O Cristianismo causou a “Idade das Trevas”?

Por Humphrey Clarke

O termo “Idade das Trevas” não foi bem definido pelo inquiridor mas o mesmo normalmente refere-se à deterioração cultural e económica que ocorreu na Europa Ocidental depois da queda do Império Romano. Normalmente existem dois aspectos do que pode ser chamada de “a tese da culpa Cristã”: primeiro, que o Cristianismo foi um factor contributivo significante para o declínio e para a queda do Império Romano, e segundo, que a nova religião era hostil ao conhecimento clássico e que, à medida que o Império Romano entrava em colapso, esta nova religião não se esforçou o suficiente para preservar o conhecimento clássico.

A primeira teoria tem um pedigree ilustre visto que foi promovida por Edward Gibbon no capítulo 39 do seu Magnus Opus com o nome de ‘O Declínio e a Queda do Império Romano’. Gibbon especulou que a “introdução, ou pelo menos o abuso do Cristianismo, teve alguma influência no declínio e na queda do Império Romano.” Segundo o seu ponto de vista, o Cristianismo quebrou a unidade ideológica do Império e perturbou a habilidade do estado de ganhar apoio junto das massas. Os recursos financeiros e humanos foram desviados de objectivos materiais vitais e o descontentamento foi-se alastrando – o que colocou em causa a legitimidade imperial.

Como uma teoria geral ampla, o ponto de vista de Gibbons tem muito pouco em seu favor. Antes de mais, qualquer explicação que seja proferida para a queda do Império Romano tem que contender com o facto de que a metade oriental do Império Romano manteve-se relativamente forte e estável enquanto a metade ocidental entrou em colapso. A ala Oriental era ainda mais Cristã que a Ocidental no entanto, não só não entrou em colapso, como se manteve como o Império Bizantino até ao século 15.

Será que a teoria de Gibbons funciona a um nível mais baixo como forma de demonstrar que o Cristianismo foi um factor contributivo?

Também aqui a sua teoria sofre de falta de evidências. Embora o Cristianismo tenha dado início a algo análogo a uma revolução cultural depois da conversão de Constantino, é difícil olhar para isto como um evento que teve um sério efeito deletério no império. É certo que as instituições religiosas Cristãs de facto exigiam enormes recursos financeiros, no entanto estas instituições estavam a substituir as instituições pagãs que recebiam enormes doações (que foram sendo progressivamente confiscadas). Logo, a ascensão das organizações Cristãs parece ter envolvido de forma geral uma transferência de bens de religião para religião, e não um desvio de verbas dos cofres seculares.

Semelhantemente, mão-de-obra perdida para o claustro parece ter sido mínima – talvez na ordem de alguns milhares de indivíduos – algo que dificilmente constitui uma quebra maciça na mão-de-obra do império. Uma porção da aristocracia abdicou da sua riqueza e do seu poder em favor duma vida de devoção Cristã – um número insignificante quando comparado com o número de pessoas que escolheu servir a burocracia imperial.

Será que o Cristianismo fragilizou a unidade ideológica do Império?

Não; na verdade, a religião e o império agiram para favorecer a unidade, com o Deus Cristão colocado como Aquele que atribuía ao Imperialismo Romano uma missão de conquistar, converter e civilizar o mundo. Os imperadores eram visto como escolhidos a dedo por Deus, e, desde logo, impregnados com um estatuto sagrado. A rejeição do Império era uma posição marginal junto dos pensadores Cristãos.

Será que as discussões doutrinárias entre os Cristãos enfraqueceram o Império?

Mais uma vez, há poucas evidências em favor desta posição. Certamente que as histórias da época eram dominadas por disputas teológicas, dando desde logo uma impressão dum frenesim e dum desacordo religioso. Isto prende-se com o facto das fontes deste período serem em larga medida histórias da Igreja. Isto seria como depender das memórias de Fred Phleps para se obter uma história fiel dos Estados Unidos durante o século 20. Na realidade, os historiadores mais seculares tais como Ammianus Marcellinus quase que nem menciona as disputas doutrinárias. Ocorreram ocasionalmente tumultos de grandes proporções mas estes estavam essencialmente confinados entre os bispos.

Resumindo, a Cristianização parece ter sido efectivamente subsumida dentro das estruturas do Império, e muitos historiadores alegam que ela agiu como um efeito estabilizador. Portanto, a teoria de Gibbons foi totalmente invertida.

O que dizer da segunda teoria? Será que a ascensão do Cristianismo causou um mal-estar na cultura intelectual, causando uma idade das trevas científica?

Sem sombra de dúvidas que houve um declínio no conhecimento científico no Império Romano Ocidental à medida que ele entrava em colapso, mas as raízes disto são profundas e podem ser rastreadas até ao Romanos pagãos. Depois de 200 A.C. passou a existir um contacto cultural frutífero entre os Gregos e as bilingues classes altas Romanas. Isto introduziu no Império Romano uma versão da tradição clássica mas só uma escassamente popularizada versão é que foi traduzida para o Latim.

O bilinguismo e as condições para estudos entraram rapidamente em declínio depois de 180 AD à medida que o império entrou na crise do 3º século. O caos deste século causou uma perturbação junto das infraestruturas educacionais e a divisão do império em dois causou a que o conhecimento do Grego entrasse em declínio no ocidente. Os cidadãos Romanos que se estavam a tornar gradualmente Cristãos encontravam-se portanto, limitados a pedaços da tradição clássica que havia sido explicada e sumariada pelos autores Latinos.

Depois disto, a cultura intelectual entrou em declínio dramático no ocidente devido ao colapso do controle centralizado neste mesmo ocidente, consequência dos ataques dos bárbaros, do declínio na alfabetização e da perda do Grego, da redução do comércio, da queda acentuada na densidade populacional, e devido à dimensão da destruição. Entre o século 4º ao século 11º, o Império Ocidental foi varrido por bárbaros Germânicos e Nórdicos, o que causou a destruição de toda a infraestrutura Imperial.

Enquanto isso, a mais rica e completa versão da tradição clássica caiu nas mãos dos muçulmanos à medida que eles se expandiam rapidamente pela Ásia e pelo Mediterrâneo. Depois disto, esta tradição foi traduzida para o arábico, desenvolvida ainda mais, e transladada do Norte de África para a Espanha. Mal a Europa Ocidental se recuperou de modo suficiente, os seus intelectuais viajaram para Espanha para traduzir o material e trazê-los para a cultura medieval.

Será que havia uma corrente anti-intelectual na cultura Cristã primitiva que causou a que ela fosse um ninho de sentimentos anti-científicos?

Aqui, o exemplo mais citado é Tertuliano, que famosamente disse “O que é que Atenas têm haver com Jerusalém?” em oposição acesa à tradição clássica. No entanto, e de modo geral, esta posição contra-cultural era minoritária e ela perdeu a sua posição para aqueles como Justino Mártir, que buscou pontos comuns entre a filosofia clássica e o Cristianismo, e (mais importante ainda) Agostinho de Hipona.

Agostinho, embora tivesse sido ambivalente em relação ao conhecimento Grego, aplicou-o vigorosamente nos seus textos relativos às Escrituras, e surgiu com a ideia da largamente influente “fórmula da serva” onde a filosofia natural poderia ser útil na interpretação da Bíblia. (Obviamente que hoje em dia todos nós acreditamos que – em princípio – a ciência deveria ser estudada para o seu próprio bem, mas esta posição haveria de ter sido estranha no mundo clássico onde ela se encontrava subordinada à ética e ao empreendimento filosófico mais abrangente). A fórmula da serva foi usada durante toda a Idade Média como justificação para a investigação da natureza.

Em última análise, a segunda teoria falha porque o Cristianismo é a mais importante estrutura intelectual dentro da qual sobreviveu a cultura antiga-tardia. Longe de serem broncos intelectuais, parece que os Cristãos estiveram tão interessados na filosofia, na ciência, e na medicina Gregas que eles as preservaram através dum processo laborioso de cópia manual. Isto inclui as obras de Euclides, Ptolomeu, Platão, Aristóteles, Galeno, Simplício e muitos outros, incluindo umas espantosas 1,500 páginas de comentário em Grego de Aristóteles, feitos entre o 2º ao 6º século AD. As obras médicas de Galeno são 1/5 de todo o corpo de conhecimento Grego que sobreviveu ao tempo – cerca de 2 milhões de palavras copiadas à mão e preservadas através dos séculos.

Claro que algumas pessoas podem alegar que os Cristãos deveriam ter preservado mais obras de “cientistas” antigos – por exemplo, as palavras perdidas de Neocles de Kroton (que alegou que os sapos têm dois corações – um venenoso e outro saudável – e que a lua era habitada pelo Leão de Neméia). Para lidar com isto, idealizei um “Campo de Treino da Idade Média” onde os críticos serão forçados a usar um hábito dum monge e copiar para um papiro, e à mão, o livro ‘A short History of nearly everything’ de Bill Bryson, ao mesmo tempo que figurantes vestidos de bárbaros vão destruindo todas as suas coisas.

Conclusão:

As duas teorias que tentam atribuir culpas ao Cristianismo falham por falta de evidências. Elas ainda persistem devido ao seu ilustre pedigree, e devido ao facto das pessoas insistirem que o passado se ajuste ao enquadramento moderno.

- http://goo.gl/mXIKc6

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(Tim O’Neill responde à mesma questão:)

Não, o Cristianismo não causou a “Idade das Trevas”.

Actualmente, o período conhecido como a “Idade das Trevas” é normalmente usado em referência à Baixa Idade Média (embora alguns escritores populares erradamente usem o termo “Idade das Trevas” como sinónimo geral para a Idade Média, algo que os historiadores deixaram de fazer há muito tempo). Este é o período que vai desde cerca de 500 AD até a 1000 AD, onde a Europa Ocidental atravessou por um período longo de fragmentação política, invasões externas, conflitos internos, colapso do comércio de curta e longa distância, colapso da economia, colapso das infraestruturas e colapso da educação.

A ideia do Cristianismo a causar ou a contribuir de modo significativo para a queda do Império Ocidental há já muito tempo que foi abandonada pelos historiadores modernos. Claramente, o Cristianismo não foi um factor significante visto que, ao mesmo tempo que o Império Ocidental entrava em colapso, o igualmente (ou mais ainda) Cristão Império do Oriente continuou durante mais 1000 anos sem entrar em colapso e sem qualquer “Idade das Trevas”. (…)

Por mais que esteja de acordo com a agenda de alguns desajeitados zelotas anti-Cristãos alegar que o Cristianismo causou a “Idade das Trevas”, este é um ataque baseado num fraco conhecimento da História. Longe de ter sido a causa, o Cristianismo foi a única instituição que, durante este período, preservou os fundamentos do conhecimento e encapsulou a filosofia e o estudo da lógica e o profundo respeito pelo aprendizado, incluindo o aprendizado com origem pagã, no seu curriculum.

Consequentemente, quando a Europa emergiu  dos séculos medievais iniciais de caos e invasões, foram os homens de igreja que buscaram os livros perdidos de Aristóteles, Platão, Arquimedes e Ptolomeu, e deram início a um renascimento no conhecimento e na investigação que iria levar ao método científico e à ascensão do Ocidente.

Os descrentes mais inteligentes evitam análises históricas erróneas motivadas pela emoção e não pela análise objectiva e racional das evidências.

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A evolução da visão: suposição e não ciência

Por Brian Thomas

Olho BiónicoA visão dos vertebrados está muito bem construída, tendo muitas parte importantes que operam em conjunto de modo a que os fotões individuais sejam capturados e convertidos em dados que o cérebro pode, então, traduzir em imagens visuais coerentes. Levando em conta o génio e o propósito óbvios do design da visão, alegar que processos naturais formaram o olho é algo que só pode ser feito se ignoramos as leis da lógica.

Recentemente, Trevor Lamb (neurocientista Australiano) escreveu um artigo para a Scientific American – com o título de “A Evolução do Olho” – que continha uma história narrada como se ele tivesse de facto testemunhado um globo ocular genuíno a evoluir. Mas em vez de disponibilizar evidências científicas, a sua apresentação dependeu mais de falácias lógicas.

Primeiro, Lamb conferiu uma inteligência divina a uma força inanimada que ele deu o nome de “pressões selectivas”. Ele escreveu:

À medida que o corpo foi aumentando de tamanho, aumentaram também as pressões selectivas que favoreceram a evolução dum outro tipo de olho: a variedade [do olho vertebrado] tipo câmara.

Mas só um agente inteligente  – e não factores ambientais passivos e irracionais – é que poderia moldar a enorme colecção de partes interdependentes que formam os olhos. Lamb escreveu também que a “selecção natural”…. opera com o material que tem à sua disposição” embora só pessoas é que podem “operar”.(1)

O artigo faz da evolução dos olhos algo fácil de imaginar ao excluir os detalhes complicados da anatomia dos olhos. De que forma é que a “selecção” iria gradualmente  posicionar os 12 músculos que habilmente movem o globo ocular dentro da cavidade ocular, incluindo aquele que usa uma polia para girar de modo adequado os olhos? (2) E mesmo que olhos perfeitamente formados e os respectivos músculos de controle tivessem de alguma forma conseguido evoluir, este aparato seria inútil sem as computações involuntárias que fazem com que o olho esquerdo e o direito se movam de forma combinada.

Para além de omitir estas características vitais, Lamb não explica como é que as “pressões selectivas” iriam programar o cérebro de modo a que este convertesse o input da luz crua em imagens mentais discerníveis. Lamb escreve:

Os biólogos fizeram recentemente avanços significativos nas pesquisas em torno da origem do olho ao estudarem a maneira como ele se forma nos embriões em desenvolvimento.

Ele sugere que o desenvolvimento do olho embrionário progride do mais simples para o mais complicado num padrão semelhante ao da evolução do olho. Mas os olhos embrionários têm que começar pequenos e desde logo, relativamente mais simples. Assumindo (sem qualquer evidência objectiva) que o desenvolvimento embrionário é um espelho do passado evolutivo apenas assume uma resposta em relação a uma origem evolutiva.

Dito de outra forma, pode-se usar o desenvolvimento embrionário para concluir que o olho dos vertebrados evoluiu, se assumirmos à partida que “muitos aspectos do desenvolvimento dum individuo espelha os eventos que ocorreram durante a evolução dos seus ancestrais.” (1) Isto usa a evolução para provar a evolução – claramente um círculo ilógico.

Ao contar a sua história evolutiva em torno da origem dos olhos, Lamb usa termos tais como “modifica”, “divergiram”, “proliferaram”, “surgiram”, “favorecendo”, “inserindo-se a eles mesmos”, “emergência“, e “evoluíram” – ignorando o facto de ninguém ter alguma vez visto “pressões selectivas” irracionais e sem-direcção a fazer qualquer uma destas coisas.

Olho BiónicoEstas palavras “mágicas” escondem a falta de explicações cientificas para a origem dos olhos, e “transmitem convicções esperançosas de que, se os evolucionistas apenas acreditarem profundamente, as suas explicações têm que ser verdadeiras, e um dia serão mesmo verdadeiras – embora essas explicações se encontrem em oposição a todas as evidências científicas.” (3)

Palavras mágicas e falácias lógicas são substitutos miseráveis da ciência e da razão, mas aparentemente elas são as melhores ferramentas explicativas para aqueles que estão determinados a encontrar causas totalmente naturalistas para a origem dos olhos.

Tendo como base as evidências, a Fonte mais lógica desde design magistral é o Designer Supremo.

http://t.co/s1HBFRTo60

Referências:
1. Lamb, T. D. 2011. Evolution of the Eye. Scientific American. 305 (1): 64-69.
2. Gurney, P. 2002. Our eye movements and their control: part 1. Journal of Creation (formerly TJ). 16 (3): 111-115.
3. Guliuzza, R. 2010. Unmasking Evolution’s Magic Words. Acts & Facts. 39 (3): 10-11.
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A verdadeira história das Cruzadas

Por Thomas F. Madden

Muitos historiadores têm tentado há já algum tempo esclarecer os factos em torno das Cruzadas visto que as más-concepções que são demasiado comuns. Para eles, este é um momento de ensinar sobre as Cruzadas no preciso momento em que as pessoas estão a prestar atenção.

Com a possível excepção de Umberto Eco, os estudiosos medievais não estão habituados a tanta atenção; nós temos a tendência de ser um grupo tranquilo (excepto durante as bacchanalia anuais que nós damos o nome de “International Congress on Medieval Studies” em Kalamazoo, Michigan, e logo aí), estando absorvidos a ler crónicas empoeiradas e a escrever estudos chatos e meticulosos que poucas pessoas irão ler. Imaginem, portanto, a minha surpresa quando no espaço de alguns dias após o 11 de Setembro, a Idade Média subitamente se tornou relevante.

Como um historiador das Cruzadas, deparei-me com a reclusão tranquila da torre de marfim a ser destruída pelos jornalistas, editores e apresentadores de talk-shows operando contra tempo, ansiosos por publicar uma notícia antes dos outros. O que foram as Cruzadas?, perguntaram eles. Quando foi que aconteceram?  Quão insensível foi o Presidente Bush ao usar o termo “cruzada” nos seus comentários?

Eu fiquei com a impressão que algumas das pessoas que me ligaram já sabiam as respostas para estas perguntas, ou pelo menos, pensavam que sabiam. O que elas realmente queriam era que um perito lhes dissesse o que eles já defendiam e já acreditavam. Por exemplo, fui frequentemente questionado que comentasse o facto do mundo islâmico simplesmente ter um mágoa contra o Ocidente. Não é a violência actual, insistiram eles, algo que tem as suas raízes no ataque brutal e não-provocado das Cruzadas contra o tolerante e sofisticado mundo muçulmano? Dito de outra forma, não será essa violência [islâmica] culpa das Cruzadas?

Isso é o que Osama bin Laden parece pensar. Nas suas várias actuações em vídeo, ele nunca se esquece de descrever a guerra Americana contra o terrorismo como uma nova Cruzada contra o islão. O ex-presidente Bill Clinton também apontou o seu dedo acusador às Cruzadas como causa primordial do actual conflito. No seu discurso na Universidade Georgetown, Clinton recontou (e embelezou) o massacre de Judeus depois dos Cruzados conquistarem Jerusalém em 1099, e informou o seu público que esse episódio é lembrado de forma amarga no Médio Oriente. (Não foi explicado o porquê dos muçulmanos ficarem perturbados com a matança de Judeus.)

Clinton foi atacado de forma agressiva nos editoriais jornalísticos por querer culpar tanto os Estados Unidos que estava disposto a regressar até às Cruzadas. Mas ninguém colocou em causa a premissa principal do ex-presidente.

Bem, quase ninguém.

Muitos antes de Bill Clinton as ter descoberto, há já muito tempo que os historiadores tentavam esclarecer os eventos em torno das Cruzadas. Estes historiadores não são revisionistas, tais como os historiadores Americanos que criaram a exibição em torno do Enola Gay, mas sim estudiosos mainstream a disponibilizar os frutos de várias décadas de trabalho académico cuidadoso e sério. Para eles, este é “momento de aprendizagem”, uma chance de explicar as Cruzadas exactamente no momento em que as pessoas estão atentas. Esta atenção não vai durar muito tempo, e como tal, aqui vai disto.

Os equívocos em relação às Cruzadas são demasiado comuns; elas são geralmente caracterizadas como uma série de guerras santas contra o islão, lideradas por Papas sedentos de conflictos bélicos e combatidas por fanáticos religiosos, para além de supostamente serem o epítome do farisaísmo e da intolerância – uma mancha negra da história da Igreja Católica em particular, e da civilização Ocidental no geral.

Sendo uma raça de proto-imperialistas, os Cruzados deram início à agressão Ocidental a um Médio Oriente pacífico, e deformaram uma erudita cultura muçulmana, o que causou a que esta ficasse em ruínas. Para tomarmos conhecimento de variações deste tema, não é preciso olhar muito longe. Por exemplo, vejam o épico de três volumes de Steven Runciman com o nome de  History of the Crusades, ou vejam o  documentário BBC/A&E  com o título de, The Crusades, apresentado por Terry Jones. Ambos são historicamente terríveis mas maravilhosamente divertidos.

[O que a História diz sobre as Cruzadas]

Então, qual é a verdade em torno das Cruzadas? Os académicos ainda estão a averiguar algumas coisas em relação a isso, mas muito pode já ser dito com elevado grau de certeza. Para começar, as Cruzadas a Oriente foram de todas as formas possíveis guerras defensivas. Elas foram uma resposta directa à agressão muçulmana – uma tentativa de retornar ou criar uma linha defensiva contra as conquistas muçulmanas de terras Cristãs.

Os Cristãos do século 11 não eram fanáticos paranóicos; os muçulmanos queriam mesmo acabar com eles. Embora os muçulmanos possam ser pessoas pacíficas, o islão nasceu no meio da guerra e cresceu da mesma forma. Desde os tempos de Maomé, a forma de expansão do islão sempre foi a espada. O pensamento muçulmano divide o mundo em duas esferas: A Morada do islão [Dar ar-islam] e a Morada da Guerra [Dar al-Harb]. O Cristianismo – e, diga-se de passagem, todas as outras religiões não-islâmicas – não tem essas moradas.

Os Cristãos e os Judeus podem ser tolerados dentro dum estado muçulmano, sob o domínio muçulmano, mas no islão tradicional, os estados Cristãos e Judaicos têm que ser destruídos e as suas terras conquistadas.

Quando Maomé estava a levar a cabo uma guerra contra Meca no século 7, o Cristianismo era a religião dominante em termos de poder e de riqueza. Como a fé do Império Romano, ela espalhava-se por todo o Mediterrâneo, incluindo o Médio Oriente onde havia nascido. Portanto, o mundo Cristão era um alvo importante para os califas iniciais e aos olhos dos líderes muçulmanos, isto ficou assim durante os 1000 anos que se seguiram.

Com um vigor enorme, os guerreiros do islão atacaram o Cristianismo pouco depois da morte de Maomé. Eles foram muito bem sucedidos; a Palestina, a Síria e o Egipto – que foram a dada altura as áreas mais Cristãs do mundo – rapidamente caíram. Por volta do 8º século, os exércitos islâmicos haviam conquistado o Norte de África Cristão e a Espanha.

Por volta do século 11, os Turcos Seljúcidas conquistaram a Ásia Menor (a Grécia actual), que já era Cristã desde os dias de São Paulo. O antigo Império Romano, conhecido pelos historiadores modernos como o Império Bizantino, foi reduzido a pouco mais que a Grécia. Em desespero, o imperador de Constantinopla enviou um pedido de ajuda à Europa ocidental como forma de ajudar os seus irmãos e as suas irmãs do Este.

Foi isto que deu início às Cruzadas; elas não foram idealizadas por um Papa ambicioso ou por cavaleiros [“knights”] vorazes, mas sim programadas como resposta a mais de 400 anos de conquistas onde os muçulmanos já haviam capturado dois-terços do antigo mundo Cristão. A dada altura, a fé e a cultura Cristã teriam que se defender ou ser subsumida pelo islão. As Cruzadas foram guerras defensivas.

Durante o Concílio de Clermont, em 1095, o Papa Urbano apelou aos cavaleiros da Cristandade que empurrassem de volta as conquistas do islão. A resposta foi tremenda: muitos milhares de guerreiros fizeram o juramento da cruz, e prepararam-se para a guerra. Porque é que eles o fizeram? A resposta a essa pergunta tem sido muito equivocada. Com o aproximar do Iluminismo era normalmente afirmado que os Cruzados nada mais eram ignorantes sem-terra que se aproveitaram da oportunidade para pilhar uma terra distante. Os sentimentos de piedade, auto-sacrifício e amor a Deus manifestos pelos Cruzados obviamente que não eram para serem levados a sério visto que estes sentimentos [supostamente] nada mais foram que uma fachada para intenções mais sombrias.

Durante as últimas duas décadas, estudos às cartas-régias com o apoio informático têm demolido essa invenção; os estudiosos descobriram que os cavaleiros cruzados eram, de maneira geral, homens ricos com bastantes terras suas na Europa. Mais mesmo assim, eles voluntariamente abdicaram de tudo para levar a cabo a missão sagrada. Ser um cruzado não era barato; até mesmo os senhores ricos poderiam empobrecer rapidamente (e com eles as suas famílias) ao tomarem parte numa Cruzada.

No entanto, eles avançaram com isso não porque esperavam algum tipo de riqueza material (algo que muitos deles já tinham) mas sim porque esperavam amontoar um tesouro onde onde a traça e a ferrugem não consomem [Mateus 6:19]. Eles estavam bem conscientes da sua natureza pecaminosa e desejosos de tomar parte nas dificuldades da Cruzada como um acto de penitência, de caridade e de amor.

A Europa encontra-se cheia de milhares de cartas-régias medievais atestando para este sentimento – cartas onde estes homens ainda nos falam, se nós prestarmos atenção. Claro que eles não se opunham à captura do saque se isso fosse possível. Mas a realidade dos factos é que as Cruzadas eram um mau sítio para se obter lucro. Algumas poucas pessoas enriqueceram, mas a largam maioria veio sem nada.

Papa_Urbano_IIO Papa Urbano II deu aos Cruzados dois objectivos, e esses objectivos mantiveram-se centrais para as Cruzadas no Oriente durante séculos. O primeiro era o de salvar os Cristãos do Este. Tal como o seu sucessor, Papa Inocêncio III, mais tarde escreveu:

Como é que um homem que ama o seu próximo segundo os preceitos divinos, sabendo que os Cristãos seus irmãos na fé e no nome, são retidos pelos pérfidos muçulmanos em reclusão estrita, e subjugados pelo jugo mais pesado da servidão, não se dedica à missão de os livrar? … É por acaso que vocês não sabem que muitos milhares de Cristãos se encontram escravizados e aprisionados pelos muçulmanos, torturados com tormentos inumeráveis?

“Ir para uma Cruzada,” alegou correctamente o Professor Jonathan Riley-Smith, era entendido como um “gesto de amor” – neste caso, amor pelo próximo. A Cruzada era vista como uma missão de misericórdia como forma de corrigir uma mal terrível. Tal como o Papa Inocêncio III escreveu aos Cavaleiros Templários:

Vocês executam as obras das palavras do Evangelho, “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.”

O segundo objectivo era o da libertação de Jerusalém e de outros locais tornados santos pela Vida de Cristo. A palavra “cruzada” é uma palavra moderna; os Cruzados Medievais olhavam para si como peregrinos, levando a cabo actos de justiça a caminho do Santo Sepulcro. A indulgência da Cruzada que eles recebiam estava canonicamente relacionada com a indulgência da peregrinação. O objectivo era frequentemente descrito em termos feudais. Apelando para a Quinta Cruzada em 1215, Inocêncio III escreveu:

Levemos em consideração, meus queridos filhos, que se algum rei temporário fosse lançado para fora dos seus domínios, e talvez capturado, não iria ele, depois de ver restaurada a sua  liberdade cristalina, e o tempo tivesse chegado para que ele executasse um olhar justo sobre os seus vassalos, classificá-los de desleais e traidores a menos que eles não só tivessem comprometido as suas posses mas também as suas pessoas para o libertar? Semelhantemente, não irá Jesus Cristo, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, cujos servos deles vocês não podem negar ser, que uniu a vossa alma com o vosso o corpo, que vos remiu com o Seu Precioso Sangue …. vos condenar pelo vício da ingratidão e pelos crime de infidelidade, se por acaso vocês negligenciarem prestar-Lhe ajuda?

A reconquista de Jerusalém, portanto, não era colonialismo mas sim um acto de restauração e de declaração aberta de amor por Deus. Os homens medievais sabiam, obviamente, que Deus tinha o Poder para restaurar Ele mesmo Jerusalém – de facto, Ele tinha o poder para restaurar todo o mundo para o Seu governo. Mas tal como São Bernardo de Clairvaux pregou, a Sua recusa em fazer as coisas assim eram uma bênção para o Seu povo:

Volto a dizer, consideremos a bondade do Todo Poderoso e levemos em conta os Seus planos de misericórdia. Eles coloca-Se sob a vossa obrigação, ou melhor, finge que faz isso, de modo a que Ele vos possa ajudar a satisfazer as vossas obrigações para com Ele… Eu qualifico de abençoada a geração que pode agarrar uma oportunidade de tão rica indulgência como esta.

É frequentemente assumido que o propósito central das Cruzadas era o de converter à força o mundo islâmico; nada poderia estar mais longe da verdade. Do ponto de vista dos Cristãos Medievais, os muçulmanos eram os inimigos de Cristo e da Sua Igreja. Era a função dos Cruzados derrotá-los e levar a cabo actos defensivos contra eles. Nada mais. Os muçulmanos que viviam em terras conquistadas pelos Cruzadas eram geralmente permitidos que retivessem as suas posses, o seu modo de vida, e sempre a sua religião.

De facto, durante a história do Reino Cruzado de Jerusalém, o número de habitantes muçulmanos era superior ao número de Católicos. Foi só a partir do século 13 que os Franciscanos deram início aos esforços de conversão entre os muçulmanos, mas estes foram na sua maioria infrutíferos e, por fim, abandonados. De qualquer das formas, tais esforços consistiam na persuasão pacífica e não em esforços com base na ameaça de violência.

As Cruzadas foram guerras, e como tal, seria um erro caracterizá-las como apenas piedade e boas intenções. Tal como em todas as guerras, a violência foi brutal (embora não tão brutal como as guerras modernas). Houve percalços, asneiras, e crimes. Estes são normalmente muito bem lembrados nos dias actuais.

Durante os dias iniciais da Primeira Cruzada, em 1095, um indesejável grupo que se encontrava entre os Cruzados, liderado pelo Conde Emicho de Leiningen, atravessou o Reno, roubando e assassinando todos os Judeus que conseguiram encontrar. Sem sucesso, os bispos locais tentaram colocar um ponto final na carnificina.

Aos olhos desses guerreiros, os Judeus, tal como os muçulmanos, eram inimigos de Cristo, e como tal, matá-los e ficar com as suas posses não era visto com maus olhos. De facto, eles viam isso como um acto justo uma vez que o dinheiro dos Judeus poderia ser usado para financiar a Cruzada para Jerusalém.

Mas eles estavam errados e a Igreja condenou de modo firme os ataques dirigidos aos Judeus. Cinquenta anos mais tarde, quando a Segunda Cruzada estava a ser preparada, São Bernardo pregava frequentemente que os Judeus não deveriam ser perseguidos:

Perguntem a qualquer pessoa que conheça as Sagradas Escrituras o que ele encontra profetizado sobre os Judeus no Livro dos Salmos: “Não para a sua destruição eu oro”, diz o Salmo. Os Judeus são para nós as palavras vivas das Escrituras ,visto que eles nos lembram sempre o que o Nosso Senhor sofreu…. Sob os príncipes Cristãos, eles suportam um cativeiro severo mas “eles esperam o momento da sua libertação.”

Mesmo assim, um Cisterciense , companheiro e igualmente monge, chamado Radulf agitou as pessoas contra os Judeus do Reno, apesar das inúmeras cartas de Bernardo a exigir que ele parasse. Por fim, Bernardo foi forçado a ir ele mesmo para a Alemanha, onde se encontrou com Radulf, enviou-o de volta para o seu convento, e colocou um ponto final das massacres.

É normalmente dito que as raízes do Holocausto podem ser vistas nestes pogroms medievais. Até pode ser que sim. Mas se isto é assim, essas raízes são muito mais profundas e muito mais difundidas que as Cruzadas. Os Judeus foram mortos durante as Cruzadas, mas o propósito das Cruzadas não era matar Judeus. Pelo contrário, Papas, bispos e pregadores deixaram bem claro que os Judeus da Europa não deveriam ser perturbados. Numa guerra actual, chamamos a estas mortes de “danos colaterais”. Mesmo com as tecnologias modernas, os Estados Unidos mataram mais inocentes com as nossas guerras do que as Cruzadas alguma vez poderiam. Mas ninguém iria alegar que o propósito das guerras Americanas é matar mulheres e crianças.

Independentemente da forma que se olhe para ela, a Primeira Cruzada foi um tiro no escuro; não havia líder, não havia linha de comando, não havia linhas de abastecimento e nem uma estratégia detalhada. Ela apenas era um conjunto de milhares de guerreiros a marchar bem para dentro do território do inimigo, unidos por uma causa comum. Muitos deles morreram, quer tenha sido através da doença ou da fome.

A Primeira Cruzada foi uma campanha dura, uma que parecia sempre estar à beira do desastre, no entanto ela foi milagrosamente bem sucedida. Por volta de 1098 os Cruzadas haviam restaurado a Niceia e a Antioquia ao domínio Cristão. A alegria da Europa encontrava-se desenfreada; parecia que o rumo da História, que havia elevado os muçulmanos para tal posição exaltada, estava agora a virar.

Mas não estava.

Quando pensamos na Idade Média, é fácil olhar para a Europa para aquilo que ela se tornou e não naquilo que ela era. O colosso do mundo medieval era o islão e não a Cristandade. As Cruzadas são interessantes principalmente porque elas foram uma tentativa de contrariar essa tendência, mas em cinco séculos de cruzadas, só a Primeira Cruzada conseguiu retornar de forma significativa o progresso militar islâmico. A partir daí, foi sempre a cair [para a Europa].

Quando o Condado Cruzado de Edessa caíu para as mãos dos Turcos e Curdos em 1144, houve, na Europa, uma vaga de fundo enorme em apoio para uma nova Cruzada. Esta foi liderada por Luis VII de França e Conrado III da Alemanha, e pregada pelo próprio Bernardo. Ela foi um fracasso total. A maior parte dos Cruzados foi morta durante o percurso e aqueles que sobreviveram até Jerusalém, pioraram as coisas atacando Damasco muçulmana, que havia sido previamente uma forte aliada dos Cristãos.

No seguimento deste desastre, os Cristãos Europeus foram forçados a aceitar não só o crescimento contínuo do poder muçulmano, mas a certeza de que Deus estava a castigar o Ocidente pelos seus pecados. Movimentos piedosos leigos emergiram por toda a Europa, enraizados no desejo de purificar a sociedade Cristã de modo a que ela pudesse ser mais bem sucedida no Este.

Devido a isto, levar a cabo uma Cruzada na parte final do século 13 tornou-se portanto um esforço total de guerra. Todas as pessoas, independentemente da pobreza ou fraqueza, foram chamadas a ajudar. Pediu-se aos guerreiros que sacrificassem a sua riqueza e, se fosse preciso, as suas vidas na defesa do Este Cristão. A nível doméstico, os Cristãos foram chamados para apoiar as Cruzadas através da oração, do jejum e das esmolas.

Mas mesmo assim, os muçulmanos cresceram em força. Saladino, o grande unificador, havia forjado o Médio Oriente islâmico numa única entidade, ao mesmo tempo que pregava a jihad contra os Cristãos. Por volta de 1187, na Batalha de Hattin, as suas forças derrotaram as forças combinadas dos Reino Cristão de Jerusalém e capturaram a preciosa relíquia da Santa Cruz. Indefensáveis, as cidades Cristãs começaram a render uma a uma, culminando na rendição de Jerusalém no dia 2 de Outubro. Só uma pequena lista de portos se manteve firme.

A resposta foi a Terceira Cruzada, liderada pelo Imperador Frederico I Barbarossa do Império Alemão, e pelo Rei Ricardo I Coração de Leão. Qualquer que seja a forma que esta Cruzada seja analisada, ela foi um empreendimento enorme, embora não tão grandiosa como os Cristãos haviam desejado. O envelhecido Frederico afogou-se quando atravessava um rio montado no seu cavalo, e consequentemente, o seu exército regressou para casa antes de chegar à Terra Santa.

Filipe e Ricardo vieram de barco, mas as suas lutas incessantes apenas acrescentaram mais problemas à já de si situação divisiva na Palestina. Depois de reconquistar Acre, o rei de França regressou para casa, onde ele ocupou o seu tempo com a repartição das posses Francesas de Ricardo Coração de Leão. A Cruzada, portanto, ficou totalmente sob a responsabilidade de Ricardo.

20 Ricardo_Coracao_LeaoUm guerreiro talentoso, um líder dotado, e um táctico soberbo, Ricardo levou as forças Cristãs a vitória atrás de vitória, eventualmente reconquistando toda a costa. Mas Jerusalém não era na costa, e depois de duas tentativas abortadas de assegurar linhas de abastecimento para a Cidade Santa, Ricardo por fim desistiu. Prometendo um dia regressar, ele fez um pacto de tréguas com Saladino que assegurava paz na região e acesso livre a Jerusalém por parte de peregrinos desarmados. Mas isto foi um remédio difícil de engolir. O desejo de restaurar Jerusalém para o domínio Cristão, e re-obter a Verdadeira Cruz, permaneceu intenso por toda a Europa.

As Cruzadas do 13º Século foram maiores, com melhor financiamento, e com melhor organização, mas também elas falharam.

A Quarta Cruzada (1201-1204) caiu por terra quando se deixou seduzir pela rede da política Bizantina, que os Ocidentais não entendiam na plenitude. Eles fizeram um desvio para Constantinopla como forma de dar o seu apoio a um pretendente imperial que lhes prometeu recompensas e apoio para a Terra Santa. Mas mal ele se encontrou no trono dos Césares, o seu benfeitor descobriu que ele não conseguiria pagar o que havia prometido.

Traídos, portanto, pelos seus amigos Gregos, em 1205 os Cruzados atacaram, capturaram e saquearam de modo brutal a cidade de Constantinopla, a maior cidade Cristã do mundo. O Papa Inocêncio III, que havia previamente excomungado toda a Cruzada, condenou fortemente os Cruzados, mas não havia muito que ele poderia fazer.

Os eventos trágicos de 1204 fecharam uma porta de ferro entre os Católicos Romanos e os Gregos Ortodoxos  – porta essa que nem o actual [ed: na altura em que o artigo foi escrito] Papa João Paulo II tem sido incapaz de reabrir. É uma ironia terrível que as Cruzadas, que eram um resultado directo do desejo Católico de salvar o povo Ortodoxo, tenham afastado ainda mais os dois grupos – e talvez  irrevogavelmente.

As restantes Cruzadas do 13º Século não fizeram muito melhor. A Quinta Cruzada (1217-1221) capturou durante pouco tempo Damietta no Egipto, mas os muçulmanos eventualmente derrotaram o exército e reocuparam a cidade.

São Luis XI de Fança liderou duas Cruzadas durante a sua vida. A primeira também capturou Damietta, mas Luís foi rapidamente superado pelos Egípcios e forçado a abandonar a cidade. Embora Luís tenha estado na Terra Santa durante vários anos, gastando livremente em obras defensivas, ele nunca atingiu o seu desejo mais profundo: libertar Jerusalém. Por volta de 1270 ele era um homem mais velho quando liderou outra Cruzada contra Tunis, onde morreu com uma doença que devastou o seu acampamento militar.

Depois da morte de Luís, os impiedosos líderes maometanos Baibars e Qalawun levaram a cabo uma jihad brutal contra os Cristãos na Palestina. Por volta de 1291, as forças muçulmanas haviam sido bem sucedidas na matança ou na erradicação do último dos Cruzados, e desde logo, apagando o Reino Cruzado do mapa. Apesar de numerosas tentativas e de muitos outros planos, as forças Cristãs nunca mais conseguiram obter um ponto de apoio na região até ao século 19.

Seria de pensar que três séculos de derrotas Cristãs tivessem azedado os Europeus contra a ideia das Cruzadas, mas nada disso aconteceu. De qualquer forma, eles não tinham outra alternativa.

Por volta dos séculos 14, 15 e 16, os reinados muçulmanos estavam a ficar mais – e não menos – poderosos. Os Turcos Otomanos não só conquistaram os seus companheiros muçulmanos, unificando ainda mais o islão, mas continuaram a avançar para o ocidente, capturando Constantinopla e mergulhando profundamente bem dentro da Europa.

Por volta do século 15, as Cruzadas já não eram obras de misericórdia para com pessoas distantes, mas tentativas desesperadas de sobrevivência do último reduto do Cristianismo. Os Europeus começaram a ponderar a possibilidade real do islão poder finalmente atingir os seus objectivos de conquistar todo o mundo Cristão. Um dos maiores best-sellers da altura, The Ship of Fools, por parte de Sebastian Brant, deu voz a este sentimento num capítulo com o título de “Of the Decline of the Faith”:

Our faith was strong in th’ Orient,
It ruled in all of Asia,
In Moorish lands and Africa.
But now for us these lands are gone
‘Twould even grieve the hardest stone….
Four sisters of our Church you find,
They’re of the patriarchic kind:
Constantinople, Alexandria,
Jerusalem, Antiochia.
But they’ve been forfeited and sacked
And soon the head will be attacked.

Suleiman_MagníficoClaro que isto não aconteceu, mas quase aconteceu. Por volta de 1480, o Sultão Mehmed II capturou Otranto como uma praça de armas para a sua invasão da Itália. Roma foi evacuada, mas o sultão morreu pouco depois, e os seus planos morreram com ele. Em 1529, Suleiman o Magnífico sitiou Viena. e se não fossem chuvas anormais que atrasaram o seu progresso e forçaram-no a deixar para trás a maior parte da sua artiilharia, é virtualmente certo que os Turcos teriam tomado a cidade. A Alemanha estaria, então, à sua mercê.

No entanto, ao mesmo tempo que estes encontros próximos estavam a ocorrer, outra coisas estavam a acontecer na Europa – algo sem precedentes na história humana. O Renascimento, nascido dos valores Romanos, piedade medieval, e um respeito único pelo comércio e pelo empreendedorismo, haviam levado a outros movimentos tais como o humanismo, a Revolução Científica e à Idade da Exploração.

Ao mesmo tempo que lutava pela sua vida, a Europa preparava-se para se expandir à escala global. A Reforma Protestante, que havia rejeitado o papado e a doutrina da indulgência, fez das Cruzadas algo impensável aos olhos de muitos Europeus; isto, consequentemente, deixou a luta para os Católicos. Em 1571, a Liga Santa, que era ela mesma uma Cruzada, derrotou a frota Otomana em Lepanto; no entanto, vitórias militares tais como esta eram raras.

A ameaça muçulmana foi economicamente neutralizada. À medida que a Europa cresceu em riqueza e poder, os outrora soberbos e sofisticados Turcos começaram a parecer retrógados e patéticos – não mais dignos duma Cruzada. O “Homem Doente da Europa” coxeou até ao século 20, quando finalmente expirou, deixando para trás a confusão actual que é o Médio Oriente.

Da segura distância de muitos séculos, é muito fácil olhar com repulsa para as Cruzadas. Afinal, a religião não é para se combater guerras. Mas não nos devemos esquecer que os nossos ancestrais medievais ficariam igualmente enojados com as nossas guerras infinitivamente mais destrutivas, combatidas em nome de ideologias políticas. No entanto, tanto o soldado medieval como o soldado actual lutam principalmente em prol do seu próprio mundo e tudo o que o compõe. Ambos estão dispostos a sofrer um sacrifício enorme, desde que seja em nome de algo que eles consideram válido – algo maior que eles mesmos.

Quer nós admiremos as Cruzadas ou não, é um facto que o mundo de hoje não existiria sem os seus esforços. A Fé antiga que é o Cristianismo, com o seu respeito pelas mulheres e antipatia pela escravatura, não só sobreviveu como floresceu. Sem as Cruzadas, era bem possível que ela tivesse seguido os passos do Zoroastrismo  – outra fé rival do islão – à extinção.

– http://goo.gl/QdaFYG

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Artigo médico fragiliza teoria da evolução

Por Casey Luskin

Medicina_Mayo_ClinicUm recente artigo científico presente na prestigiosa revista médica Mayo Clinic Proceedings, e com o nome de The Childhood Obesity Epidemic as a Result of Nongenetic Evolution: The Maternal Resources Hypothesis,” alega que, em relação às bases da hereditariedade, a síntese evolutiva moderna encontra-se fatalmente errada.

De facto, afirma o Dr Edward Archer (Universidade do Alabama), muitos aspectos da vida humana, da fisiologia, e da saúde, não fazem sentido à luz do modelo neo-Darwiniano tradicional. Falando do famoso adágio de Theodosius Dobzhansky [“Nada na Biologia faz sentido sem ser à luz da teoria da evolução”], o Dr Archer escreve:

Embora possa ser verdade que “nada na biologia faz sentido ser ser à luz da teoria da evolução”, durante a maior parte do século 20, os vectores não-genéticos da hereditariedade e as consequências evolutivas da dinâmica de desenvolvimento que culminaram no aparecimento de novos fenótipos, foram largamente ignorados.

Este é um limite à priori da hereditariedade e a evolução não tem qualquer fundamento empírico ou teórico; no entanto, visto que a teoria afecta a pesquisa, a práctica clínica, e as políticas de saúde publica, a exclusão de caminhos não-genéticos para a transmissão intergeracional da obesidade e dos fenótipos de elevado riscos foi improdutiva.

Tal como ressalvado por Harris (1904) há mais de 100 anos atrás, “A selecção natural pode explicar a sobrevivência do mais apto, mas não explica o aparecimento do mais apto.”

Dada a heterogeneidade do meio-ambiente onde o organismo pode nascer, e também do facto das interacções fenótipo/meio-ambiente serem o substrato sobre o qual a selecção natural opera, a aptidão evolutiva (isto é, a maior sobrevivência e a maior reprodução) necessita de mecanismos através dos quais as exposições ambientais salientes que geraram o (bem sucedido) fenótipo da mãe sejam traduzidas para a descendência (isto é, o “aparecimento do mais apto”).

Uma vez que alterações ambientais consideráveis normalmente ocorrem de uma geração para a outra, os fenótipos adaptativos não serão necessariamente gerados através da herança genética.

Devido a isto, eu afirmo que a “herdabilidade desaparecida” nas aceleradas alterações fenotípicas exibidas durante o século passado (isto é, hereditariedade não explicada pelos paradigmas genecêntricos) não serão encontrados no genoma, e proponho uma nova conceptualização da herança onde os vectores não-genéticos da evolução (isto é, os efeitos maternais e a evolução soció-ambiental e fenotípica) são os elementos casuais predominantes no aumento recente da prevalência da obesidade infantil.

O artigo continua, propondo um modelo não-Darwiniano através do qual a obesidade infantil tem aumentado nas últimas décadas largamente como resultado de herança não-genética, escolhas humanos, e avanços médicos (tais como as cesarianas) a influenciar os padrões do desenvolvimento humano.

(…)

http://goo.gl/LaTQGV

* * * * * * *

As palavras do médico Edward Archer fazem parte dum crescente leque de palavras provenientes de cientistas com créditos firmados a demonstrar como a teoria da evolução é cientificamente irrelevante, e como este paradigma filosófico serve, na verdade, como um obstáculo para o progresso científico e médico.

Mas, como já sabemos, a teoria da evolução não é fragilizada com as descobertas científicas e médicas uma vez que a teoria da evolução é uma filosofia de vida, ou visão religiosa do mundo, e não uma teoria científica cuja existência depende exclusivamente dos dados científicos observáveis.

Dito de outra forma, nenhuma evidência científica, ou dado observável, tem por si só o poder de fazer um evolucionista deixar de ser evolucionista porque não foram as evidências científicas que lhe fizeram acreditar nessa teoria.

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23 motivos que levam os estudiosos a rejeitar a noção de que Jesus é uma “cópia” de mitos pagãos

Por James Bishop

Dan Brown, no seu livro “O Código Da Vinci”, escreve: “Nada do Cristianismo é original”. Nos tempos mais recentes. um largo número de pessoas está a alegar que Jesus não só mais não é que um novo arranjo de religiões pagãs secretas antigas, como também um arranjo de religiões com deuses a morrer e a ressuscitar. Nós vêmos isto mascarado de “verdade” em filmes tais como “Zeitgeist”, “O Código Da Vinci”, e “Irreligious” que, para a pessoa comum, têm a aparência de serem factuais e convincentes.

Mas quão factuais são estas alegações? Certamente que qualquer pessoa pode fazer uma má caracterização das evidências de modo a que elas passem a estar de acordo com as suas crenças pré-estabelecidas, especialmente se estas pessoas não querem acreditar em algo.

O primeiro passo que deve ser tomado pela pessoa que tenta entender estas questões é consultar os estudiosos das áreas de especialização relevantes e necessárias. O que é que eles dizem disto tudo? Será que este tópico se encontra em debate nos dias de hoje? Se sim, ou se não, porquê? Resumidamente, este estudo focar-se-á em analisar estas comparações [entre o Senhor Jesus e as religiões pagãs], as opiniões educadas dos estudiosos, e tentará apurar se alguns destes paralelos pagãos se encontram no Jesus do Novo Testamento.

Quem são os mitologistas?

Bart Ehrman, o mais importante estudioso do Novo Testamento (e céptico), pergunta:

Bart_EhrmanQuem está no controle da agenda mitologista? Porque é que eles se esforçam tanto para mostrar que Jesus nunca existiu? Não tenho uma resposta definitiva, mas tenho um palpite. Não é acidental o facto de virtualmente todos os mitologistas (de facto, segundo sei, todos eles) serem ou ateus ou agnósticos. Aqueles sobre os quais eu sei alguma coisa, são ateus militantes e até virulentos.

Certamente que Ehrman está certo no seu palpite. Um dos mitologistas principais dos dias de hoje é Richard Carrier, e por acaso ele é um ávido ateu que escreve para o site  Secular Web. Carrier, juntamente com mais dois ou três outros proponentes, são os únicos estudiosos em favor desta visão mitologista; os restantes nem chegam a ser peritos nas áreas de especialização relevantes – algo que é visto em pessoas tais como Bill Maher (“Irreligious”), Dan Brown (“O Código Da Vinci”) , James Coyman (“Zeitgeist”), e Brian Flemming (“The God Who Wasn’t There”).

Embora ignorados pelos historiadores, pelos estudiosos do Novo Testamento, pelos eruditos do período Clássico, e pelos conhecedores do Cristianismo primitivo, os dois principais mitologistas actuais são provavelmente o em cima citado Carrier, e outro homem com o nome de Robert Price; estes dois são os únicos homens que mereceram algum tipo de atenção pela corrente principal da comunidade académica – ou pelo menos a atenção de um ou dois estudiosos do mainstream. Para além destes, o mitologista é ignorado pela maioria dos estudiosos das áreas de especialização relevantes.

A essência da alegação

Os defensores deste ponto de vista, conhecidos como mitologistas, afirmam que Jesus nada mais é que uma cópia de deuses de fertilidade que morrem e renascem, provenientes dos mais avariados locais do mundo – incluindo deuses como Tamuz na Mesopotâmia, Adónis na Síria, Átis na Ásia Menor, e Hórus no Egipto. Só mais recentemente é que estas alegações mitologistas voltaram a ganhar força devido à ascenção da Internet e da distribuição em massa de informação por parte de fontes inimputáveis.

Tudo o que um utilizador online precisa de ter em seu favor é o oxigénio que respira; qualquer pessoa pode postar algo online e mascarar isso como uma verdade. Neste artigo iremos examinar esses paralelos, e ver se eles resistem ao escrutínio. Vamos, então, revelar os muitos motivos que fazem com que “os estudiosos saibam que Jesus não é uma cópia das religiões pagãs”.

Motivo 1: Os estudiosos rejeitam de forma unânime a alegação de que Jesus é uma cópia pagã.

Actualmente, quase todos os eruditos das especializações históricas relevantes rejeitam de forma unânime a noção de que Jesus é uma cópia de deuses pagãos, algo que parece indicar que as evidências disponíveis os persuadiu contra os alegados paralelos. Por exemplo, T.N.D Mettinger da Universidade de Lund, opina: “Tanto quanto sei, não existem evidências prima facie de que a morte e a ressurreição de Jesus são construções mitológicas.”

Warner Wallace, antigo detective de homicídios, e dono do site “Cold Case Christianity“, escreve: “Quanto mais analisamos a natureza dos deuses que eram adorados antes de Jesus, mais nos apercebemos das suas distinções e da desonestidade daqueles que tentam comparar esses deuses pagãos com Jesus.”

O Professor Ronald Nash, filósofo e teólogo eminente, salienta no seu livro ‘Was the New Testament Influenced by Pagan Religions?’:

As alegações duma dependência inicial do Cristianismo perante o Mitraísmo foram rejeitadas por diversos motivos. O Mitraísmo não tinha conceito algum da morte e da ressurreição do seu deus, e nenhum conceito do renascimento – pelo menos durante as suas fases iniciais. (…) Actualmente, a maior parte dos eruditos Bíblicos consideram isto um assunto morto.

Outro eminente estudioso no Novo Testamento, Craig Keener, escreve: “Quando as comparações são feitas, acabamos com mais diferenças que semelhanças.” JZ Smith, historiador da religião e estudioso da religião Helenista, escreve: “A ideia de deuses que morrem e ressuscitam é, de forma generalizada, um equívoco fundamentado em reconstruções imaginativas e em textos excessivamente tardios ou altamente ambíguos.”

Michael Bird, que faz parte do conselho editorial do “Journal for the Study of the Historical Jesus” e é um Membro do “Centre for Public Christianity”, claramente demonstra o seu aborrecimento quando escreve:

Normalmente, eu sou uma pessoa cordial e colegial, mas, para ser honesto, tenho pouca paciência para investir na refutação das fantasias loucas dos “mitologistas de Jesus”, tal como eles são conhecidos. Isto prende-se com o facto de, dito de maneira honesta, nós que trabalhamos na profissão académica da Religião ou da História temos muita dificuldade em levá-las a sério.

Por fim, James Dunn no seu artigo sobre “Mito” no “Dictionary of Jesus and the Gospels”, escreve: “‘Mito’ é um termo com, pelo menos, relevância duvidosa para o estudo de Jesus e dos Evangelhos.”

Motivo 2: Todos os peritos na matéria concordam de forma unânime que Jesus existiu, e que podemos saber coisas sobre Ele, o que é totalmente diferente do que acontece com os deuses pagãos.

Para mais informação em relação a isto, consultem o meu outro artigo,36 motivos que levam os académicos a concordar que Jesus existiu. Este extracto chega-nos do ponto 2 desse artigo.

Os mais credíveis académicos do Novo Testamento, da Bíblia, da História e do Cristianismo primitivo, com as mais variadas crenças, concordam de forma clara que Jesus existiu. Claro que o debate centra-se no que podemos saber sobre Jesus, mas isso é irrelevante para a discussão. Isto separa de forma clara Jesus dos muitos deuses que morrem e ressuscitam que frequentemente não têm qualquer lugar na História. Tal como o Professor Bultmann, Professor de Estudos do Novo Testamento, a dada altura escreveu:

Claro que a dúvida em torno da existência de Jesus não não tem qualquer fundamento e nem é digna de refutação. Nenhuma pessoa sã pode duvidar que Jesus é o Fundador por trás do movimento histórico cuja fase inicial distinta é representada pela mais antiga comunidade Palestina.

Tal como Paul Maier, antigo Professor de História Antiga, ressalva, “A totalidade ds evidências é tão avassaladora, tão absoluta, que só o mais superficial dos intelectos pode colocar em causa a existência de Jesus.”

Craig Evans, que é amplamente conhecido pelos seus escritos em torno do Jesus Histórico, diz que, “Nenhum historiador sério de qualquer classe religiosa ou não-religiosa duvida que Jesus de Nazaré viveu no primeiro século e que foi executado sob a autoridade Pôncio Pilatos, governador da Judeia e Samaria.”

Até Bart Ehrman, o mais céptico dos eruditos do Novo Testamento (que não é de maneira alguma amigo do Cristianismo) declara que:

Estes pontos de vista (de que Jesus não existiu) são tão extremos e tão pouco convincentes para 99,99% dos peritos genuínos que alguém que os mantenha é tão susceptível de obter um cargo de professor num departamento religioso consagrado, tal como um criacionista da Terra Jovem é susceptível de obter um cargo profissional num departamento de biologia bona fide [ed: existem vários cientistas criacionistas a trabalhar em departamentos de Biologia].

Grant diz: “Resumindo, os modernos métodos de crítica falham em dar apoio à teoria Cristo-mito. Essa tese foi repetidamente respondida e aniquilada por académicos conceituados.”

A admissão mais reveladora chega-nos dum académico ateu Alemão com o nome de Gerd Ludemann, que escreve, “Pode ser tomado de forma historicamente certa que Pedro e os discípulos tiveram experiências [da ressurreição] depois da morte de Jesus onde Ele lhes apareceu como Cristo Ressuscitado.”

Portanto, se se pode dizer alguma coisa, a alegação de que Jesus nunca existiu nem se encontra em discussão junto da comunidade académica histórica, e está, sim, colocada à margem. Eu penso como Burridge e Could pensam, citando, “Tenho que dizer que não conheço nenhum académico crítico respeitado que ainda diga isso (que Jesus nunca existiu)”.

Motivo 3: Sabemos muito pouco destas religiões pagãs secretas.

Como história, parece que essas religiões pagãs só eram realmente conhecidas pelas pessoas das comunidades relevantes, e a maioria não tinha intenção de as partilhar com estranhos. Claro que isto deixaria os historiadores modernos numa situação complicada, visto que temos pouca informação sobre quem eram esses grupos e quais eram as suas prácticas. Como diz o próprio Bart Ehrman, estudioso do Novo Testamento e académico de renome:

Na verdade, sabemos muito pouco destas religiões misteriosas – afinal, o propósito das religiões misteriosas era o de mantê-las em segredo! Logo, acho que é maluquice construir um argumento na ignorância como forma de fazer uma alegação deste tipo.

C.S Lewis, um nome reconfortante e familiar para muitos Cristãos, escreve: “As histórias pagãs centram-se todas em alguém morrer e ressuscitar, quer seja todos os anos, ou então ninguém sabe onde e ninguém sabe quando.” Tal como citei de modo semelhante no ponto 1, J.Z. Smith, historiador de religião e académico da religião Helenista, escreve: “A ideia de deuses que morrem e ressuscitam é, de forma generalizada, uma caracterização imprópria fundamentada em textos ambíguos e excessivamente tardios.”

Se nós temos textos ambíguos, uma falta de textos, e muitos desses textos com data posterior ao Cristianismo, então, pergunto eu, de onde chegam estes alegados paralelos  que estes mitologistas dizem que existem? Tal como salienta J.Z.Smith em cima, estes alegados paralelos chegam-nos de “reconstruções imaginativas” altamente especulativas provenientes da mente dos mitologistas.

Motivo 4. A maior parte do que sabemos sobre as religiões misteriosas tem origem depois do Cristianismo, e não antes.

Se é verdade que a maior parte do que sabemos destas religiões secretas tem data posterior ao Cristianismo, então, pergunto eu, porque é que os mitologistas estão a avançar com a tese de que este textos têm datas anteriores ao Cristianismo? Porque é que eles alegam que a igreja Cristã primitiva copiou elementos destas religiões secretas quando, logicamente, eles nunca o poderiam ter feito?

O Professor T. N. D. Mettinger (Universidade Lund), bem como a maioria dos académicos das áreas de especialização relevantes, acreditam que antes de Cristo, ou antes do advento do Cristianismo no princípio do século 1, não existiam deuses que morriam e ressuscitavam: “O consenso – quase universal – entre os estudiosos modernos é que não existiam deuses que morriam e que ressuscitavam antes do Cristianismo. Todos eles datam de eras posteriores ao primeiro século….As referências à ressurreição de Adónis foram datadas essencialmente para momentos já dentro da Era Cristã.”

Edwin Yamauchi escreve que “a suposta ressurreição de Átis não aparece até 150 AD.” O próprio professor Ronald Nash opina que “O Mitraísmo floresceu depois do Cristianismo – e não antes – e como tal, o Cristianismo nunca poderia ter copiado do Mitraísmo. Se por acaso o Mitraísmo tivesse influenciado o desenvolvimento do Cristianismo do primeiro século, o timing está totalmente errado.”

Motivo 5: Os Judeus eram pessoas que certamente não deixariam que mitos pagãos invadissem a sua cultura.

Para começar, por diversas vezes no Antigo Testamento os Judeus rejeitaram o Deus Verdadeiro enveredando pela idolatria; nós sabemos disso porque foi reportado. No entanto, não existem evidências de que isto aconteceu na Palestina do primeiro século durante a altura em que Jesus vivia, para além do facto dos Fariseus que Ele encontrou certamente que não encorajarem a religião pagã.

Mesmo assim, os Judeus eram uma comunidade rigorosa quando o tópico era o que eles acreditavam ser verdade e o que eles pensavam que se deveria practicar em conformidade com essa crença. Eles eram rigidamente monoteístas (crendo Num só Deus), e isto pode ser visto nas Narrativas do Antigo Testamento onde as leis eram estritamente colocadas em práctica como forma de evitar a influência das religiões externas das outras pessoas perversas (tais como os Cananeus). Até o Primeiro Mandamento emitido aos Judeus por parte de Deus diz:

Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de Mim. –  Êxodo 20:2-3

Os Judeus eram a única cultura que não permitiria que a sua herança e as suas tradições fossem manchadas pelo paganismo – que, para eles, era uma abominação e uma desgraça. William Lane Craig, um conhecido intelectual Cristão, filósofo, e conhecedor do Novo Testamento, escreve no seu artigo ‘Jesus and Pagan Mythology’: “Jesus e os Seus discípulos era Judeus Palestinos do primeiro século, e é de acordo com este pano de fundo que eles têm que ser entendidos.”

Também Ben Witherington, Professor de estudos do Novo Testamento, ressalva que:

Até uma leitura superficial das partes relevantes dos clássicos Gregos e Latinos revela que esta noção [a ressurreição] não era parte normal do léxico pagão em relação à vida depois da morte. De facto, tal como Actos 17 sugere, era mais provável eles ridicularizarem esta ideia, do que não ridicularizarem. Posso entender a teoria apologética se, e só se, os Evangelhos fossem dirigidos de forma geral aos Judeus Farisaicos ou aos seus simpatizantes. No entanto, não conheço académico algum que tenha alegado em favor dessa posição.

William Craig prossegue escrevendo que “A superficialidade dos alegados paralelos é apenas um indicador de que a mitologia pagã é a estrutura interpretativa errada para se entender a crença dos discípulos da ressurreição de Jesus”, e que “…qualquer pessoa que prossiga com esta objecção tem o ónus da prova. Esta pessoa tem que mostrar que as narrativas são paralelas e que elas se encontram unidas por casualidade.”

Craig conclui o seu texto, dizendo: “É algo que confunde a nossa mente pensar que os discípulos originais subitamente e sinceramente tenham começado a acreditar que Jesus de Nazaré tinha ressuscitado dos mortos só porque eles tinham ouvido alguns mitos pagãos sobre a morte e a ressurreição de deuses sazonais.”

E.P. Sanders parece sugerir que Jesus faz mais sentido dentro do mundo Judaico do primeiro século: “… actualmente, a visão dominante [entre os académicos] parece ser a de que podemos saber muito bem o que Jesus Se propôs a cumprir, que podemos saber muito bem o que Ele disse, e que estas duas coisas fazem sentido dentro do Judaísmo do primeiro século.”

O Professor Martin Hengel salienta: “As religiões misteriosas Helenísticas … não conseguiriam obter algum tipo de influência [na Palestina Judaica].”

Motivo 6: O cânone do Novo Testamento é História, ao contrário das religiões pagãs secretas.

Os Evangelhos canónicos do Novo Testamento (onde eles residem) são os nossos mais fiáveis pedaços de informação que temos de Jesus. Estes Textos são classificados como biografia Greco-Romana, tal como escreve Graham Stanton da Universidade Cambridge: “Não creio que actualmente seja possível negar que os Evangelhos são um sub-conjunto dum alargado género de literatura antiga em torno de “vidas”, isto é, biografias.”

Semelhantemente, no seu livro com o nome “What Are the Gospels”, Charles Talbert, distinto académico do Novo Testamento, escreve de forma muito favorável sobre outro livro importante que influenciou os académicos sobre o verdadeiro género dos Evangelhos: “Este volume deveria colocar um fim a qualquer negação legítima ao carácter biográfico dos Evangelhos Canónicos.”

Até David Aune, proeminente especialista em literatura antiga, opina: “Portanto, embora [os escritores dos Evangelhos] tivessem um importante objectivo teológico, o próprio facto deles terem escolhido adoptar para o seu relato da história de Jesus as convenções biográficas Greco-Romanas, indicava que eles tinham a preocupação central de comunicar o que eles pensavam que realmente havia acontecido.”

O que corrobora ainda mais o facto dos Evangelhos serem literatura biográfica é a arqueologia, tal como Urban von Wahlde – membro da “Society of Biblical Literature” e da  “Studiorum Novi Testamenti Societas” – conclui: “[A arqueologia] demonstra toda a extensão da precisão e do detalhe do conhecimento do Evangelista…… As referências topográficas…..são totalmente históricas…… algumas [partes dos Evangelho] são bastante exactas, detalhadas e históricas.”

Bart Ehrman também comenta: “Se os historiadores querem saber o que Jesus disse e fez, eles estão mais ou menos constrangidos a usar os Evangelhos do Novo Testamento como as suas fontes primárias. Deixem-me salientar que isto não é por motivos religiosos ou teológicos – por exemplo, que só estes são fiáveis; é pura e simplesmente por motivos históricos.”

O que isto revela é que os Evangelhos encontram-se enraizados na História, ao contrário do que ocorre com as religiões pagãs secretas.

Motivo 7: Ao contrário das religiões pagãs secretas, Jesus é Uma Figura Antiga de Quem podemos saber algumas coisas, o que foi que Ele ensinou, e o que Ele fez como Figura Histórica da História.

Quer alguém acredite que Jesus realmente era o Filho do Homem, e desde logo o Próprio Deus [ed: Daniel 7:13], ou apenas um Génio Religioso do primeiro século, segundo os académicos podemos sempre extrair informação e factos da Sua vida e do Seu ministério. Um dos mais importantes académicos do Novo Testamento é Craig Evans, e ele é sobejamente conhecido e respeitado devido aos seus escritos em torno do Jesus Histórico. Isto é o que ele pensa de Jesus: “e o consenso é o de que, pronto, Ele existiu, Ele era Judeu, Ele não queria violar a Lei mas sim realizá-la. Ele via-Se a Ele mesmo como o Ungido do Senhor e  o Messias.”

E.P Sanders, outro importante académico do Novo Testamento declara que:

A reconstrução Histórica nunca é absolutamente certa, e no caso de Jesus é ocasionalmente altamente incerta. Apesar disto, nós temos uma boa ideia das linhas gerais do Seu ministério e da Sua mensagem. Sabemos Quem Ele era, o que Ele fez, o que Ele ensinou, e o porquê de ter morrido. ….. actualmente, a visão dominante [entre os académicos] parece ser o de que podemos saber muito bem o que Jesus Se propôs a realizar, e podemos saber muito do que Ele disse, e estas duas coisas fazem sentido dentro do mundo Judaico do primeiro século….. Sou de opinião de que podemos ter a certeza de que a fama inicial de Jesus resultou das curas, especialmente dos exorcismos.

Stanton, um proeminente e sobejamente respeitado académico do Novo Testamento, que já se encontra morto, opinou a dada altura que “Poucas pessoas duvidam que Jesus tinha dons pouco usuais de cura, embora sejam no entanto disponibilizadas várias explicações.”

J. Tomson, conferencista do Novo Testamento na “Sydney Missionary and Bible College” (Austrália) declara que:

Embora Ele aparentemente Se visse como o celestial “Filho do Homem” e o ” Filho Unigénito” de Deus, e nutrisse ambições Messiânicas extensas, Jesus era igualmente reticente em torno destas convicções. Mesmo assim, o facto de, depois da Sua morte e ressurreição, os Seus discípulos O terem proclamado como o Messias, pode ser entendido como um desenvolvimento directo dos Seus próprios ensinamentos.

Robert Grant, Professor Emérito de Humanidades e de Novo Testamento e Cristianismo Primitivo na Universidade de Chicago, acredita que “Jesus introduziu uma inovação singular, visto que Ele alegou também que Ele poderia perdoar os pecados. …. Jesus viveu os Seus últimos dias, e morreu, com a crença de que a Sua morte tinha como propósito salvar a raça humana.”

Maurice Casey, outro importante académico dos estudos em torno do Novo Testamento e da História, diz: “Ele [Senhor Jesus] acreditava que a Sua morte iria cumprir a vontade de Deus de redimir o Seu povo de Israel.” Mais uma vez, E.P. Sanders diz que: “Que os seguidores de Jesus (e mais tarde, Paulo) tiveram experiências de ressurreição é, segundo o meu juízo, um facto. O que realmente deu origem a estas experiências é algo que não sei”.

O que esta lista de citações dos mais proeminentes académicos do Novo Testamento dos nossos dias revela é que podemos saber muito sobre o Jesus da História. Dito de outra forma, a consenso maioritário entre os historiadores é que Jesus realmente existiu, que podemos saber o que Ele tinha em Mente a cumprir, e o que Ele pensava de Si Mesmo. Isto é totalmente diferente das tradições soltas que encontramos em redor das religiões secretivas. Ocorre com frequência os historiadores estarem altamente incertos em relação à existência de algumas destas figuras históricas por trás de algumas religiões pagãs.

Motivo 8: O Jesus da História não se enquadra n perfil de Alguém que seria um mito.

Em quase todos os aspectos, a vida de Jesus é única. Isto era tão cativante para as pessoas dos Seus dias que eles seguiram-No (mesmo até à morte). Os académicos actuais continuam a ficar surpresos e intrigados com Este Homem que andou pelas terras da Palestina do primeiro século. Tal como Edwin Judge, historiador proeminente da Universidade Macquarie, salienta:

O historiador antigo não tem problemas em olhar para o fenómeno de Jesus como histórico. Os Seus muitos aspectos surpreendentes só servem para o ajudar ainda mais a ancorar-Se na História. A mitologia e a lenda teriam gerado uma Figura muito mais previsível. Os escritos que emergiram relativos a Jesus revelam-nos também um movimento de pensamento e uma experiência de vida tão incomuns que algo muito mais substancial que a imaginação é necessário para os explicar.

C.S. Lewis é mais conhecido pelos seus ensaios sobre o Cristianismo e pela série de fantasia com o nome de “As Crónicas de Narnia”. Mesmo nos dias de hoje, quase 50 anos depois da sua morte, os escritos de Lewis ainda se encontram entre os mais lidos e os mais discutidos dentro das comunidades Cristãs. Para além disto, Lewis era também um estudioso da literatura medieval, para além de ser alguém muito versado na arte da escrita. Em relação aos Evangelhos, ele comenta:

Tudo dentro da minha vida privada centra-se no facto de eu ser um crítico literário e um historiador; esse é o meu trabalho. Estou preparado para dizer com base nisto que, se alguém pensa que os Evangelhos são lendas ou novelas, essa pessoa só está a mostrar a sua incompetência como crítico literário. Li muitas novelas e sei o suficiente sobre as lendas que surgiram entre as pessoas primitivas, e sei também que os Evangelhos não são esse tipo de coisas.

No centro dos Evangelhos está a actividade, a vida, o ministério da Pessoa de Jesus. A maior parte do que está registado nos Evangelhos encontra-se concretamente fundamentado nos registos históricos e desde logo não podem ser mitos e nem sequer podem ser comparados aos mitos – tal como Lewis salientou, “os Evangelhos não são esse tipo de coisas.”

Motivo 9: A maior parte destas religiões secretas têm muito pouco em comum com a História concreta.

Se estas religiões pagãs secretas tinham pouco em comum com o que se sabe da História, então porque é que algumas pessoas estão tão determinadas em concluir que Jesus é uma cópia? Tal como Edwin Yamauchi, Professor Emérito de História ressalva: “Todos estes mitos são representações repetitivas e simbólicas da morte e do renascimento da vegetação. Isto não são figuras históricas.” William Lane Craig escreve: “De facto, e propriamente falando, a maior parte dos académicos começou a colocar em causa a existência de mitos de deuses a morrer e a renascer!”

Motivo 10: Trabalho académico desconexo e desonesto – exemplo: Dorothy Murdock.

Outra mitologista mais ou menos conhecida é Dorothy Murdock. Eu já interagi pessoalmente com ela através da sua página no Facebook, do Youtube, bem como ter também consultado alguns dos seus artigos que se encontram no seu site com o nome de ‘The Christ Conspiracy‘. Essa interacção não acabou bem visto que quando eu tentei salientar os erros dos seus argumentos (e eles são imensos e óbvios!) fui acusado de ser sexista e chauvinista. Mas, diga-se de passagem, nunca disse que eu era perfeito. :-)

Mas falando sério, essa foi literalmente a sua resposta para mim, e eu subsequentemente banido da sua página do Facebook.

Temos também a longa interacção com Mike Licona através do seu site “Risen Jesus”, que se encontra aberto a todas as pessoas interessadas no debacle total do mitologismo (vêr a referência no final do texto).

Mike Licona é outro académico importante actual conhecedor do Novo Testamento, e também ele criticou o trabalho de Dorothy Murdoch duma forma bastante convincente. De facto, algumas das citações mais embaixo são de autoria de Mike Licona provenientes dessa interacção. Ele consultou estudiosos de áreas especializadas de conhecimento como forma de comentar mais ainda a tese de Dorothy Murdock; irei incluir essas citações.

Ressalvo que não tenho como objectivo rebaixar Dorothy Murdock, nem quero que se veja isto como um ataque pessoal visto que essa não é a minha intenção; o meu propósito é mostrar a forma como a maior parte dos estudiosos das áreas relevantes olham para os quadrantes mitologistas.

Primeiro, Bart Ehrman, que está longe de ser amigo do Cristianismo, analisa o livro de Dorothy Murdock ‘The Christ Conspiracy’, e diz que o mesmo..

Tem tantos erros factuais e tantas alegações bizarras que é difícil acreditar que a autora está a falar a sério. …. Os pontos principais de Acharya estão, na verdade, errados. …. Os mitologistas desta laia não podem ficar surpresos com o facto de não serem levados a sério pelos verdadeiros estudiosos, de não serem mencionados pelos peritos na área, e de nem chegarem a ser lidos pelos académicos.

Até o estudioso ateu Bob Price qualifica o trabalho de Murdock de “sophomoric” [ed: ao nível dum estudante universitário do 2º ano]. Ele comenta também que o livro dela é “um aleatório saco excentricidades (na sua maioria recicladas), algumas poucas dignas de consideração, a maior parte delas bastantes trémulas, e muitas claramente amalucadas.

No seu livro, Dorothy Murdock alega que Jesus é uma cópia de um dos deuses hindus, Krishna. De facto, Murdock está até disposta a levar as coisas mais adiantes no seu livro ‘Suns of God: Krishna, Buddha and Christ Unveiled’. No entanto, em relação ao ponto de Krishna ter sido crucificado antes de Jesus, Edwin Bryant, Professor de Hinduísmo na Universidade Rutgers, e alguém que traduziu o Bhagavata-Purana (a vida de Krishna) para a “Penguin World Classics”, responde:

Isto é uma idiotice de todo o tamanho. Não há parte alguma onde existe uma alusão à crucificação. Ela nem sabe do que está a falar! Vithoba era uma forma de Krishna adorado no estado de Maharashtra. Não existem deuses Indianos alguns caracterizados como crucificados.

Em relação aos alegados paralelos que Murdock tenta estabelecer entre o Hinduísmo e o Cristianismo, Benjamin Walker, no seu livro ‘The Hindu World: An Encyclopedic Survey of Hinduism’, escreve: “Não podem existir dúvidas de que os Hindus emprestaram histórias [do Cristianismo] mas não o nome.”

Murdock prossegue alegando que o Cristianismo não foi bem sucedido na Índia porque “os Brahmans reconheceram os Cristianismo como uma imitação relativamente recente das suas tradições mais antigas.” Em relação a isto, Bryant simplesmente comentou, “Comentário estúpido.” Mike Licona continua, dizendo que “a alegação de Murdock de que o Cristianismo emprestou substancialmente do Hinduísmo não tem qualquer tipo de mérito. As suas alegações são falsas, sem evidências, e revelam uma falta de entendimento da fé Hindu.”

Para além de Krishna, Murdock cita semelhanças entre Buda e Jesus como um exemplo da forma como o Cristianismo copiou do Budismo. O Professor Chun-fang Yu encontra-se na Presidência do Departamento de Religião da Universidade Rutgers, e é um especialista da fé Budista; ele comenta:

[A mulher de quem vocês falam] é uma total ignorante no que toca ao Budismo. É muito perigoso propagar tal tipo de falsa informação. Não se deve honrar [Dorothy Murdock] entrando em algum tipo de discussão com ela. Por favor, peçam a ela que faça um curso básico da religião do mundo, ou do Budismo, antes de proferir mais alguma palavra sobre um assunto que ela não sabe.

Subsequentemente, Murdock escreve sobre Josefo que menciona Jesus no seu livro ‘The Antiquities of the Jews’: “Embora muito se tenha dito destas ‘referências’, elas foram rejeitadas pelos académicos e pelos apologistas Cristãos, e qualificadas de falsificações, tal como o foram aquelas que fazem referência a João Baptista e Tiago, ‘irmão de Jesus’.”

Em resposta, Mike Licona comenta que: “A alegação de Dorothy Murdock é grosseiramente ingénua, para além de falsa. A passagem de Josefo sobre João Baptista é considerada como autêntica e dificilmente colocada em causa pelos estudiosos. “

Edwin Yamauchi, Professor de Históra na Universidade de Miame, escreve: “Nenhum estudioso colocou em causa autenticidade desta passagem, embora existam algumas diferenças entre a descrição de Josefo e a dos Evangelhos….”

Jesus_RamosRobert Van Voorst, estudioso do Novo Testamento no “Western Theological Seminary” também comenta que esta passagem de Josefo em relação a João Baptista é “tida como inquestionavelmente genuína por parte da maioria dos interpretadores” e que “os académicos são de opinião de que ela é independente do Novo Testamento.”

John Meier, Professor de Novo Testamento na “Catholic University of America” escreve que a menção a João Baptista por parte de Josefo é “aceite como autêntica por parte de quase todos os estudiosos” e que “é simplesmente inconcebível como trabalho Cristão de qualquer que seja o período.” O estudioso Judeu Louis Feldman, da Universidade Yeshiva e talvez o perito mais proeminente dos escritos de Josefo, fala desta passagem:

Não pode existir qualquer tipo de dúvida em relação à genuinidade da passagem de Josefo em relação a João Baptista.

Portanto, os comentários de Dorothy Murdock, de que esta passagem “foi rejeitada tanto pelos estudiosos como pelos apologistas Cristãos, e qualificada de falsificação” é claramente falsa.

No seu livro, Murdock alega que a mitologia envolveu o Cristianismo logo ao princípio devido aos “sinais ou constelações do Zodíaco”. Na sua resposta a isto, Noel Swerdlow, Professor de Astronomia e Astrofísica na Universidade de Chicago, diz: “…. ela está dizer algo que ninguém do mundo antigo teria pensado visto que a constelação das estrelas fixas onde estivesse o equinócio vernal era algo sem significado  e uma ideia totalmente moderna que nos chega, penso eu, da astrologia do século 20.”

Em resposta à alegação de Murdock de que Jesus nunca existiu na História, Mike Licona oferece um desafio: “Desafio a senhora Murdock a citar uma pessoa para além de Jesus, que viveu no primeiro século (Augusto, Tibério, Nero, etc), que seja mencionada por 17 pessoas que não partilham das suas convicções, e que escrevem no espaço de 150 anos depois da sua vida. Nenhuma figura do primeiro século estão tão bem confirmada como Jesus.”

As coisas tornam-se ainda mais aflitivas para Murdock quando Mike pesquisa as fontes que ela havia citado como fundamento para o seu trabalho:

Practicamente todas as fontes são secundárias e não primárias. Por exemplo, ela cita Adolf Hitler a dizer que eram as suas convicções Cristãs que o levavam a tentar exterminar os Judeus. Onde foi que Hitler disse isto? Nunca ficaríamos a saber a partir do seu livro visto que a sua fonte é “The Woman’s Encyclopedia of Myths and Secrets”! Noutro ponto, ela cita Otto Schmiedel, no entanto, se analisarmos a nota final, ficaremos a saber que a sua fonte é Rudolf Steiner, um místico.

Licona prossegue fazendo uma analogia em relação ao trabalho de Murdock: “É como alguém alegar que o terrorismo justifica-se, e depois citar 10 terroristas a alegar que o terrorismo é justo. No entanto, isto de maneira alguma serve de apoio à  sua posição de que o terrorismo justifica-se, mas sim que algumas pessoas pensam que sim. Isto indica também que ela não verificou as alegações das suas fontes, mas aceitou-as de modo acritico.”

Mike Licona conclui dizendo que: “…..em termos deste livro ser uma descrição responsável das origens do Cristianismo, isso não tem aproveitamento algum.”

Seria sensato da minha parte não definir de forma abrangente os mitologistas da mesma forma que se define Murdock visto que outros, tais como Price e Carrier, exigem uma maior atenção (embora de maneira nenhuma eles sejam vistos como convincentes pela esmagadora maioria dos estudiosos das disciplinas relevantes). Foi o trabalho de pessoas como Dorothy Murdock que causou a que quase todo o consenso académico virasse as suas costas aos mitologistas.

Motivo 11: Nenhum dos académicos mitologistas é um académico na áreas relevantes sobre as quais eles escrevem.

Antes de levarmos em conta qualquer argumento que os mitologistas colocam sobre as mesas, temos que ficar imediatamente alertas. Temos que perguntar o porquê  de nenhum dos profissionais das áreas relevantes, ou alguém que de facto dê aulas em universidades credenciadas um pouco por todo o mundo, parece defender este ponto de vista radical. Tal como Ben Witherington, Professor de Estudos do Novo Testamento, ressalva: “Nenhum destes autores e fontes é perito na Bíblia, na História Bíblica, no Antigo Médio Oriente, Egiptologia, ou qualquer dos campos relativos….. Eles não são fontes de informação fiáveis sobre as origens do Cristianismo, Judaísmo, ou de qualquer outra coisa relevante para a discussão.”

John Dickson, historiador de Cristianismo antigo e de Judaísmo, declara, “Mas qualquer pessoa que mergulhe superficialmente nas milhares de monografias seculares e nos artigos de revistas profissionais sobre o Jesus Histórico, irá rapidamente descobrir que os mitologistas são vistos por 99% da comunidade académica como ‘discrepantes’, e na periferia da periferia.”

Subsequentemente, Michael Bird, que se encontra no conselho editorial do “Journal for the Study of the Historical Jesus”, como é também um Membro do “Center for Public Christianity”, prossegue dizendo, “Existe uma razão do porquê este ponto de vista só ser mantido por um energético grupinho de ateus periféricos e nunca ser visto como uma possibilidade por parte dum académico experiente e respeitado que trabalhe no campo das Origens do Cristianismo.”

Parece que muitos destes mitologistas são conhecidos por serem ateus, e do grupo de ateus que é vocalmente anti-religião. Será que é por isto que eles são defensores da teoria mitologista? Isto faria sentido, visto que atacar a Pessoa por trás da religião – neste caso, Jesus – é a melhor forma de desacreditá-la. Faço minhas as palavras de Mettinger: “A partir dos anos 30 [do século 20]  . . . gerou-se o consenso de que os “deuses que morrem e ressuscitam” morriam mas não voltavam e nem ressuscitavam. Aqueles que pensam de outra forma são vistos como membros residuais duma espécie quase extinta.”

Motivo 12: O nascimento virginal de Jesus é único.

Um dos muitos eventos que os Cristãos do mundo inteiro celebram é o nascimento de Jesus no dia 25 de Dezembro. Claro que em lugar algum da Bíblia existe a alusão a esta data específica para o nascimento de Jesus; nós pura e simplesmente não sabemos quando foi que Ele nasceu. Mas em relação à singularidade da concepção virginal de Maria, o académico Bíblico Raymond Brown conclui: “Nenhuma busca por paralelos nos forneceu uma explicação satisfatória da forma como os Cristãos primitivos chegaram à ideia da concepção virginal.”

Para aqueles que alegam que Mitra – o deus pagão- – nasceu exactamente da mesma forma que Jesus, Manfred Clauss, professor de história antiga na “Free University of Berlin”, escreveu o seguinte no seu livro ‘The Roman Cult of Mithras‘: “Segundo nos é possível apurar, a sequência de imagens da descrição mitológica da vida e das explorações de Mitra tem início com o nascimento do deus. Neste ponto, as fontes literárias são poucas mas inequívocas: Mitra era conhecido como o deus que havia nascido duma rocha.”

Subsequentemente, depois da sua análise crítica a esta alegação, Louis Matthews Sweet escreve:

Depois dum cuidadoso, laborioso, e ocasionalmente cansativo, estudo das evidências disponibilizadas e das analogias avançadas, estou convencido de que o paganismo não tem conhecimento de nascimentos virginais. Existem muitos nascimentos sobrenaturais, mas nunca duma virgem ao estilo do Novo Testamento, e nunca sem uma geração física  –  excepto em alguns casos isolados de nascimentos mágicos a partir de mulheres cuja virgindade nunca havia sido previamente alegada. Em todos os casos registados que fui capaz de examinar, se a mãe era virgem antes da concepção ter ocorrido, ela não poderia fazer essa alegação posteriormente.

No seu livro ‘The Virgin Birth’, Thomas Boslooper salienta que: “A literatura mundial é prolífica com narrativas de nascimentos pouco usuais, mas ela contém precisamente zero analogias ao nascimento virginal presente em Mateus e Lucas. O “nascimento virginal” de Jesus não é ‘pagão'”. O eminente filósofo e académico do Novo Testamento William Lane Craig escreve: “As histórias dos Evangelhos relativas à concepção virginal não têm, na verdade, paralelos com qualquer outra história do Oriente Próximo.”

O nascimento virginal de Jesus é, se é alguma coisa, explicitamente único, e este facto convenceu a larga maioria dos académicos do campo. Parece que aqueles que alegam o contrário encontram-se em oposição à conclusão mantida pelos académicos do mundo da História.

Motivo 13: A morte e a ressurreição de Jesus tiveram um impacto radical nos Seus discípulos, bem como em muitas pessoas – algo que nenhum deus pagão pode alegar.

Num artigo presente no New York Times, Peter Steinfels – jornalista Americano e educador melhor conhecido pelos seus escritos relativos a tópicos religiosos – questiona o que pode ter alterado de maneira drástica as vidas de tantas pessoas depois da morte de Jesus:

Pouco depois de Jesus ter sido executado, os Seus seguidores foram subitamente galvanizados de um grupo perplexo e encolhido para um grupo cuja mensagem em torno Dum Jesus Vivo e do Seu reino vindouro, pregado com risco para as suas vidas, eventualmente alterou um império. Alguma coisa aconteceu. … Mas o quê?

Até o notável e céptico académico do Novo Testamento, Bart Ehrman, nota que: “Podemos afirmar com certeza absoluta que, algum tempo depois, alguns dos Seus discípulos insistiram … que Ele lhes havia aparecido, convencendo-os de que Ele havia ressuscitado dos mortos.” E.P Sanders escreve que “Segundo o meu julgamento, que os seguidores de Jesus (e mais tarde Paulo) tiveram experiências de ressurreição é um facto. O que eu não sei é o que foi que gerou estes experiências.”

Rudolph Bultmann, tido como um dos mais influentes académicos do Novo Testamento, escreve que: “Tudo o que o criticismo confirmou foi que os primeiros discípulos vieram a acreditar na ressurreição.” Luke Johnson, académico do Novo Testamento na Universidade Emory, prossegue dizendo que “Para gerar o tipo de movimento que o Cristianismo primitivo foi, é preciso que ocorra algum tipo de experiência poderosa e transformadora.”

Dale C. Allision, outro proeminente académico do Novo Testamento e historiador do Mundo Antigo nota que: “Estou certo que os discípulos viram Jesus depois da Sua morte”. O que torna este caso ainda mais convincente é que estes mesmos seguidores, e até os cépticos Paulo e Tiago, seguiram até à morte proclamando que Jesus realmente lhes tinha aparecido (exceptuando João que foi exilado na ilha de Patmos). O que é que pôde alterar de forma tão drástica a vida de tantos homens? Nada disto pode ser atribuído a mitos.”

Motivo 14: A ressurreição dos mortos de Jesus é única.

Como um evento histórico dentro do contexto Judaico do primeiro século, a ressurreição de Jesus é um evento único. Os alegados paralelos que os mitologistas parecem criar entre Jesus e os deuses pagãos são espúrios. Como diz o académico Bart Ehrman, “nada na história deles [Hèrcules e Osíris] fala em morte e ressurreição” e “É verdade que Osíris ‘regressa’ à terra….. Mas isto não é uma ressurreição do seu corpo visto que o mesmo permanece morto. Ele mesmo encontra-se em Hades, regressando ocasionalmete para fazer o seu aparecimento na Terra.”

T.D. Mettinger escreve: “não existiam ideias de ressurreição associadas a Dumuzi / Tammuz” e “A categoria de deuses que morrem e ressuscitam, tal como propagada por  Frazer, ja não pode ser confirmada.” Edwin Yamauchi diz: “não há qualquer ressurreição de Marduk ou de Dionísio …… não houve uma genuína ressurreição de Tammuz.”

Jonathan Z. Smith na ‘The Encyclopaedia of Religion‘ diz: “Não há uma instância histórica não-ambígua duma divindade que morre e que ressuscita.” T.N. Mettinger da Universidade de Lund diz que “Embora estudada favoravelmente segundo o pano de fundo da crença Judaica da ressurreição, a fé na morte e na ressurreição de Jesus retém a sua natureza única dentro da história das religiões. O enigma permanece.”

O professor Ronald Nash acrescenta: “Alegações duma dependência do Cristianismo primitivo em relação ao Mitraísmo foram rejeitadas por diversos motivos. O Mitraísmo não tinha um conceito da morte e da ressurreição do seu deus, e em lugar algum fala dum conceito de renascimento – pelo menos não durante as suas fases iniciais.”

O proeminente teólogo Norman Geisler escreve que existem diferenças enormes nas ressurreições de Osíris e de Jesus:

O único relato conhecido duma deus a sobreviver a morte que predata o Cristianismo é o do deus Egípcio Osíris. Neste mito, Osíris é cortado em 14 bocados, espalhado por todo o Egipto, e mais tarde remontado e trazido de volta à vida por parte da deusa Ísis. No entanto, Osíris não chega a regressar para uma vida física mas permanece como membro do submundo sombrio.…Isto é muito diferente da descrição da ressurreição de Jesus.”

Podemos ver os peritos mais importantes deste campo a ressalvar de forma unânime que os alegados paralelos nem chegam a ser paralelos, mas sim comparações forçadas e espúrias a todos os níveis. Não só isso, mas todos estes alegados deuses pagãos chegaram depois do Cristianismo, e desde logo, os Cristãos da Palestina do primeiro século nunca poderiam ter sido os plagiadores. O único alegado paralelo que precede o advento do Cristianismo primitivo é o do deus Egípcio Osíris, mas como já vimos, e como ressalvou Norman Geisler, não há qualquer ligação lógica entre isso e o Jesus Histórico.

Motivo 15: A noção de Jesus ser uma cópia de Mitras é rejeitada pelos académicos.

Algumas pessoas alegam que Jesus á uma cópia de Mitra, fundamentado as suas alegações  nas comparações que se seguem.

1. Mitra sacrificou-se.
2. Ele ressuscitou.
3. Ele tinha discípulos.
4. Mitra nasceu no dia 25 de Dezembro.
5. Ele foi chamado de “O Messias”.
6. Ele nasceu duma virgem.

Tudo isto é bastante duvidoso visto que pouco se sabe sobre o Mitraísmo (porque nenhum texto foi alguma vez encontrado, e nenhum existe). Tudo que sabemos chega-nos da arqueologia sob a forma de centenas de mithraea que foram descobertas, e sob a forma de escritos de Cristãos e de outros pagãos do 2º e do 3º século.

Segundo: os estudiosos não encontraram evidência clara de Mitraísmo até meados do 1º século, isto é, depois do estabelecimento do Cristianismo. Logo, os Cristãos primitivos nunca poderiam ter copiado coisa alguma visto não existia nada para copiar.

Terceiro: as comparações são espúrias a todos os níveis. Para começar, Mitra não se sacrificou de maneira nenhuma e ninguém sabe de forma exacta SE ou COMO foi que ele morreu. Os académicos parecem acreditar que Mitra foi morto por um touro e esta matança por parte do touro parece ser a fonte do ritual Mitraísta conhecido como o  taurobolium – a matança do touro e a permissão de se deixar que o sangue ensope o adorador.

Diga-se de passagem que podem existir paralelos entre este ritual e o sacrifício de animais Judaico, ou a Eucaristia Cristã, mas a referência mais antiga a este ritual é datado de meados do 2º século, e estas comparações, mesmo que estejam certas, são mais recentes que o Cristianismo. Como salientou Ronald Nash: “De facto, existem evidências inscripturais provenientes do 4º século AD que, longe de terem influenciado o Cristianismo, aqueles que usavam o taurobolium foram influenciados pelo Cristianismo.”

Da mesma forma que não temos qualquer evidência de Mitra a morrer, também não temos qualquer evidência dele a ressuscitar – especialmente não da mesma forma que Jesus ressuscitou. A alegação de que Mitra tinha discípulos está incorrecta; não existem evidências dele ter existido como figura histórica, e não existem evidências dele alguma vez ter tido discípulos. Ele era visto como um deus e não como um ser humano.

Quarto: Mitra não nasceu duma virgem (a menos que olhemos para as rochas como virgens). Tal como Clauss, professor de História Antiga na “Free University of Berlin” explicou no seu livro ‘The Roman Cult of Mithras‘: “Segundo podemos saber, a sequência de imagens provenientes da descrição mítica da vida e explorações de Mitra têm início no nascimento do deus. Neste ponto as fontes são escassas mas inequívocas: Mitra era conhecido por ser um deus nascido duma rocha.”

Quinto: Encorajo qualquer pessoa a avançar-me com evidências de Mitra a ser chamado de “Messias” visto que não existem evidências em favor desta alegação. Tal como  concluiu Gary Lease, Professor na Universidade da Califórnia: “Depois de quase 100 anos de trabalho incessante, a inevitável conclusão é de que nem o Mitraísmo nem o Cristianismo foram uma influência óbvia e directa um para o outro”.

O académico Edwin Yamauchi salienta: “Não sabemos nada sobre a morte de Mitra…. Temos muitos monumentos, mas quase nem temos evidências textuais devido ao facto desta ser uma religião secreta. Mas não conheço referência alguma a uma suposta morte e ressurreição.”

Motivo 16: A noção de Jesus ser uma cópia de Hórus é rejeitada pelos académicos, e eis o porquê.

Algumas pessoas alegam que Jesus é um cópia de Hórus, avançado com as comparações que se seguem:

1. Hórus nasceu no dia 25 de Dezembro
2. Mary [Maria], a Mãe de Jesus, é uma cópia do relato de Hórus.
3. Hórus nasceu duma virgem.
4. Três sábios vieram adorar o “salvador” recém-nascido.
5. Era um salvador.
6. Tornou-se num professor com a idade de 12 anos.
7. Tal como Jesus, Hórus foi “baptizado”.
8. Teve um “ministério”.
9. Teve 12 “discípulos”.
10. Foi crucificado, esteve enterrado durante 3 dias, e foi ressuscitado depois de 3 dias.

Hórus nasceu no mês de Khoiak, que seria equivalente a Outubro ou a Novembro, e certamente que não seria o dia 25 de Dezembro tal como alegam os mitologistas. É importante salientar que nós não sabemos quando foi que Jesus nasceu, e quase de certeza que não foi no dia 25 de Dezembro. Consequentemente, este alegado “paralelo” tem que ser rejeitado imediatamente.

Segundo: Hórus teve como mãe Isis, e não há qualquer menção dela alguma vez vir a ser chamada de “Mary” por alguém, em parte alguma. Pior ainda para quem usa isto como paralelo é o facto de “Mary” ser a forma Anglicizada do seu verdadeiro nome, que é na verdade Miryam or Miriam; desde logo, “Mary” não foi usado nos manuscritos originais.

Terceiro: Isis não era virgem, mas sim a viúva de Osíris com quem havia concebido Hórus. O que lêmos é que “[Isis] causou a que se levantasse o desamparado membro [pénis] daquele cujo coração estava amparado, ela extraiu dele a sua essência [esperma], e ela fez daí que surgisse um herdeiro [Hórus].(Encyclopaedia Mythica)

Quarto: Não há qualquer registo de três reis a visitar Hórus aquando do nascimento deste último. Isto torna-se ainda mais erróneo se levarmos em conta que os relatos do Evangelho nunca declaram o número de reis que vieram ver Jesus aquando do Seu nascimento. Este paralelo provavelmente é mais uma criação da mente do mitologista visto que não podemos esquecer que, quando Ele nasceu, foram oferecidos a Jesus três presentes distintos (ouro, incenso e mirra), e desde logo, ele [o mitologista] conclui que eram três reis. Sugiro a qualquer pessoa que leia os Evangelhos em Mateus 2:1-12.

Quinto: Hórus não era de maneira alguma um salvador, e ele nem chegou a morrer pelos outros como Jesus fez.

Sexto: Desafio qualquer pessoa a encontrar uma única evidência de Hórus a ser identificado como professor com a idade de 12 anos; não há, e nenhum académico encontrou alguma.

Sétimo: Hórus não foi “baptizado” – pelo menos não da forma como Jesus foi baptizado por João Baptista no Rio Jordão. O único relato de Hórus que envolve água é aquela onde Hórus é despedaçado, o que levou a Isis a requisitar ao deus-crocodilo que o pescasse das águas. Soa mesmo como o baptismo, certo?

Oitavo: Não temos evidência alguma de Hórus a ter um “ministério”, especialmente não um como o de Jesus.

Nono: Hórus não tinha 12 discípulos. Segundo os dados, Hórus tinha 4 semi-deuses que o seguiam, e existem alguns indícios de 16 seguidores humanos e um número desconhecido de ferreiros que foram para a guerra com ele. Devido a isto, eu pergunto: onde estão esses “12 discípulos”?

Décimo: existem várias descrições da forma como Hórus morreu, e nenhuma delas envolve uma crucificação.

Por fim: Não temos qualquer registo de Hórus a ser enterrado durante 3 dias, e também não temos qualquer registo de Hórus a ressuscitar – pelo menos não na forma Corporal como Jesus.  Não há qualquer registo de Hórus a sair do túmulo com o mesmo corpo com que foi enterrado. Alguns relatos falam de Hórus/Osiris a ser trazido de volta para a vida e tornando-se posteriormente o senhor do submundo.

Todos estes alegados paralelos são, na melhor das hipóteses, espúrios. Encorajo todas as pessoas que lêem este texto a separarem uma hora das suas vidas para pesquisar a discussão Hórus-Jesus. Acabarão por ficar a coçar a cabeça tal como aconteceu comigo.

Motivo 17: A noção de que Jesus é uma cópia de Dionísio foi rejeitada pelos estudiosos, e eis porquê.

Algumas pessoas alegam que Jesus é uma cópia de Dionísio, e listam os seguintes paralelos:

1. Dionísio nasceu duma virgem.
2. Ele nasceu no dia 25 de Dezembro.
3. Transformou água em vinho.

O ponto 2 pode ser imediatamente colocado de parte porque não sabemos quando foi que Jesus nasceu. De qualquer forma, Dionísio está associado ao regresso sazonal da Primavera.

Segundo: Existem duas histórias comuns em relação ao nascimento de Dionísio. Uma envolve o deus Zeus – que é o seu pai – a engravidar uma mulher mortal com o nome de Semele, ou a engravidar Perséfone (Rainha Grega do submundo). Isto não está relacionado com um nascimento virginal. Na outra narrativa não só não há qualquer nascimento virginal, como ela parece ter sido copiada da Bíblia visto que está a descrever o que o Livro de Génesis havia dito milhares de anos antes. Nesta narrativa do nascimento de Dionísio é descrita a presença de anjos caídos e deles a engravidar mulheres humanas.

Portanto, quem é que está a copiar?

Todos nós estamos familiarizados com a história de Jesus a transformar água em vinho, mas será isto uma cópia do deus Dionísio? Primeiro, Dionísio deu ao Rei Midas a capacidade de transformar em ouro o que quer que ele tocasse. Semelhantemente, ele deu às filhas do Rei Anius o poder de transformar em vinho, milho ou óleo tudo o que elas tocassem. Mas nada disto pode ser surpreendente visto que Dionísio era o deus do vinho. No entanto, existem histórias de Dionísio a preencher de modo sobrenatural  vasos vazios com vinho, mas o acto explícito de transformar água em vinho não ocorre.

Motivo 18: A noção de Jesus ser uma cópia de Krishna foi rejeita pelos estudiosos, e eis o porquê.

Alguns alegam que Jesus é uma cópia de Krishna, listando as comparações que se seguem:

1. Krishna nasceu duma virgem.
2. Ocorreu um massacre infantil.
3. Havia uma estrela no Oriente que orientou os sábios até ao seu local de nascimento.
4. Krishna foi crucificado.
5. Ele ressuscitou.
6. O pai de Krishna era um carpinteiro, tal como o pai de Jesus.

Para começar, nenhum nascimento virginal é alguma vez atribuído a Krishna. De facto, antes dele, os seus pais tiveram sete filhos. Alguns mitologistas alegam que Krishna nasceu da virgem Maia, no entanto o que nós apuramos é que isto está incorrecto visto que, segundo os textos Hindus, Krishna é o sétimo filho da Princesa Devaki e do seu marido Vasudeva.

Nos Evangelhos, vêmos que  o Rei Herodes sentiu-se ameaçado com o nascimento de Jesus. e devido a isso, recorreu à matança dos bebés de Belém. Será isto uma cópia duma narrativa relativa a Krishna? O que ficamos a saber é que os seis filhos prévios de Devaki foram assassinados pelo seu primo – o Rei Kamsa – devido a uma profecia que antecipava a sua [do Rei Kamsa] morte pela mão dum dos filhos de Devaki. Esta narrativa diz que Kamsa apenas atacou os filhos de Devaki e que nunca emitiu uma ordem de matança aos bebés do sexo masculino – totalmente diferente dos relatos dos Evangelhos. Eis o que ‘Bhagavata, Bk 4, XXII:7‘ diz:

E portanto, seis filhos nasceram de Devaki e também Kamsa matou estes seis filhos consecutivamente à medida que eles iam nascendo.

Terceiro: o que dizer da estrela e dos sábios? Isto é logicamente uma falácia visto que Krishna nasceu numa prisão e não num estábulo; os seus país deram-lhe à luz em segredo.

Algumas pessoas chegaram a alegar que Krishna foi crucificado tal como Jesus foi, mas a crucificação não chega a ser mencionada uma única vez no texto Hindu. No entanto, é-nos dita a forma exacta como Krishna morreu. A narrativa diz que ele estava a meditar na floresta quando foi acidentalmente atingido no pé pela seta dum caçador.

E a ressurreição? Antes de mais, convém ressalvar que não temos qualquer tipo de evidência de que Krishna desceu ao túmulo durante 3 dias, voltando mais tarde a aparecer a várias testemunhas como Jesus – paralelo que os mitologistas dizem que existe. Em vez disso, o relato diz que Krishna regressa imediatamente à vida, e que ele fala só para o caçador como forma de o perdoar pelas suas acções.

Independentemente disso, existem diferenças óbvias entre a ressurreição de Jesus e os aparecimentos de Krishna ao caçador que o matou:

• A ressurreição de Jesus derrotou o poder do pecado e da morte; a ressurreição de Krishna não teve efeito real nenhum sobre a humanidade.

• Jesus apareceu a aproximadamente 500 testemunhas no Novo Testamento; Krishna só apareceu ao caçador.

• Jesus ressuscitou dos mortos 3 dias mais tarde; Krishna regressou imediatamente para a vida.

• Jesus não ascendeu imediatamente ao Céu mas fê-lo depois da Grande Comissão; Krishna “ascendeu” imediatamente para a vida depois da morte.

• Jesus sabia o que estava em vias de acontecer; Krishna não sabia antecipadamente os detalhes sobre a sua morte.

• Jesus ascendeu para um domínio físico (Céu); Krishna transcendeu para um estado mental (ou região inconcebível). Os conceitos de Céu (Cristianismo) e Nirvana (Hinduísmo) são muito distintos.

Por fim, era o pai de Krishna, Vasudeva, um carpinteiro tal como o era o pai Terreno de Jesus? De facto, é verdade que se diz que o pai de Krishna era também um carpinteiro, mas nada disto está evidente dentro dos textos Hindus. O que nos é dito é que Vasudeva era um fidalgo na corte de Mathura visto que ele era casado com a Princesa Devaki. No entanto, quando Krishna fugiu da ira de Kamsa com os seus pais adoptivos, é-nos dito que o seu pai-adoptivo – Nanda – era um pastor de vacas:

Tu és o mais amado de Nanda, o Pastor de Vacas (Bhagavata, Bk 8, I, pg 743).

Motivo 19: A noção de que Jesus é uma cópia de Átis é rejeitada pelos académicos, e seguidamente vamos ver o porquê.

Algumas pessoas alegam que Jesus era uma cópia de Átis, citando as seguintes comparações:

1. Átis nasceu duma virgem
2. Nasceu no dia 25 de Dezembro.
3. Foi crucificado.
4. Ressuscitou.

Antes de alguma coisa ser levada em consideração, os relatos que temos de Átis são muito abrangentes e, como tal, não são muito fiáveis. De qualquer forma, podemos ver que Átis não nasceu duma virgem. De facto, segundo esta lenda, Agdistis surge da Terra como descendente de Zeus. Agdistis dá à luz o Rio Sangario que gera a ninfa, Nana, que ou tem um amêndoa junto ao seu peito e engravida da amêndoa, ou se senta por baixo duma árvore onde uma amêndoa cai no seu colo e engravida-a.

Mais tarde, Nana abandona a criança que é, então, criada por uma cabra. Somos levados a assumir que Átis foi concebido a partir duma semente de amêndoa que caiu duma árvore como consequência do sémen derramado de Zeus – e não um nascimento virginal.

Mais uma vez, e tal como dito repetidamente, o dia 25 de Dezembro não tem qualquer significado visto não sabermos quando foi que Jesus nasceu, e desde logo, qualquer paralelo não pode ser, logicamente, um paralelo pagão.

Terceiro: o que dizer da crucificação? Mais uma vez podemos ver que este é um paralelo falso uma vez que Átis castra-se a si mesmo por baixo duma árvore e morre de se esvair em sangue até à morte. Átis castrou-se depois de ter sido enlouquecido antes do seu casamento com Agdists. Subsequentemente, o seu sangue flui pelo chão (proveniente do seu pénis cortado) e gera um trecho de violetas. De que forma é que crucificação é aludida aqui?

Quarto: Será que Átis ressuscitou tal como Jesus ressuscitou? Existem relatos distintos em relação a isto. Numa das narrativas ficamos a saber que Agdistis é sobrepujada de remorso pelo que fez (ter causado a que Átis se castra-se e morresse devido a isso), e como tal, pede a Zeus que preserve o corpo de Átis de forma que ele nunca entre em decomposição. Onde está a ressurreição?

Noutro relato, Agdistis e a Grande Mãe Terra carregam o pinheiro de volta para a caverna onde ambas choram a morte de Átis. Não só não ocorre ressurreição alguma, como temos também o facto das histórias em torno duma ressurreição só surgirem muito mais tarde quando Átis é transformado num pinheiro. Ser transformado num pinheiro é diferente de Jesus ressuscitar fisicamente dos mortos. Actualmente, é por demais óbvio que Jesus não é uma cópia do deus pagão Átis.

Motivo 20: A noção de Jesus ser uma cópia de Buda (Gautama) é rejeitada pelos académicos, e seguidamente vamos ver o porquê.

Algumas pessoas alegam que Jesus é uma cópia de Buda, fornecendo as seguintes comparações como evidência:

1. Buda nasceu duma virgem.
2. Aquando do nascimento de Buda, estavam presentes alguns sábios.
3. Foram oferecidos (como presentes) ouro, incenso e mirra.
4. Buda nasceu no dia 25 de Dezembro.
5. Buda era de descendência real, tal como Jesus.
6. Buda foi crucificado.

Antes de mais, Buda não nasceu duma virgem mas sim de Suddhodana e da sua esposa de 20 anos, Maya. Outro motivo para se rejeitar a alegação de que Maya era virgem é devido ao facto dela ser a esposa favorita do rei.  Os “Actos de Buda” revelam Maya e o seu marido Suddhodana a ter relações sexuais (“os dois experimentaram as delícias do amor…..”).

Segundo: parece não haver qualquer menção a sábios nos textos Budistas, e nem parece haver menção a presentes específicos (ouro, incenso e mirra). O que é, no entanto, mencionado nos escritos pós-Cristianismo é que os deuses (e não sábios) deram a Gautama sândalo, chuva, nenúfares, e flores de lótus como presentes – que são símbolos Budistas que não estão minimamente relacionados com o Cristianismo. Isto não é minimamente surpreendente visto que na cultura Budista os nascimentos reais são frequentemente celebrados com festivais e com ofertas.

Mais uma vez, não sabemos quando foi que Jesus nasceu, e como tal, não pode existir um paralelo. No entanto, e a quem interessar, o nascimento de Buda é celebrado pelos seguidores no mês primaveril de Vesak.

Ao contrário de Jesus, Gautama era um descendente real directo nascido numa situação privilegiada, enquanto que Jesus era um Descendente Distante do Rei David nascido na pobreza; eles são fundamentalmente opostos.

Não parece existir qualquer tipo de menção a uma crucificação em qualquer fonte Budista, De facto, é-nos dito que, a verdade, Gautama morre de causas naturais com 80 anos. Os seus seguidores acompanham-no até a um rio e dão-lhe uma cama:

‘Sejam suficientemente bondosos e estendam uma cama para mim…. visto que estou cansado e quero deitar-me…..’ Então [Buda] caiu num profundo sono de meditação, e atravessou as quatro jhanas e entrou no Nirvana.

Motivo 22: A noção de Jesus ser uma cópia paralela de Zoroastro é rejeitada pelos académicos, e eis aqui o porquê.

Algumas pessoas alegam que Jesus é uma cópia de Zoroastro, e avançam com os seguintes paralelos:

1. Zoroastro nasceu duma virgem.
2. Foi tentado no deserto.
3. Deu início ao seu ministério com a idade de 30 anos, tal como Jesus.
4. Sacrificou-se pelos pecados da humanidade.

Não há qualquer menção a uma nascimento virginal nos textos Zoroastrianos, e os eventos em torno do nascimento de Zoroastro não parecem ter qualquer tipo de relação com Jesus. De facto, existem duas narrativas em torno do seu nascimento. Numa das narrativas, os pais de Zoroastro – Dukdaub e Pourushasp – são um casal normal que concebeu através de métodos naturais. É dito que Zoroastro riu-se aquando do seu nascimento, como também é dito que ele tinha em redor dele uma aura visível e brilhante:

[Zoroastro] havia chegado à posterioridade..…que são Pourushasp, o seu pai, e Dukdaub, que é a sua mãe. E também no momento em que ele estava nascer, e durante a sua vida, ele produziu um esplendor, uma incandescência e um brilho a partir do lugar da sua habitação. (Denkard, Bk 5 2:1-2)

Noutra narrativa, que é um texto mais tardio, é acrescentado um embelezamento por parte dos seus seguidores Zoroastrianos. Nesta narrativa, é-nos dito que Ahura Mazda (a principal divindade do Zoroastrianismo) implantou a alma de Zoroastro na planta sagrada Haoma e através do leite da planta Zoroastro nasce. Em parte alguma o nascimento virginal está presente.

Mas será que Zoroastro foi também tentado por um espírito maligno como forma de renunciar a sua fé através da promessa de receber poder sobre as nações tal como Jesus foi? Esta história é evidente em Vendidad, um texto Zoroastriano que lista a leis relativas aos demónios. No entanto, este texto foi escrito muito depois da Vida de Jesus – cerca de 250 a 650 AD. Devido à sua data tardia, os Cristãos primitivos nunca poderiam ter copia algo presente nestes textos. De qualquer das formas, o que nós lêmos é muito parecido com os 40 dias no deserto por parte de Jesus. Em ‘Vendidad Fargad 19:6‘ lêmos:

E o Criador do mundo maligno, Angra Mainyu, disse-lhe: ‘Não destruas as minhas criaturas, Ó santo Zaratustra… Renuncia à boa Religião dos adoradores de Mazda, e  obterás um benefício tal…..como o governante das nações.’

Tal como Jesus, acredita-se que Zoroastro começou a ensinar com a idade de 30 anos. Embora tecnicamente Zoroastro tenha saído da sua reclusão e tenha dado início aos seus ensinamentos quando tinha 30 anos de idade, ele foi evitado e ignorado durante 12 anos até que a sua religião foi aceite pelo Rei Vishtaspa. No entanto, a narrativa em redor de Jesus varia de modo considerável; Jesus atraiu seguidores instantaneamente.

Acredita-se que Zoroastro foi morto quando tinha 77 anos enquanto que Jesus foi Morto quando tinha 33 anos. Isto torna-se ainda mais espúrio quando se sabe que Zoroastro só é mencionado em textos mais tardios datados de 225 AD – isto é, quase 200 anos depois do Cristianismo já estar em circulação. Logo, quem copiou quem? Certamente que não foram os Cristãos primitivos.

Por fim: foi a morte de Zoroastro espiritualmente significativa? Acredita-se que Zoroastro foi morto quando tinha 77 anos depois de ter sido chacinado por invasores Turanianos num dos altares dum dos seus templos, mas este aspecto da sua vida é motivo de debate entre os estudiosos. De qualquer das formas, a sua morte nunca foi vista como expiação de pecado ou vista de alguma forma espiritual.

Motivo 23: Resumidamente, a crucificação de Jesus é única, quando comparada a outras divindades.

No seu livro ‘The World’s Sixteen Crucified Saviors’, Kersey Graves lista os nomes das divindades que se seguem como se tivessem sido divindades crucificadas (o que, desde logo, implica que a crucificação de Jesus é pagã). Iremos agora analisar estas “crucificações” para ver se elas são realmente crucificações. Se, na verdade, elas foram crucificações, então temos que compará-las com a crucificação de Jesus e ver se é a mesma coisa.

Mitra – Foi levado, vivo, para o céu numa carruagem; isto não é uma  crucificação.

Bali – Existem vários relatos sobre a sua morte. Uma delas diz que ele foi fisicamente forçado para o submundo depois de ter sido enganado por Vamana, um avatar de Vishnu. Noutros relatos, diz-se que Bali foi libertado e foi feito membro da realeza. Nenhuma crucificação ocorre em ambos os relatos

Rómulo – Ele não foi crucificado, mas diz-se que ele foi levado para o céu ainda vivo.

Quirino – Não existem registos dele a morrer.

Iao e Wittoba – Não parece existir informação relativa à morte destes duas figuras nas fontes originais.

Orfeu – Ele não foi crucificado mas diz-se que foi morto por uma das bacantes frenéticas de Dionísio depois de se recusar a adorar outro deus que não Apolo.

Bel – Ele é frequentemente associado a Zeus, e não existem registos que pareçam indicar a sua morte.

Prometeu – Ele foi acorrentado a uma montanha como castigo por parte de Zeus e diariamente  uma águia comia o seu fígado. Mais tarde, Hércules libertou-o. Não houve crucificação.

Indra – Existem relatos distintos da morte de Indra. Num dos relatos ele foi engolido vivo por uma serpente chamada Vritra, que mais tarde o cospe a mando dum dos deuses. Uma vez que Indra foi salvo pelos deuses, não houve morte e nem crucificação.

Dionísio – Não houve crucificação; em vez disso, ele foi comido vivo pelos Titãs durante a sua infância.

Esus/Hesus – Os seus seguidores iriam participar em sacrifícios humanos enforcando as vítimas nas árvores depois da evisceração. Não há qualquer menção a uma crucificação.

Átis – Sangrou até a morte depois de se castrar.

Alcestis – Ela concorda em morrer pelo seu marido depois deste último ter feito um acordo com os deuses. Quando chega o momento, diz-se que Alcestis se encontra na sua cama. Os deuses ficam tocados com a sua devoção, ficam com pena dela, e reunem-na com o seu marido. Não há indicação duma crucificação.

Tammuz – Ele foi alegadamente morto por demónios enviados por Ishtar depois dela o ter encontrado no trono dela. Não há cruficificação.

Krishna – Como vimos em cima, sabemos que Krishna não foi crucificado visto que ele foi atingido no pé por uma seta no preciso momento em que meditava.

Osiris – Ele foi enganado por Set, selado dentro dum cofre, e largado no Rio Nilo. O método de crucificação nem sequer havia sido inventado por esta altura.

Questzalcoatl – Ele nunca foi crucificado. Numa das narrativas, ele imolou-se devido à culpa que sentia por ter dormido com uma sacerdotisa celibatária.  Noutra narrativa é-nos dito que ele foi queimado vivo com um fogo enviado pelos deuses.

Em conclusão:

Sou de opinião de que o prego foi espetado de forma bem profunda no caixão do mitologista. O que nós vêmos nos argumentos dos mitologistas são paralelos espúrios que são todos duma época posterior ao Cristianismo. Devido a isso, não é possível  que os Cristãos tenham copiado o que quer que seja, sendo até mais provável (tal como observamos explícitamente no caso de Zoroastro) que as religiões pagãs secretas tenha copiado de Jesus.

Temos também o caso da vasta maioria dos estudiosos das áreas de especialização relevantes não verem qualquer paralelo entre o Jesus da História e as religiões secretas. Não só os académicos vêem isso, mas salientam também que o Jesus Histórico é Uma Personagem Histórica Única, e que olhar para Ele através do contexto Judaico do 1º Século faz com que qualquer interpolação de paralelos pagãos muito pouco provável.

Os Judeus não só eram monoteístas rigorosos, como moldavam a sua comunidade segundo esta crença. Vêmos também nos Evangelhos que não só os Judeus tinham uma opinião muito negativa dos pagãos Romanos, como também que durante o período do Antigo Testamento olhavam para as religiões pagãos circundantes como repugnantes. Isto leva-nos a ver que estas pessoas eram muito pouco susceptíveis de incorporar elementos pagãos no seu sistema de crenças.

Vimos também que se Jesus é um cópia pagã, Ele seria muito mais previsível, coisa que Ele não é; Ele é totalmente Único no Seu ministério e no impacto que Ele teve no mundo.

Estes são apenas alguns dos motivos que fazem com que os argumentos dos mitologistas estejam mortos e enterrados, estado em que já estão há muito tempo. Tal como escreveu Mettinger a dada altura, “Começando nos anos 1930……desenvolveu-se um consenso de que “deuses que morrem e ressuscitam” morriam mas já não voltavam à vida. Aqueles que pensam de maneira distinta são vistos como membros residuais duma espécie quase extinta..”

Recursos adicionais:  Mike Licona vs. Dorothy Murdock  (Revisão do debate)

http://goo.gl/WjtdcN

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A datação por carbono confirma os “milhões de anos”?

Por John D. Morris, Ph.D.

DiamanteÉ bem provável que nenhum outro conceito seja tão mal entendido na ciência como a “datação por carbono”. A maioria das pessoas acredita que a datação por carbono confirma que a Terra tem milhões ou milhares de milhões de anos, mas a realidade dos factos é que este tipo de datação não pode ser usado para as rochas e nem para os fósseis, mas pode ser útil em formas de vida que ainda tenham carbono dentro de si (carne, ossos ou madeira). Uma vez que as rochas e os fósseis são compostos unicamente por material inorgânico, eles não podem ser datados segundo este método de datação.

O carbono normalmente ocorre como Carbono-12, mas o radioactivo Carbono-14 pode por vezes ser formado na atmosfera externa à medida que o Nitrogénio-14 sofre bombardeamento de raios cósmicos. O resultante C-14 é instável e entra em decaimento de volta para N-14 com uma meia-vida medida na ordem dos (aproximadamente) 5,730 anos. Consequentemente, o rácio do C-12 estável para o instável N-14, que é conhecido no ambiente aberto actual, altera com o passar do tempo dentro das espécies isoladas.

Consideremos a datação dum pedaço de madeira. Enquanto a árvore estiver viva, ela absorve o carbono proveniente da atmosfera sob a forma de dióxido de carbono – tanto o C-12 como o C-14. Mal a árvore morre, ela pára de absorver novas quantidades de carbono, e o C-14 que se encontre presente entra em decaimento. O rácio da mudança de C-12 para C-14 indica a duração temporal desde que a árvore parou de absorver carbono, isto é, desde o momento em que morreu.

Obviamente que se metade de C-14 decai no espaço de 5,730 anos, e mais outra metade noutros 5,730, depois de 10 meias-vidas (57,300) já não existiria quase nenhum traço de C-14. Logo, ninguém considera usar a datação por carbono para datas com estes intervalos. Teoricamente, esta datação pode ser útil para a arqueologia, mas não para a geologia ou a paleontologia.

Para além disso, as pressuposições sobre as quais assenta esta datação, e as condições que têm que ser satisfeitas, são altamente duvidosas; em práctica, ninguém confia neste método para datas que estão para além dos 3,000 ou 4,000 anos – e mesmo assim, só se ela poder ser confirmada através de outro método histórico.

Entre outras coisas, este método assume que a idade da Terra excede o tempo que demoraria para que a produção do C-14 esteja em equilíbrio com o decaimento do C-14. Uma vez que só seriam precisos 50,000 anos para se atingir o equilíbrio (a partir dum mundo onde inicialmente não existia nenhum C-14), esta pressuposição parecia ser boa. Mas esta crença só durou até que as aferições tivessem começado a revelar desequilíbrios significativos.

As taxas de produção ainda excedem o decaimento em cerca de 30%. Segundo as actuais taxas de produção e acumulção, todo o C-14 actual iria acumular em menos de 30,000 anos! Isto significa que a atmosfera não pode ser mais antiga que isto. Os esforços que visam salvar a datação por carbono são muitos e variados – com curvas de calibração a tentar harmonizar as “datas” de C-14 com as datas históricas – mas previsivelmente estes esforços produzem resultados altamente suspeitos.

Um tipo de pensamento de-regresso-a-Génesis insiste que o Dilúvio que ocorreu nos dias de Noé teria removido uma grande parte do carbono que existia na atmosfera e nos oceanos, especialmente à medida que o calcário (carbonato de cálcio) era precipitado. Mal os processos do Dilúvio terminaram, o C-14 lentamente começou a acumular rumo ao equilíbrio com o C-12 (uma acumulação que ainda não está completa).

Portanto, a datação por carbono não nos diz nada sobre os milhões de anos, e frequentemente exibe falta de precisão com espécimes históricos, negando da forma que nega o grande Dilúvio. Na verdade, o seu desequilíbrio aferido aponta para tal evento catastrófico que ocorreu a não muitos anos atrás.

http://goo.gl/Ma4Y0K

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O Cristão que coloca que em causa a linha temporal Bíblica devido aos mitológicos “milhões de anos”, está a operar sobre uma plataforma que os próprios evolucionistas ateístas sabem não ser fiável. Se os inimigos de Deus não confiam na precisão desses “métodos de datação”, porque é que um Cristão iria duvidar da Palavra de  Deus quando esta diz que o universo foi construído no espaço de seis dias normais?

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O vôo do ganso e a irrelevância da teoria da evolução

Por Evolution News & Views

Subir o Monte Evereste é um dos desafios físicos mais duros para o ser humano. Imagine-se chegar ao topo da montanha e ser recebido por um bando de gansos a voar por cima das nossas cabeças. Se por acaso viram o filme Flight: The Genius of Birds, é provável que se lembrem dos registadores de dados [“data loggers”] que apuraram a migração de Pólo a Polo da andorinha do Mar Ártico.

Cada vez mais os pesquisadores estão a usar estes engenhos nos animais migratórios como forma de descobrir os seus segredos. Uma das experiências mais recentes revelou alguns segredos surpreendentes dos gansos com faixa Asiático.

GansoEstes gansos, mais pesados que 98% das aves, voam duas vezes por ano sobre os Himalaias sob condições que seriam letais para os seres humanos. Esta pesquisa, reportada na Science, foi entusiasticamente recebida pelos repórteres visto que ela envolve um espectacular passeio numa “montanha russa” sobre a mais elevada montanha da Terra. Isso, sim, é um passeio emocionante.

Uma equipa internacional de investigadores liderada por C.M. Bishop (Universidade Bangor – Reino Unido) equipou sete gansos com registadores de dados que documentaram a temperatura, a pressão, a aceleração e a frequência cardíaca das aves à medida que elas voavam durante 391 horas sobre a montanhas. Os investigadores não sabiam bem o que esperar:

 Embora um dos gansos tenha sido directamente registado quando ele se encontrava à 7,290 metros de altura durante alguns breves momentos, nenhuma aferição da performance fisiológica e biomecânica do seu vôo havia alguma vez sido feito na natureza.

Pode-se pensar que as aves voam a estas elevadas alturas como forma de economizar a sua energia, mas isso haveria de as colocar rodeadas de ar excepcionalmente frio e rarefeito, o que iria causar a que os seus músculos se vissem privados de oxigénio. Pode-se pensar também que as aves voam tão alto como forma de minimizar o batimento das asas e, consequentemente, economizar energia.

As aves enganaram os cientistas ao aproveitarem-se da estratégia “montanha-russa” que, embora exija mais batimento de asas, na verdade conserva mais energia. Num curto resumo dos dados presente na Science, Sacha Vignieri explica:

A migração animal disponibiliza numerosos exemplos de proezas espantosas. Espantosa entre estas é a imigração do ganso-de-cabeça-listrada através das Montanhas dos Himalaias, que atinge alturas na ordem dos milhares de metros. Bishop et al. monitorizaram remotamente a frequência cardíaca, os movimentos e a temperatura corporal das aves durante a migração. O ganso “abraçou” as formas geográficas aproveitando-se das formas e dos padrões de vento. Esta estratégia inesperada economiza energia, embora isso signifique que o ganso tenha que, repetidamente, perder e recuperar altitude.

Este “comportamento inteligente” que permite que as aves “conquistem altitudes que o homem nunca poderá atingir sem ser com um avião” é descrito mais ainda por Elisabeth Pennisi na Science:

Para os seres humanos, o vôo transcontinental sem motores a jacto, sem cabines pressurizadas, e sem dezenas de milhares de quilogramas de combustível é algo quase  impensável.  Mas todos os anos, o ganso-de-cabeça-listrada voa da Mongólia para a Índia e de volta para a Mongólia, atravessando as montanhas mais elevadas do mundo munido apenas com as suas asas e pouca gordura corporal extra. Os pesquisadores ficaram a saber agora a forma como estas aves com 3 quilos fazem a sua viagem. Em vez de voarem em altas altitudes durante todo o seu vôo, estes gansos seguem o terreno, aproveitando-se dos ventos ascendentes para recuperar a altitude necessária.

Uma das aves foi medida a descer 1000 metros em apenas 20 minutos, e seguidamente a ascender 2000 metros durante a hora e meia seguinte. Este viagem louca, com as suas subidas gritantes e descidas aceleradas, deve ser tremendamente aventurosa para os gansos. Imaginem fazer com que um deles use um câmara GoPro durante o seu vôo.

Mas isto não é um parque de diversões visto que as aves imigram para sobreviver e para se reproduzirem. Como é que elas respiram estando elas imersas nesse tipo de ar?

Os dados fisiológicos explicam o porquê. Quando elas se encontram a voar em elevadas altitudes, as aves batem as suas asas não só de forma mais rápida, mas também de forma mais profunda (para cima e para baixo) como forma de se manterem no ar. O aumento da frequência do batimento das asas aumenta de modo exponencial a frequência cardíaca – que por vezes chega aos 450 batimentos por minutos – e a energia necessária.

Nas elevações mais baixas, onde o oxigénio é mais abundante, o batimento cardíaco é bem menor – cerca de 300 batimentos por minuto – e a energia necessária é muito menor, o que faz com que as descidas valham a pena. Mesmo quando elas estão a subir, muitas vezes elas não têm que se esforçar tanto como têm que se esforçar para manter o nível de vôo quando estão bem lá em cima. Bishop afirma que aparentemente elas “montam-se” nos ventos desviados do solo como forma de recuperar a elevação perdida

Como resultado, durante toda a sua viagem a média do batimento cardíaco é de 330 batimentos por minuto, revelando que “durante a maior parte do tempo estas enormes aves voaram bem longe da sua capacidade fisiológica máxima, apesar das condições extremamente difíceis”, escreve Bishop.

A BBC disponibilizou fotos das aves no seu habitat natural juntamente com os dados recolhidos da reportagem, e exibiu também um pequeno vídeo dos gansos em acção.  Para além das suas marcas, estes gansos parecem-se com a espécie presente no filme Flight na secção dos músculos de vôo. Ao contrário de muitas aves, os gansos listrados não pairam. Numa medição, alguns gansos listrados foram vistos a bater as asas constantemente durante 17 horas.

Bater as asas é uma actividade energeticamente intensa e, em altitudes elevadas, é ainda mais complicado gerar uma elevação no meio de ar tão fino e de densidade tão baixa.

Bishop diz ainda que, “Os gansos não treinam e nem se aclimatam. Eles poderiam muito bem andar no topo do Monte Evereste e não ter qualquer tipo de problema.” Ele espera também que estudos genéticos possam revelar como é que os gansos-de-cabeça-listrada conseguem fazer isso.

Este é mais um exemplo espectacular da migração animal. Um pouco por todo o mundo, em quase todos os habitats, e em filos totalmente distintos, os animais continuam a surpreender-nos com as suas proezas navigacionais.

Para fazerem o que eles têm que fazer, cada um deles precisa de equipamento para avaliar a sua localização, sistemas sensoriais para identificar marcas geográficas de referência, sistemas propulsores como forma de se movimentarem de forma mais eficaz, e instintos que os façam activar os comportamentos certos. Todos estes sistemas entrelaçados desenvolvem-se a partir de instruções complexas embutidas nos seus genes.

Na série Design of Life, a Illustra Media já revelou a forma como borboletas com o peso duma grama podem migrar milhares de quilómetros do Canadá para o México, e a forma como a andorinhas Árcticas podem voar dum Pólo para o outro. O seu próximo filme, agendado para o Verão de 2015, irá partilhar exemplos dos mares que são, de certa forma, ainda mais espectaculares.

Ganso

http://goo.gl/RuqqjO

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Embora o artigo de Elizabeth Pennisi faça uma leve alusão aos poderes criativos da natureza ao afirmar que “Os animais são extremamente hábeis em encontrar a maneira energeticamente mais eficaz de se movimentar através dos seus respectivos ambientes”, a realidade dos factos é que essa é uma declaração de fé sem qualquer suporte científico. Ou será que teremos que ser levados a acreditar que os animais foram testando (e morrendo durante o processo) as melhores formas de voar sobre altas elevações usando a menor quantidade de energia possível?

Os animais não “encontraram a maneira energeticamente mais eficaz” para a sua migração; eles NASCERAM a saber como é que isso se fazia. Dito de outra forma, uma vez que todo o aparato biológico necessário para a migração do ganso tinha que estar todo pronto e funcional desde o princípio, é por demais óbvio que esta capacidade não é o resultado dum processo gradual, mas sim o efeito dum processo criativo.

Deus é o Autor das capacidades migratórias dos animais e devido a isso, qualquer outra explicação é falha e, consequentemente, cientificamente irrelevante.

“Conheço todas as aves dos montes; e Minhas são todas as feras do campo.”
Salmo 50:11

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