algum tipo de riqueza material (algo que muitos deles já tinham) mas sim porque esperavam amontoar um tesouro onde onde a traça e a ferrugem não consomem [Mateus 6:19]. Eles estavam bem conscientes da sua natureza pecaminosa e desejosos de tomar parte nas dificuldades da Cruzada como um acto de penitência, de caridade e de amor.

A Europa encontra-se cheia de milhares de cartas-régias medievais atestando para este sentimento – cartas onde estes homens ainda nos falam, se nós prestarmos atenção. Claro que eles não se opunham à captura do saque se isso fosse possível. Mas a realidade dos factos é que as Cruzadas eram um mau sítio para se obter lucro. Algumas poucas pessoas enriqueceram, mas a largam maioria veio sem nada.

Papa_Urbano_IIO Papa Urbano II deu aos Cruzados dois objectivos, e esses objectivos mantiveram-se centrais para as Cruzadas no Oriente durante séculos. O primeiro era o de salvar os Cristãos do Este. Tal como o seu sucessor, Papa Inocêncio III, mais tarde escreveu:

Como é que um homem que ama o seu próximo segundo os preceitos divinos, sabendo que os Cristãos seus irmãos na fé e no nome, são retidos pelos pérfidos muçulmanos em reclusão estrita, e subjugados pelo jugo mais pesado da servidão, não se dedica à missão de os livrar? … É por acaso que vocês não sabem que muitos milhares de Cristãos se encontram escravizados e aprisionados pelos muçulmanos, torturados com tormentos inumeráveis?

“Ir para uma Cruzada,” alegou correctamente o Professor Jonathan Riley-Smith, era entendido como um “gesto de amor” – neste caso, amor pelo próximo. A Cruzada era vista como uma missão de misericórdia como forma de corrigir uma mal terrível. Tal como o Papa Inocêncio III escreveu aos Cavaleiros Templários:

Vocês executam as obras das palavras do Evangelho, “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.”

O segundo objectivo era o da libertação de Jerusalém e de outros locais tornados santos pela Vida de Cristo. A palavra “cruzada” é uma palavra moderna; os Cruzados Medievais olhavam para si como peregrinos, levando a cabo actos de justiça a caminho do Santo Sepulcro. A indulgência da Cruzada que eles recebiam estava canonicamente relacionada com a indulgência da peregrinação. O objectivo era frequentemente descrito em termos feudais. Apelando para a Quinta Cruzada em 1215, Inocêncio III escreveu:

Levemos em consideração, meus queridos filhos, que se algum rei temporário fosse lançado para fora dos seus domínios, e talvez capturado, não iria ele, depois de ver restaurada a sua  liberdade cristalina, e o tempo tivesse chegado para que ele executasse um olhar justo sobre os seus vassalos, classificá-los de desleais e traidores a menos que eles não só tivessem comprometido as suas posses mas também as suas pessoas para o libertar? Semelhantemente, não irá Jesus Cristo, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, cujos servos deles vocês não podem negar ser, que uniu a vossa alma com o vosso o corpo, que vos remiu com o Seu Precioso Sangue …. vos condenar pelo vício da ingratidão e pelos crime de infidelidade, se por acaso vocês negligenciarem prestar-Lhe ajuda?

A reconquista de Jerusalém, portanto, não era colonialismo mas sim um acto de restauração e de declaração aberta de amor por Deus. Os homens medievais sabiam, obviamente, que Deus tinha o Poder para restaurar Ele mesmo Jerusalém – de facto, Ele tinha o poder para restaurar todo o mundo para o Seu governo. Mas tal como São Bernardo de Clairvaux pregou, a Sua recusa em fazer as coisas assim eram uma bênção para o Seu povo:

Volto a dizer, consideremos a bondade do Todo Poderoso e levemos em conta os Seus planos de misericórdia. Eles coloca-Se sob a vossa obrigação, ou melhor, finge que faz isso, de modo a que Ele vos possa ajudar a satisfazer as vossas obrigações para com Ele… Eu qualifico de abençoada a geração que pode agarrar uma oportunidade de tão rica indulgência como esta.

É frequentemente assumido que o propósito central das Cruzadas era o de converter à força o mundo islâmico; nada poderia estar mais longe da verdade. Do ponto de vista dos Cristãos Medievais, os muçulmanos eram os inimigos de Cristo e da Sua Igreja. Era a função dos Cruzados derrotá-los e levar a cabo actos defensivos contra eles. Nada mais. Os muçulmanos que viviam em terras conquistadas pelos Cruzadas eram geralmente permitidos que retivessem as suas posses, o seu modo de vida, e sempre a sua religião.

De facto, durante a história do Reino Cruzado de Jerusalém, o número de habitantes muçulmanos era superior ao número de Católicos. Foi só a partir do século 13 que os Franciscanos deram início aos esforços de conversão entre os muçulmanos, mas estes foram na sua maioria infrutíferos e, por fim, abandonados. De qualquer das formas, tais esforços consistiam na persuasão pacífica e não em esforços com base na ameaça de violência.

As Cruzadas foram guerras, e como tal, seria um erro caracterizá-las como apenas piedade e boas intenções. Tal como em todas as guerras, a violência foi brutal (embora não tão brutal como as guerras modernas). Houve percalços, asneiras, e crimes. Estes são normalmente muito bem lembrados nos dias actuais.

Durante os dias iniciais da Primeira Cruzada, em 1095, um indesejável grupo que se encontrava entre os Cruzados, liderado pelo Conde Emicho de Leiningen, atravessou o Reno, roubando e assassinando todos os Judeus que conseguiram encontrar. Sem sucesso, os bispos locais tentaram colocar um ponto final na carnificina.

Aos olhos desses guerreiros, os Judeus, tal como os muçulmanos, eram inimigos de Cristo, e como tal, matá-los e ficar com as suas posses não era visto com maus olhos. De facto, eles viam isso como um acto justo uma vez que o dinheiro dos Judeus poderia ser usado para financiar a Cruzada para Jerusalém.

Mas eles estavam errados e a Igreja condenou de modo firme os ataques dirigidos aos Judeus. Cinquenta anos mais tarde, quando a Segunda Cruzada estava a ser preparada, São Bernardo pregava frequentemente que os Judeus não deveriam ser perseguidos:

Perguntem a qualquer pessoa que conheça as Sagradas Escrituras o que ele encontra profetizado sobre os Judeus no Livro dos Salmos: “Não para a sua destruição eu oro”, diz o Salmo. Os Judeus são para nós as palavras vivas das Escrituras ,visto que eles nos lembram sempre o que o Nosso Senhor sofreu…. Sob os príncipes Cristãos, eles suportam um cativeiro severo mas “eles esperam o momento da sua libertação.”

Mesmo assim, um Cisterciense , companheiro e igualmente monge, chamado Radulf agitou as pessoas contra os Judeus do Reno, apesar das inúmeras cartas de Bernardo a exigir que ele parasse. Por fim, Bernardo foi forçado a ir ele mesmo para a Alemanha, onde se encontrou com Radulf, enviou-o de volta para o seu convento, e colocou um ponto final das massacres.

É normalmente dito que as raízes do Holocausto podem ser vistas nestes pogroms medievais. Até pode ser que sim. Mas se isto é assim, essas raízes são muito mais profundas e muito mais difundidas que as Cruzadas. Os Judeus foram mortos durante as Cruzadas, mas o propósito das Cruzadas não era matar Judeus. Pelo contrário, Papas, bispos e pregadores deixaram bem claro que os Judeus da Europa não deveriam ser perturbados. Numa guerra actual, chamamos a estas mortes de “danos colaterais”. Mesmo com as tecnologias modernas, os Estados Unidos mataram mais inocentes com as nossas guerras do que as Cruzadas alguma vez poderiam. Mas ninguém iria alegar que o propósito das guerras Americanas é matar mulheres e crianças.

Independentemente da forma que se olhe para ela, a Primeira Cruzada foi um tiro no escuro; não havia líder, não havia linha de comando, não havia linhas de abastecimento e nem uma estratégia detalhada. Ela apenas era um conjunto de milhares de guerreiros a marchar bem para dentro do território do inimigo, unidos por uma causa comum. Muitos deles morreram, quer tenha sido através da doença ou da fome.

A Primeira Cruzada foi uma campanha dura, uma que parecia sempre estar à beira do desastre, no entanto ela foi milagrosamente bem sucedida. Por volta de 1098 os Cruzadas haviam restaurado a Niceia e a Antioquia ao domínio Cristão. A alegria da Europa encontrava-se desenfreada; parecia que o rumo da História, que havia elevado os muçulmanos para tal posição exaltada, estava agora a virar.

Mas não estava.

Quando pensamos na Idade Média, é fácil olhar para a Europa para aquilo que ela se tornou e não naquilo que ela era. O colosso do mundo medieval era o islão e não a Cristandade. As Cruzadas são interessantes principalmente porque elas foram uma tentativa de contrariar essa tendência, mas em cinco séculos de cruzadas, só a Primeira Cruzada conseguiu retornar de forma significativa o progresso militar islâmico. A partir daí, foi sempre a cair [para a Europa].

Quando o Condado Cruzado de Edessa caíu para as mãos dos Turcos e Curdos em 1144, houve, na Europa, uma vaga de fundo enorme em apoio para uma nova Cruzada. Esta foi liderada por Luis VII de França e Conrado III da Alemanha, e pregada pelo próprio Bernardo. Ela foi um fracasso total. A maior parte dos Cruzados foi morta durante o percurso e aqueles que sobreviveram até Jerusalém, pioraram as coisas atacando Damasco muçulmana, que havia sido previamente uma forte aliada dos Cristãos.

No seguimento deste desastre, os Cristãos Europeus foram forçados a aceitar não só o crescimento contínuo do poder muçulmano, mas a certeza de que Deus estava a castigar o Ocidente pelos seus pecados. Movimentos piedosos leigos emergiram por toda a Europa, enraizados no desejo de purificar a sociedade Cristã de modo a que ela pudesse ser mais bem sucedida no Este.

Devido a isto, levar a cabo uma Cruzada na parte final do século 13 tornou-se portanto um esforço total de guerra. Todas as pessoas, independentemente da pobreza ou fraqueza, foram chamadas a ajudar. Pediu-se aos guerreiros que sacrificassem a sua riqueza e, se fosse preciso, as suas vidas na defesa do Este Cristão. A nível doméstico, os Cristãos foram chamados para apoiar as Cruzadas através da oração, do jejum e das esmolas.

Mas mesmo assim, os muçulmanos cresceram em força. Saladino, o grande unificador, havia forjado o Médio Oriente islâmico numa única entidade, ao mesmo tempo que pregava a jihad contra os Cristãos. Por volta de 1187, na Batalha de Hattin, as suas forças derrotaram as forças combinadas dos Reino Cristão de Jerusalém e capturaram a preciosa relíquia da Santa Cruz. Indefensáveis, as cidades Cristãs começaram a render uma a uma, culminando na rendição de Jerusalém no dia 2 de Outubro. Só uma pequena lista de portos se manteve firme.

A resposta foi a Terceira Cruzada, liderada pelo Imperador Frederico I Barbarossa do Império Alemão, e pelo Rei Ricardo I Coração de Leão. Qualquer que seja a forma que esta Cruzada seja analisada, ela foi um empreendimento enorme, embora não tão grandiosa como os Cristãos haviam desejado. O envelhecido Frederico afogou-se quando atravessava um rio montado no seu cavalo, e consequentemente, o seu exército regressou para casa antes de chegar à Terra Santa.

Filipe e Ricardo vieram de barco, mas as suas lutas incessantes apenas acrescentaram mais problemas à já de si situação divisiva na Palestina. Depois de reconquistar Acre, o rei de França regressou para casa, onde ele ocupou o seu tempo com a repartição das posses Francesas de Ricardo Coração de Leão. A Cruzada, portanto, ficou totalmente sob a responsabilidade de Ricardo.

20 Ricardo_Coracao_LeaoUm guerreiro talentoso, um líder dotado, e um táctico soberbo, Ricardo levou as forças Cristãs a vitória atrás de vitória, eventualmente reconquistando toda a costa. Mas Jerusalém não era na costa, e depois de duas tentativas abortadas de assegurar linhas de abastecimento para a Cidade Santa, Ricardo por fim desistiu. Prometendo um dia regressar, ele fez um pacto de tréguas com Saladino que assegurava paz na região e acesso livre a Jerusalém por parte de peregrinos desarmados. Mas isto foi um remédio difícil de engolir. O desejo de restaurar Jerusalém para o domínio Cristão, e re-obter a Verdadeira Cruz, permaneceu intenso por toda a Europa.

As Cruzadas do 13º Século foram maiores, com melhor financiamento, e com melhor organização, mas também elas falharam.

A Quarta Cruzada (1201-1204) caiu por terra quando se deixou seduzir pela rede da política Bizantina, que os Ocidentais não entendiam na plenitude. Eles fizeram um desvio para Constantinopla como forma de dar o seu apoio a um pretendente imperial que lhes prometeu recompensas e apoio para a Terra Santa. Mas mal ele se encontrou no trono dos Césares, o seu benfeitor descobriu que ele não conseguiria pagar o que havia prometido.

Traídos, portanto, pelos seus amigos Gregos, em 1205 os Cruzados atacaram, capturaram e saquearam de modo brutal a cidade de Constantinopla, a maior cidade Cristã do mundo. O Papa Inocêncio III, que havia previamente excomungado toda a Cruzada, condenou fortemente os Cruzados, mas não havia muito que ele poderia fazer.

Os eventos trágicos de 1204 fecharam uma porta de ferro entre os Católicos Romanos e os Gregos Ortodoxos  – porta essa que nem o actual [ed: na altura em que o artigo foi escrito] Papa João Paulo II tem sido incapaz de reabrir. É uma ironia terrível que as Cruzadas, que eram um resultado directo do desejo Católico de salvar o povo Ortodoxo, tenham afastado ainda mais os dois grupos – e talvez  irrevogavelmente.

As restantes Cruzadas do 13º Século não fizeram muito melhor. A Quinta Cruzada (1217-1221) capturou durante pouco tempo Damietta no Egipto, mas os muçulmanos eventualmente derrotaram o exército e reocuparam a cidade.

São Luis XI de Fança liderou duas Cruzadas durante a sua vida. A primeira também capturou Damietta, mas Luís foi rapidamente superado pelos Egípcios e forçado a abandonar a cidade. Embora Luís tenha estado na Terra Santa durante vários anos, gastando livremente em obras defensivas, ele nunca atingiu o seu desejo mais profundo: libertar Jerusalém. Por volta de 1270 ele era um homem mais velho quando liderou outra Cruzada contra Tunis, onde morreu com uma doença que devastou o seu acampamento militar.

Depois da morte de Luís, os impiedosos líderes maometanos Baibars e Qalawun levaram a cabo uma jihad brutal contra os Cristãos na Palestina. Por volta de 1291, as forças muçulmanas haviam sido bem sucedidas na matança ou na erradicação do último dos Cruzados, e desde logo, apagando o Reino Cruzado do mapa. Apesar de numerosas tentativas e de muitos outros planos, as forças Cristãs nunca mais conseguiram obter um ponto de apoio na região até ao século 19.

Seria de pensar que três séculos de derrotas Cristãs tivessem azedado os Europeus contra a ideia das Cruzadas, mas nada disso aconteceu. De qualquer forma, eles não tinham outra alternativa.

Por volta dos séculos 14, 15 e 16, os reinados muçulmanos estavam a ficar mais – e não menos – poderosos. Os Turcos Otomanos não só conquistaram os seus companheiros muçulmanos, unificando ainda mais o islão, mas continuaram a avançar para o ocidente, capturando Constantinopla e mergulhando profundamente bem dentro da Europa.

Por volta do século 15, as Cruzadas já não eram obras de misericórdia para com pessoas distantes, mas tentativas desesperadas de sobrevivência do último reduto do Cristianismo. Os Europeus começaram a ponderar a possibilidade real do islão poder finalmente atingir os seus objectivos de conquistar todo o mundo Cristão. Um dos maiores best-sellers da altura, The Ship of Fools, por parte de Sebastian Brant, deu voz a este sentimento num capítulo com o título de “Of the Decline of the Faith”:

Our faith was strong in th’ Orient,
It ruled in all of Asia,
In Moorish lands and Africa.
But now for us these lands are gone
‘Twould even grieve the hardest stone….
Four sisters of our Church you find,
They’re of the patriarchic kind:
Constantinople, Alexandria,
Jerusalem, Antiochia.
But they’ve been forfeited and sacked
And soon the head will be attacked.

Suleiman_MagníficoClaro que isto não aconteceu, mas quase aconteceu. Por volta de 1480, o Sultão Mehmed II capturou Otranto como uma praça de armas para a sua invasão da Itália. Roma foi evacuada, mas o sultão morreu pouco depois, e os seus planos morreram com ele. Em 1529, Suleiman o Magnífico sitiou Viena. e se não fossem chuvas anormais que atrasaram o seu progresso e forçaram-no a deixar para trás a maior parte da sua artiilharia, é virtualmente certo que os Turcos teriam tomado a cidade. A Alemanha estaria, então, à sua mercê.

No entanto, ao mesmo tempo que estes encontros próximos estavam a ocorrer, outra coisas estavam a acontecer na Europa – algo sem precedentes na história humana. O Renascimento, nascido dos valores Romanos, piedade medieval, e um respeito único pelo comércio e pelo empreendedorismo, haviam levado a outros movimentos tais como o humanismo, a Revolução Científica e à Idade da Exploração.

Ao mesmo tempo que lutava pela sua vida, a Europa preparava-se para se expandir à escala global. A Reforma Protestante, que havia rejeitado o papado e a doutrina da indulgência, fez das Cruzadas algo impensável aos olhos de muitos Europeus; isto, consequentemente, deixou a luta para os Católicos. Em 1571, a Liga Santa, que era ela mesma uma Cruzada, derrotou a frota Otomana em Lepanto; no entanto, vitórias militares tais como esta eram raras.

A ameaça muçulmana foi economicamente neutralizada. À medida que a Europa cresceu em riqueza e poder, os outrora soberbos e sofisticados Turcos começaram a parecer retrógados e patéticos – não mais dignos duma Cruzada. O “Homem Doente da Europa” coxeou até ao século 20, quando finalmente expirou, deixando para trás a confusão actual que é o Médio Oriente.

Da segura distância de muitos séculos, é muito fácil olhar com repulsa para as Cruzadas. Afinal, a religião não é para se combater guerras. Mas não nos devemos esquecer que os nossos ancestrais medievais ficariam igualmente enojados com as nossas guerras infinitivamente mais destrutivas, combatidas em nome de ideologias políticas. No entanto, tanto o soldado medieval como o soldado actual lutam principalmente em prol do seu próprio mundo e tudo o que o compõe. Ambos estão dispostos a sofrer um sacrifício enorme, desde que seja em nome de algo que eles consideram válido – algo maior que eles mesmos.

Quer nós admiremos as Cruzadas ou não, é um facto que o mundo de hoje não existiria sem os seus esforços. A Fé antiga que é o Cristianismo, com o seu respeito pelas mulheres e antipatia pela escravatura, não só sobreviveu como floresceu. Sem as Cruzadas, era bem possível que ela tivesse seguido os passos do Zoroastrismo  – outra fé rival do islão – à extinção.

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